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Ao dispensar Tarcísio e Glória, Globo mostra desapego com própria história

Glória Menezes e Tarcísio Meira durante entrevista para o "Altas Horas", há algumas semanas - Reprodução / Internet
Glória Menezes e Tarcísio Meira durante entrevista para o "Altas Horas", há algumas semanas Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

11/09/2020 06h00

Resumo da notícia

  • Globo decidiu não renovar o contrato do casal 20 da TV brasileira
  • Juntos há seis décadas, Tarcisio e Gloria passaram 53 anos na emissora
  • Dispensa ocorre às vésperas do aniversário de 70 anos da TV brasileira

Ninguém está seguro na Globo. Depois de decidir não renovar com nomes como Miguel Falabella e Vera Fischer, a emissora agora voltou suas atenções para figuras antes consideradas intocáveis. Tarcísio Meira e Glória Menezes entraram para a lista de atores sem contrato fixo com a emissora. O casal estava na emissora desde 1967, quando, vindos da TV Excelsior, estrelaram a novela "Sangue e Areia". Casados há seis décadas, os dois passaram 53 anos empregados pela Globo.

A emissora, como em todos os outros casos, afirma que as portas seguem abertas para Tarcísio e Glória, sob os mesmos argumentos das dispensas anteriores: "Em sintonia com as transformações de mercado, a Globo vem adotando novas dinâmicas com seus talentos". De fato, ambos têm salários acima da maior parte do elenco da emissora. O que chama atenção é a direção, assim como fez com Renato Aragão, ter preferido abrir mão de seus passes a negociar uma possível redução.

Tarcísio e Glória não são apenas dois grandes nomes. São artistas que ajudaram a construir a história da televisão como ela é hoje, em especial das muitas novelas de sucesso da Globo. De "Irmãos Coragem" (1970) a "Torre Babel" (1998), viram o gênero mudar e acompanharam todas as suas transformações. Por muito tempo, foram a cara do canal, são considerados patrimônio da teledramaturgia. A não-renovação do vínculo põe fim ao mito da gratidão por parte de empresas e mais: acaba com o mito do contrato vitalício - que, de fato, existiu para poucos, como Eva Todor (1919-2017).

Ao deixar duas lendas da TV, ambas de talento inegável, livres para a concorrência, a Globo sinaliza que não há ninguém intocável. Qualquer um pode não ter o contrato renovado, independente do tamanho da carreira ou fama. É triste que Tarcísio e Glória tenham de passar por isso às vésperas do aniversário de 70 anos da televisão no Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL