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Sem máscara, com turismo: brasileiros em Israel relatam volta à normalidade

Jovens se abraçam em calçadão da praia em Tel Aviv, Israel, após controle do contágio do coronavírus - Amir Levy/Getty Images
Jovens se abraçam em calçadão da praia em Tel Aviv, Israel, após controle do contágio do coronavírus
Imagem: Amir Levy/Getty Images

Priscila Carvalho

Colaboração para Nossa

10/05/2021 04h00

Parques cheios, vida noturna agitada e até festas. É assim que Israel vive no último mês. Com a maior taxa de vacinação do mundo, o país tem uma rotina praticamente normal e com restrições sanitárias cada vez mais brandas.

O uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e para quem deseja ir a locais fechados é obrigatório apresentar o "passaporte verde", documento que comprova a vacinação e permite que o morador vá a restaurantes, academias e baladas de forma segura e sem contaminar os outros.

Com estas medidas, o país já retoma gradualmente o turismo interno e pretende abrir para alguns turistas estrangeiros no fim de maio. Para entender como estas ações funcionam na prática, saiba como quatro brasileiros que moram em Israel veem a atual rotina do país.

Monica Asif, do @destinoisrael, em Hod Hasharon

Monica Asif - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Monica Asif
Imagem: Arquivo pessoal

"Eu trabalho com turismo aqui e ainda produzo conteúdo nas minhas redes sociais e, desde o começo da pandemia, fui bem afetada. Eu até ia mudar para uma outra empresa de turismo, mas tive o contrato cancelado. Até 2016/2017, o turismo religioso era o mais forte aqui, mas Tel Aviv começou a se internacionalizar e ganhar espaço pelas praias, comunidade vegana e parada gay.

No começo da pandemia, a cidade ficou bem fantasma e os restaurantes e bares todos fechados. Desde o início, teve uma movimentação muito forte para combater o coronavírus. O turismo logo fechou e teve pessoas que tiveram que voltar para o país de origem, como passageiros da Coreia do Sul.

Teve uma supervisão muito grande aqui, principalmente por parte da polícia.

Pessoas frequentam restaurantes em Tel Aviv, após controle do contágio pelo coronavírus - Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images - Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images
Pessoas frequentam restaurantes em Tel Aviv, após controle do contágio pelo coronavírus
Imagem: Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images

Agora, a vida está praticamente normal e eu só uso máscara em local fechado mesmo. Inclusive comprei para ir a um show no dia 13 de maio e estou empolgada. Está tudo bem cheio. O pessoal está indo para parques, praias, trilhas e estão mais tranquilos agora. A gente ganhou o passaporte verde e o documento faz uma leitura mostrando se você está vacinado ou não. Se você não tem, não entra em local fechado.

O turismo interno já voltou também. E o governo está anunciando que pretende retomar o turismo internacional no dia 23 de maio — mas com algumas restrições. Por enquanto, eles estão falando de abrir apenas para o Reino Unido, Emirados Árabes e Estados Unidos.

Eu espero que volte sim, já que trabalho com isso, faço roteiros personalizados e, por causa da pandemia, tive que arranjar um outro emprego."

Ana Baron, ex-militar, em Ramat Hakovesh

Ana Baron - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ana Baron
Imagem: Arquivo pessoal

"A situação do coronavírus está bem diferente agora, do que foi no passado. Tiveram vários fechamentos e com muitas regras. Todas as lojas estavam fechadas e as pessoas só podiam ir para rua para coisas bem específicas.

Eu era do exército e nós trabalhávamos junto com o Estado para fazer exames nas pessoas e ter o resultado rápido — a população recebia a resposta um ou dois dias depois.

E o mais interessante é que por meio de uma tecnologia, eles controlavam a população, e se alguém teve contato com uma pessoa que estava infectada, recebia mensagem no celular informando. Eles também avisavam para fazer quarentena. Às vezes, a polícia ligava até na casa do morador para ver se ela estava lá mesmo. Era algo incrível.

Com o passaporte verde também está muito bom. Depois das duas doses da vacina, você baixa no seu celular e apresenta dentro do restaurante ou lugar que não é aberto. Em festas e shows não entra sem este documento. Acho que, agora, estão levando a situação mais tranquila.

No momento, estou acompanhando um grupo de turistas da América do Sul e que vão passar dez meses aqui. Eles chegaram no país, fizeram a quarentena e um dia depois que eles saíram dessa restrição, já tomaram a vacina. E quando a gente muda de hotel, eles precisam mostrar o exame com resultado negativo para ficar hospedados. Tirando isso, está normal. No geral, o turismo está voltando."

Sarah Cohen, advogada, em Tel Aviv

Sarah Cohen - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Sarah Cohen
Imagem: Arquivo pessoal

"O primeiro lockdown foi mais severo e a população respeitou. As pessoas não podiam sair para mais de 100 metros de casa. Já nos outros, acho que estavam mais cansadas. O tempo todo tinha polícia rondando e se você ia para uma praça mandavam sair.

Em Tel Aviv tinha um controle maior, mas em Jerusalém — já que eles têm uma vida mais comunitária —, tiveram mais dificuldade em controlar a doença.

Pessoas caminham sem máscaras por Jerusalém, Israel - Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images - Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images
Pessoas caminham sem máscaras por Jerusalém, Israel
Imagem: Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images

Agora, que muita gente já está vacinada, a cidade está com um astral mais leve. A vida está voltando próximo da normalidade e, segundo notícias daqui, querem derrubar todas as medidas protetivas nas próximas três semanas.

O que tem ajudado muito é o passaporte verde, que funciona como um documento de vacinação para frequentar ambientes fechados. Uma vez eu fui a um restaurante e ainda não havia sido vacinada e me impediram de entrar. Hoje, pessoas que não se vacinaram precisam apresentar teste negativo de covid-19 das últimas 72 horas para entrar em locais que não são ao ar livre.

Sigo com os cuidados como lavar as mãos e outros, mas ainda gera um pouco de insegurança e você não sabe se pode cumprimentar alguém ou não. A economia está voltando aos poucos e o desemprego já reduziu também. Eu pretendo voltar a viajar internamente, semana que vem já tenho um evento em Jerusalém e vou ficar em um hotel. A sensação no país já está bem melhor".

Jovens tiram selfie sem máscaras em nova fase de Israel diante da pandemia do coronavírus - Amir Levy/Getty Images - Amir Levy/Getty Images
Jovens tiram selfie sem máscaras em nova fase de Israel diante da pandemia do coronavírus
Imagem: Amir Levy/Getty Images

David Gruberger, diretor de produto, em Bet Dagan

"Desde os primeiros casos, Israel agiu bem rápido. Como só tem dois aeroportos internacionais, as autoridades definiram bem as fronteiras, proibiram voos de alguns lugares e também a entrada de pessoas. Outro ponto é que o primeiro-ministro nunca agiu com negacionismo em relação ao vírus. Ele chegou a mostrar na televisão como lavar as mãos.

O país teve três lockdowns e eu lembro que no meu aniversário passei em casa comemorando via Zoom. No terceiro lockdown fechou tudo e era proibido até comprar em restaurante. Em dezembro, quando começou a vacinação, foi tudo bem rápido e como não temos o feriado no Natal, isso também facilitou. Era dia normal aqui.

Há uma semana que estamos sem máscaras em lugares abertos. Acho que está um pouquinho mais relaxado. Começou a esquentar aqui e os lugares estão bem cheios, bares e restaurantes. Eu mesmo já comprei para assistir um stand up no próximo mês. A sensação é de bastante alívio."