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"Sentimos que o coronavírus acabou": brasileiros relatam vida na Austrália

Juliana Sanches Pereira passeando por Sydney, na Austrália - Arquivo pessoal
Juliana Sanches Pereira passeando por Sydney, na Austrália Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração com Nossa

03/05/2021 04h00

Um dos países que melhor conseguiram controlar a pandemia dentro de seus territórios, a Austrália é lar para uma grande população de brasileiros. E não é exagero dizer que estes imigrantes são privilegiados.

Hoje, por causa dos baixíssimos números de infectados pelo novo coronavírus na nação da Oceania, eles levam uma vida muito próxima da normalidade, morando em cidades com bares, restaurantes e museus abertos, circulando por espaços públicos sem máscara e fazendo turismo pelo país com tranquilidade — e tudo autorizado pelo governo australiano.

A seguir, saiba como está a vida de brasileiros que vivem em Sydney e têm viajado com liberdade em tempos de pandemia:

Wellington Hokama, 31 anos

Wellington Hokama - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Wellington Hokama
Imagem: Arquivo pessoal

Como está sua rotina: Estuda marketing e trabalha em uma escola. Em suas horas de lazer, tem frequentado os animados bares e espaços públicos da cidade, quase sempre sem máscara.

"Hoje, a situação aqui está normalizada. A gente sente que o coronavírus acabou. Restaurantes já funcionam normalmente, os bares estão cheios, as baladas foram reabertas e já podemos voltar a fazer festas em casa com muitos convidados".

Vida profissional: Wellington diz que seu trabalho não foi afetado pela pandemia e que, neste momento, há diversas oportunidades de emprego em estabelecimentos que costumam contratar imigrantes, como bares, cafés e restaurantes.

"No ano passado, muitos estrangeiros na Austrália ficaram inseguros com a pandemia e voltaram para seus países de origem. Mas, agora, a Austrália está precisando muito de mão de obra".

Vida de turista: Recentemente, Wellington viajou com amigos pelo estado de New South Wales (onde está a cidade de Sydney) e quase não lidou com restrições para passear com tranquilidade.

Wellington durante viagem pelo estado de New South Wales - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Wellington durante viagem pelo estado de New South Wales
Imagem: Arquivo pessoal

Ele voou de balão, visitou vinícolas e jogou golfe na região de Hunter Valley, além de ter curtido as praias de Jervis Bay, onde havia muitos banhistas curtindo a areia, o sol e o mar. "Na viagem, fomos a restaurantes sem máscara e, em muitos lugares que visitamos, não havia a necessidade de distanciamento social".

Quem está na Austrália hoje consegue viver tranquilo. Mas estou torcendo muito para que o Brasil também melhore, porque vemos que a situação aí não está fácil".

Juliana Sanches Pereira, 28 anos

Juliana Sanches Pereira e o marido - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Juliana Sanches Pereira e o marido
Imagem: Arquivo pessoal

Como está sua rotina: Está na Austrália estudando e, para ganhar dinheiro, trabalha com limpeza de casas em Sydney. Nas horas vagas, tem levado uma vida com muita sensação de normalidade ao lado do marido, o também brasileiro Luiz Alberto Ferreira, indo à praia e frequentando cafés e restaurantes.

"Quase toda sexta-feira a gente está em um bar, tomando uma cerveja. Recentemente, os pubs ficaram lotados durante um feriado que tivemos aqui. Foi muito bom ver a galera junta e se divertindo".

Vida profissional: Segundo a brasileira, seu trabalho de limpeza de residências ficou, por causa da pandemia, em um ritmo mais lento em 2020, mas, agora, os serviços voltaram a aparecer em grande volume.

Juliana Sanches Pereira e o marido na Tasmânia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Juliana Sanches Pereira e o marido na Tasmânia
Imagem: Arquivo pessoal

Vida de turista: No último mês de fevereiro, Juliana e o marido viajaram para a Tasmânia, onde curtiram a cidade de Launceston e paisagens com muita natureza. Eles tiveram que usar máscara no aeroporto e no avião, mas, quando chegaram à ilha, viveram uma viagem normal.

Ficaram em um hostel com outros viajantes, passearam sem máscara e visitaram museus e restaurantes com tranquilidade.

Na Austrália, parece que estamos em outro planeta. Mas a gente também se sente triste e, às vezes, até culpado, porque vemos as pessoas que amamos no Brasil ainda vivendo esta pandemia", relata Juliana.

Ricardo Pinheiro Silva, 40 anos

Ricardo Pinheiro Silva e a esposa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ricardo Pinheiro Silva e a esposa
Imagem: Arquivo pessoal

Como está sua rotina: Mora na Austrália com a esposa, Débora Rodrigues, e duas filhas pequenas (a Julia e a Livia). Trabalha de casa, leva as crianças para a escola e natação e, nos momentos de folga, a família tem passeado por Sydney em ambientes de muita normalidade, sem precisar usar máscara.

Vida profissional: Publicitário, Ricardo tem trabalhado de casa desde que se mudou para a Austrália, há quase dois anos.

Já sua esposa, que trabalha em um instituto de pesquisa de mercado, já está autorizada a voltar para o escritório. "Ela pode alternar seu dia a dia entre o escritório e o home office", conta ele. A família não passou perrengues na pandemia em relação a emprego.

Ricardo e família durante viagem em Queensland - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ricardo e família durante viagem em Queensland
Imagem: Arquivo pessoal

Vida de turista: Recentemente, toda a família fez uma viagem de lazer para o estado de Queensland. Lá, eles visitaram locais como as praias da região de Sunshine Coast, a fotogênica cidade de Brisbane e parques de diversão (como o Dreamworld).

"Havia obrigatoriedade de máscaras nos aeroportos e durante os voos. Mas não tivemos nenhuma restrição ao visitar os lugares turísticos", afirma Ricardo. "Nos parques de diversão, por exemplo, a gente não precisava usar máscaras".

Estamos vivendo em uma bolha, com uma vida normal que, na maioria dos países do mundo, não é possível neste momento, infelizmente. Nossa situação é privilegiada. E agradeço por estarmos aqui neste momento", diz.

Como a Austrália está combatendo a pandemia

O fato de a Austrália ser um território insular ajudou (e muito).

Controle de circulação

Habitantes lotam praia de Sydney, em janeiro de 2021 - Brook Mitchell/Getty Images - Brook Mitchell/Getty Images
Habitantes lotam praia de Sydney, em janeiro de 2021
Imagem: Brook Mitchell/Getty Images

Desde o começo da pandemia, o país tem estabelecido um rígido controle sobre o trânsito de viajantes por suas fronteiras internacionais, permitindo que apenas certos grupos de pessoas ingressem em seu território, como cidadãos australianos e estrangeiros que tenham residência permanente no país.

Após o ingresso no país, a maioria dos viajantes precisa fazer quarentena de 14 dias em locais autorizados pelo governo.

Além disso, autoridades australianas restringiram a circulação dentro do próprio país, proibindo em determinados momentos, por exemplo, o trânsito de pessoas entre estados (que foi restabelecido quando a disseminação do coronavírus foi considerada sob controle).

Antes de haver a liberdade de circulação que hoje impera no país, houve a ordem para a restrição de movimento de pessoas nas ruas de cidades e o fechamento de diversos estabelecimentos não essenciais ao redor do território australiano, como bares, restaurantes, cafés e museus, com o objetivo de evitar aglomerações.

Para aqueles que não cumpriram as regras sanitárias, as multas foram pesadas. Mas, desde o começo da pandemia, a maior parte da população australiana respeitou as normas de isolamento.

Medidas sanitárias

Harbour Bridge, em Sydney - Getty Images - Getty Images
Harbour Bridge, em Sydney
Imagem: Getty Images

Nem por isso, o país deixou de seguir com ações sanitárias pontuais e focadas: o surgimento de novos casos de infecção em determinada região da Austrália, por exemplo, pode gerar, momentaneamente, restrições à movimentação de pessoas e a obrigatoriedade de uso de máscaras em determinados espaços desta área, além de novos fechamentos momentâneos de fronteiras dentro do país.

Também foram adotadas medidas para facilitar o rastreamento de pessoas que estiveram expostas ao vírus. Ao entrar hoje em estabelecimentos como restaurantes e bares de determinadas regiões do país, por exemplo, o cliente se registra através de um QR Code, deixando ali dados como seu número de telefone e e-mail. Esta pessoa pode ser contatada caso se descubra que algum cliente daquele estabelecimento foi infectado com o novo coronavírus.

A Austrália tem uma população de aproximadamente 26 milhões de pessoas e, até o momento, teve cerca de 30 mil infectados e pouco mais de 900 mortos pela covid-19. A vacinação no país começou no final de fevereiro.