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Marcelle Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Paulo José atravessou gerações com seu talento e emoção

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Marcelle Carvalho

Marcelle Carvalho é jornalista que cobre, há duas décadas, o universo da televisão. Suas maiores paixões são novelas e séries, que serão abordadas aqui a partir da visão de quem vê e de quem faz.

Colunista do UOL

11/08/2021 21h44

Meu pai nunca foi muito de ver televisão. Mas se ele estivesse na sala e Paulo José aparecesse na TV por qualquer motivo, ele abria um sorriso e dizia: "Olha o Shazan!", e começava a contar o quanto se divertiu com o seriado "Shazan, Xerife e Cia", escrito e protagonizado pelo ator e por Flavio Migliaccio. Portanto, minha gratidão por esse artista, que tanto fez meu pai feliz. Infelizmente, o ator nos deixou na noite desta quarta-feira, aos 84 anos.

Paulo José divertiu e emocionou multidões com seu talento. Os personagens da série, na verdade, saíram da boa repercussão que tiveram na novela "O Primeiro Amor" (1972). Paulo era o mecânico-inventor Shazan, parceiro do Xerife de Migliaccio. O sucesso do que chamamos hoje de spin-off foi de 1972 a 1974.

A história da TV se confunde com a sua própria, iniciada em 1969, ao aparecer no fim da novela "Véu de Noiva. Minhas lembranças desse grande ator passam por "Tieta" (1989), como o forasteiro Gladstone, responsável por tirar do caritó a solteirona Carmosina (Arlete Salles), e "Explode Coração" (1995), na pele do cigano Jairo, pai firme e amoroso de Dara (Tereza Seiblitz). Claro que ao recordar de "Por Amor" (1997), Orestes assalta a minha memória. Quem não se emocionou com o eterno sonhador, pai de Eduarda (Gabriela Duarte) e Sandrinha (Cecília Dassi), que tinha sérios problemas com o alcoolismo?

Mas a minha mais recente recordação de Paulo José é a sua persistência em continuar a fazer arte, mesmo com os sintomas do Mal de Parkinson querendo derrubá-lo. Na novela "Em Família" (2014), ele comovia como Benjamim, que também tinha a doença, mas não se furtava em tocar o seu piano. Sua atuação era de uma dedicação profunda, só nos cabendo aplaudi-lo. E continuar com esse gesto, porque ele atravessou gerações conquistando novos talentos que o têm como um mestre.

A gente lamenta profundamente sua partida, Paulo José. Mas tenha a certeza de que seu legado está mais do que estabelecido. Sempre soube disso pelo sorriso do meu pai.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL