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Daniela Lima ajuda, mas vai resolver o grande problema da GloboNews?

Daniela Lima saiu da CNN Brasil e partiu para o Grupo Globo, onde apresentará o Conexão GloboNews: será ela a solução? - Divulgação/Globo
Daniela Lima saiu da CNN Brasil e partiu para o Grupo Globo, onde apresentará o Conexão GloboNews: será ela a solução? Imagem: Divulgação/Globo

Colunista do UOL

31/07/2023 04h00

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Saída de Daniela Lima da CNN Brasil abalou o canal de Rubens Menin ao perder uma das principais jornalistas. Na emissora, ela se destacou por ter fontes e dar furos jornalísticos, além de imprimir uma linguagem leve e bem-humorada que a aproximou do público, embora também fosse alvo de haters nas redes sociais. Daniela estreia hoje na GloboNews e carrega uma missão importante: a de colocar o canal nos eixos.

Cecilia Flesch foi demitida após comentar em um podcast que a GloboNews, onde trabalhava havia 17 anos, está "um saco". Para além da polêmica e à parte do questionável comportamento da agora ex-funcionária, ela tem a sua dose de razão. A celebrada chegada de Daniela Lima, ex-CNN Brasil, deve ajudar, mas muda substancialmente o fato de que o canal pago precisa se reencontrar?

Pressionada pela queda de assinantes da TV paga, pela fuga dos espectadores do telejornalismo e com concorrência de Jovem Pan News e CNN Brasil, o canal se perdeu. Deixou de lado a "escola brasileira" de como se dá notícias na televisão, azeitada por décadas na Globo por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e Walter Clark, para adotar o padrão americano.

O resultado? O tal do "Rivonews", apelido dado pelos profissionais da GloboNews nos bastidores, como revelado por Cecília.

A mudança da GloboNews começou durante a pandemia e se intensificou em 2022. O canal se diferenciava da concorrente BandNews por alternar telejornais ao vivo com outros tipos de programas. Havia mais diversidade de reportagens, produzidas com o repórter na rua, e entrevistas e registros gravados previamente. Trazia aos assinantes temas de variedades, como cultura, lazer, tecnologia, moda e afins.

Outro fator foi a entrada da Jovem Pan News e da CNN Brasil, que apostaram no "modelo americano", adotado por canais como Fox News. Afinal, a produção de reportagens, com equipes espalhadas pelo Brasil, custa caro. Ter um só repórter ao vivo, um apresentador-jornalista apurando e alguns comentaristas mantêm os custos mais baixos. Principalmente no caso da JP, que aposta mais na polêmica e no embate de opiniões, atraindo o público.

Explora-se também o "urgente", que os americanos chamam de "breaking news", para criar um sentimento de ansiedade que prende o espectador em frente à TV. E quase sempre explorando a atual polarização da política. Pressionada pela fuga de dinheiro e espectadores, a GloboNews também passou a adotar o modelo americano.

Por mais que diversas das análises sejam pertinentes, há um excesso. Muitas vezes os telejornais colocam uma lupa em um acontecimento, esmiuçando críticas que, no afã de manter a audiência, viram "procurar pelo em ovo". Pior: alguns comentaristas, que pensam de maneira convergente, chegam a ficar no ar quatro, cinco, seis horas por dia. Há como alguém mudar de opinião, ou agregar uma perspectiva nova, da manhã para a noite? É um marasmo.

Daniela Lima, a bem da verdade, cumpria esse mesmo papel de ser a apresentadora que também é quem apura as notícias mais recentes da política brasileira e não deve mudar muito a atual ordem das coisas na GloboNews. Não raro ela pediu licença ao telespectador ao vivo para digitar mensagens para fontes que pudessem atualizá-la dos assuntos trazidos pelo seu jornal, o CNN 360º.

De toda forma, a repercussão da contratação mostra que a jornalista tem um público fiel que pode acompanhá-la na nova empreitada. A linguagem mais popular e acessível, com brincadeiras e exemplos descontraídos, pode representar isso sim uma novidade dentro da linguagem da GloboNews. A ver como será o espaço dela para colocar isso em prática no canal, onde dividirá a bancada do Conexão com mais duas colegas.

Não é voltando a dinâmica de novos telejornais a cada hora cheia, com repetição eterna das mesmas reportagens, que o problema será solucionado. O formato da GloboNews original, dos anos 1990 e 2000, também morreu.

Resta saber o que o canal do Grupo Globo fará para solucionar esse impasse. A chegada de Daniela Lima traz uma refrescada para a programação, mas ainda há muito a fazer para que ninguém dê razão quando Cecília Flesch ou quem quer que seja encher a boca para dizer que a GloboNews está "um saco".

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