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Pedro Antunes

Se quer ser Pop in Rio, Rock in Rio precisa de Pabllo, Anitta e pisadinha

O Big Four do pop brasileiro tem a melhor chance de tocar no Rock in Rio 2022 - Montagem: Pedro Antunes
O Big Four do pop brasileiro tem a melhor chance de tocar no Rock in Rio 2022 Imagem: Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

22/09/2021 08h21

Depois de IZA ser celebrada na escalação para abrir as atividades no Palco Mundo do Rock in Rio, é a vez de Ludmilla ser anunciada como atração responsável por fechar as atividades do Palco Sunset.

A programação completa (com todos os nomes revelados até agora) está no final do texto.

Também foram anunciados na noite de ontem Macy Gray e CeeLo Green. Ela, Macy, é uma excelente notícia. Já CeeLo recebeu uma oportunidade no Rock in Rio 2017 e o fiasco não justifica a presença aqui. A escalação do Rock in Rio é historicamente feita por incongruências e esta é uma delas.

Mas este texto é para falar do Big Four do pop brasileiro - Anitta, Pabllo, IZA e Ludmilla - no festival.

E para irritar quem ainda diz coisas como: "Se é Rock in Rio", cadê o rock?". Ou ainda: "Deveriam chamar logo de Pop In Rio". Incomodar roqueiros, sei lá, é um dos meus passatempos favoritos.

Anitta, Pabllo, IZA e Ludmilla são, atualmente, as responsáveis por ditar as tendências, absorver novas referências e levá-las para a massa.

Claro, há outros nomes em ascensão, como Luísa Sonza (cujo álbum "Doce 22" se torna mais interessante a cada audição), mas o quarteto ainda tem mais bagagem.

E não se engane, Rock in Rio é festival de massa. Artistas menores, com um ou dois hits, dificilmente mantêm a atenção do público em uma Cidade do Rock tão cheia de distrações além-música (roda-gigante, montanha-russa, lojas, vendedores de cerveja, etc).

Por algum motivo, a indústria gosta de quartetos. Houve, por exemplo, o "big four do grunge" (com Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains) e o "big four do thrash metal" (com Anthrax, Megadeth, Metallica e Slayer).

O nosso Big Four é de pop brasileiro, esse mix entorpecido por funk, pagode, arrocha, gêneros da música realmente popular brasileira, e uma estética gringa.

Se o Rock in Rio quer celebrar a diversidade, e é o que aparenta, as presenças de Anitta e Pabllo são fundamentais.

Anitta fez um show que poderia ser infinitamente melhor na edição 2019, é verdade, mas esta história nunca foi bem explicada. Com sua bossa funk para gringo ver "Girl From Rio", a Girl From Honório Gurgel precisa e deve receber outra oportunidade no festival.

Já Pabllo fez duas participações relâmpago na edição de 2017 (no palco de um patrocinador, no meio da tarde, causando um rebuliço, e depois ao lado de Fergie). Com o escandalosamente ótimo disco "Batidão Tropical", com inéditas e versões do brega, Pabllo é imprescindível na escalação de um festival deste tamanho.

Se Lady Gaga cumprir a promessa de voltar após o cancelamento de 2017, uma dobradinha com Pabllo (motivada pelo remix de Pabllo no álbum "Dawn of Chromatica") não seria impensável.

Pisadinha In Rio?

Conservador para evitar novas ondas de ódio como já ocorreu em episódios lamentáveis de artistas expulsos do palco por copos arremessados pelo público (como ocorreu com Carlinhos Brown em 2001), o Rock in Rio tem escolhas previsíveis e, por vezes, inexplicáveis.

A edição de 2019, por exemplo, criou um espaço separado, distante dos dois palcos principais, para artistas do funk e do hip-hop. O tal Espaço Favela protagonizou grandes momentos, mas a programação concorria com o restante do festival e posicionamento lugar, sobretudo, pouco valorizaram os artistas que ali estavam.

Se 2019, vivíamos a ascensão do funk ao flertar com o pop e o brega, chegou a vez da pisadinha. Dos paredões de som para as plataformas de áudio, o gênero tem sofrência, é extremamente popular e retrata um gigantesco Brasil do interior. Pegação, copos de cachaça, amores fugazes e paixões derretidas: a pisadinha é atual, quente e ultra brasileira.

Se tem uma edição do Rock in Rio que tem a oportunidade de se abrir para novas possibilidades sonoras e mandar para as cucuias o tal roqueiro médio conservador é esta.

Porque o Rock in Rio 2022 tem sido sinônimo de uma euforia exagerada, até.

Embora não se saiba como o mundo estará até setembro de 2022, os primeiros 200 mil ingressos colocados à venda ontem esgotaram em menos de 2 horas. Um recorde.

E, já que é assim, que o Rock in Rio use isso a seu favor e escale de uma vez Anitta, Pabllo e a pisadinha.

Abaixo, veja datas e quem já foi confirmado no Rock in Rio 2022.

2 de setembro: Sepultura + Orquestra Sinfônica Brasileira, Megadeth, Dream Theater, Iron Maiden (Palco Mundo)

3 de setembro: Alok, Jason Derulo, Marshmello, Post Malone (Palco Mundo)

4 de setembro: IZA, Demi Lovato e Justin Bieber (Palco Mundo)

8 de setembro: Duda Beat, Gloria Groove, Corinne Bailey Rae e Joss Stone (Palco Sunset)

10 de setembro: Ceelo Green (Palco Sunset)

11 de setembro: Ivete Sangalo e Dua Lipa (Palco Mundo) / Macy Gray e Ludmilla (Palco Sunset)

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes), no Twitter (também @poantunes) ou no TikTok (@poantunes, é claro).