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Aline Ramos

Críticas a Adnet desviam foco de denúncias de assédio contra Melhem

                          - Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo
Aline Ramos

Aline Ramos é jornalista, mas tá mais pra palpiteira, por isso cria conteúdo na internet desde 2014. Você com certeza já fez algum teste dela no BuzzFeed, onde foi redatora por dois anos. É especialista em diversidade e dá consultoria para marcas em temas como raça e gênero. Mas o que ama mesmo é escrever sobre entretenimento e dar opinião sobre tudo, se bobear até sobre a sua vida.

Colunista do UOL

04/12/2020 15h04

Depois que a revista Piauí publicou nesta sexta-feira (4) uma reportagem em que detalha os casos de assédio sexual e moral denunciados contra o ator e diretor Marcius Melhem, Marcelo Adnet passou a ser um dos focos da discussão em torno do tema. Por ser uma das estrelas do humor da Globo e ex-marido de Dani Calabresa, primeira mulher a denunciar Melhem, há uma cobrança maior sobre a sua postura.

Como Adnet agiu no caso

Marcelo Adnet não é uma das vítimas e muito menos o acusado das denúncias, como fica claro na reportagem do jornalista João Batista Jr. Ele é citado como um dos articuladores do movimento que pressionou a Rede Globo a ter posições mais firmes diante de casos de assédio moral ou sexual. Inclusive, uma carta assinada por 30 funcionários foi enviada à direção da emissora pelo e-mail de Adnet.

No texto, também são revelados os bastidores da participação de Adnet do programa Roda Viva, da TV Cultura, em 17 de agosto. Duramente criticado por ter ficado em cima do muro, o humorista fez isso por orientações jurídicas da Rede Globo. Porém, essa explicação não foi o suficiente para algumas pessoas.

Na época, Adnet foi chamado de "esquerdomacho", termo utilizado para definir homens que se consideram progressistas e de esquerda, mas que no dia a dia são machistas.

O que há por trás das críticas ao humorista

Nesta sexta-feira, após a publicação da matéria na revista Piauí, as acusações ganharam força novamente, sobretudo de quem discorda das posições políticas dele. O MBL (Movimento Brasil Livre) e seus apoiadores têm feito duras críticas ao humorista.

Muitos alegam que Adnet deveria ter feito mais, como agredir Marcius Melhem ou passar por cima de ordens jurídicas e colocar o emprego dele na Globo em risco. São muitas as sugestões do que o humorista deveria ter feito e zero preocupações com as vítimas.

Para muitos, a denúncia não é levada a sério porque não há o menor interesse em conversar sobre o assunto. Até mesmo um caso tão sério e delicado como esse tem seu foco desviado e se torna instrumento para ataques políticos. Tudo isso mostra como estamos distantes do dia em que casos de assédio sexual serão tratados como se deve: com respeito e cuidado com as vítimas e tolerância zero com os assediadores.

Nem vilão, nem herói

Por outro lado, também há uma parcela de pessoas exaltando Adnet como principal líder e responsável maior pela articulação que levou as denúncias adiante. Esse é outro enorme equívoco, e o próprio humorista tem tentado desmentir.

Adnet se vê como um colaborador, não como protagonista. Ele teve a postura que muitas pessoas que passaram pela mesma situação esperam de seus colegas de trabalho, o que é louvável. Mas numa história como essa, não é ele que merece aplausos. Parece óbvio, mas, para muitos homens, não é.

O foco não é e não deveria ser o Adnet. Seria bom que esse texto nem existisse. Mas já que estamos aqui, tenho uma proposta: vamos falar sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.