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Pedro Antunes

O forró eletrônico prova ser maior do que aquele DJ agressor. Muito maior

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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

22/07/2021 11h04

Sem tempo?

  • O caso das agressões do DJ do forró eletrônico abalou o gênero.
  • É claro, é um movimento natural. Todos se assustam ao ver tal violência.
  • Mas, rapidamente, o forró se mostra maior.
  • Lançamentos de Barões da Pisadinha e do fenômeno João Gomes provam isso.
  • O forró é muito maior do que o legado de qualquer agressor.

Ouvi para o #Sextou o novo single dos Barões da Pisadinha, a ótima e divertida "Fui Pra Terminar". Tem cheiro de hit, já adianto.

E isso que me fez voltar ao texto do repórter Breno Boechat, publicado aqui no UOL Splash, sobre o prejuízo causado pelo escândalo do DJ agressor, cujo nome não merece ter o nome escrito aqui.

Na reportagem (que vale a leitura do começo ao fim), debate-se o estrago do escândalo para um gênero que estava em ascensão, disputando espaços no topo das paradas com os reizinhos do sertanejo e do agronegócio.

Se o caso de polícia baqueou (e eu entendo que é fácil baquear diante de tal violência), o novo forró tem mostrado fôlego para superar o golpe.

No topo da parada de trending do YouTube brasileiro, Zé Felipe e Barões da Pisadinha cantam "Senta Danada" e figuram acima do fenômeno de popularidade pop Luísa Sonza (com a muito boa "melhor sozinha :-)-:"). O top 10 ainda conta com "Meu Pedaço de Pecado", de João Gomes, o novo fenômeno do forró.

O mesmo João Gomes lidera o Spotify Brasil, com a mesma "Meu Pedaço de Pecado", e em terceiro lugar, com "Aquelas Coisas".

E João Gomes representa a força desse forró em expansão. É um artista cru, que sabia sequer o que é cantar no tom (leia mais na entrevista também feita pelo Boechat), mas que narra um Brasil real, misturando sanfona e saxofone e exageradamente dramático. Ele meio que canta, meio que faz um rap. É uma doideira.

É tanta mistura que lembra aquelas manobras gastronômicas caseiras desesperadas de juntar tudo o que tem na geladeira em uma panela e o resultado fica uma delícia, sabe?

Ouvir a nova dos Barões, ver o João Gomes no topo do Spotify, me deixou aliviado. Há muito espaço para crescimento e novas sonoridades.

O forró eletrônico é muito maior do que aquele DJ. Mas muito maior. E ainda bem.