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Síndrome da Classe Econômica que afeta viajantes pode até matar

Ficar muito tempo sentado no espaço apertado da classe econômica pode causar problemas de saúde - Getty Images/iStockphoto
Ficar muito tempo sentado no espaço apertado da classe econômica pode causar problemas de saúde
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Alexandre Saconi

Colaboração para Nossa

15/03/2021 04h00

Quem viaja por longos períodos contínuos pode estar exposto a um risco que não é tão conhecido, mas pode até mesmo levar o passageiro à morte. A Síndrome da Classe Econômica afeta quem fica por mais de quatro horas sentado, principalmente em viagens de avião.

Esse é o nome usado para denominar a situação em que uma pessoa sofre em uma trombose, principalmente venosa, que consiste na formação de um coágulo sanguíneo nas pernas.

O maior risco está presente quando esse coágulo se desprende, quando a pessoa se levanta para ir ao banheiro, por exemplo, e chega até o pulmão. Essa situação pode causar uma embolia pulmonar e, até mesmo, a morte.

Segundo Suely Meireles Rezende, médica hematologista, esse quadro é mais raro em quem viaja na classe executiva ou na primeira classe.

Isso ocorre principalmente na classe econômica porque ali as pessoas viajam com menos espaço e com as pernas mais tempo paradas, represando mais o sangue nos membros inferiores", diz a médica.

Problema pode acontecer em viagens de carro e ônibus - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Problema pode acontecer em viagens de carro e ônibus
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Esse problema também pode ocorrer em quem viaja de carro ou ônibus, mas vem sendo observado e estudado, principalmente nas viagens de avião. "A chance de isso ocorrer aumenta em voos acima de quatro horas. Em voos abaixo dessa duração, a chance é praticamente nula", destaca Suely.

Aérea condenada

Alvaro Sardinha, advogado especialista e membro da comissão de Direito Aeronáutico da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, destaca que falta uma legislação sobre o tema no país.

"O Brasil é um dos poucos países que não têm uma lei específica que exige essa prevenção aos passageiros. Japão, EUA e China já têm recomendações nesse sentido para seus viajantes, junto com as informações de emergência, como as de incêndio e pouso de emergência", diz Sardinha.

O advogado representa um cliente que desenvolveu a síndrome após um voo entre a França e São Paulo, que teve de ser desviado para Recife (PE) devido a uma emergência com o passageiro. Demorou 15 dias para se descobrir que era uma embolia pulmonar, causada em decorrência da viagem, após mais de 18 horas em voos sentado.

Aéreas brasileiras ainda carecem de orientações para passageiros - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Aéreas brasileiras ainda carecem de orientações para passageiros
Imagem: Getty Images/iStockphoto

A empresa responsável pelo voo foi condenada em caráter liminar a arcar com o custo do transporte aéreo do passageiro de Recife até o Rio Grande do Sul. O processo ainda aguarda julgamento em definitivo.

"Algumas empresas internacionais possuem essas instruções em seus sites, mas muito escondidas. Além disso, não há preparação dos aeroportos e dos hospitais para diagnosticar situações como essa", diz o advogado.

Esses sintomas, inclusive, podem se manifestar após um período de até duas semanas do voo.

Há casos de pessoas que sofrem uma parada cardíaca sem nenhum histórico, que pode ter sido por outro motivo, mas, em geral é causada pela Síndrome da Classe Econômica", conclui Sardinha.

Sintomas

  • Quando ocorre nas pernas, a pessoa começa a ter dores nas pernas, principalmente na batata da perna. A perna começa a inchar. Ela também pode ficar vermelha;
  • Quando o coágulo vai para o pulmão, há a falta de ar (súbita, na maioria das vezes), dor torácica, dor para respirar e tosse contínua;
  • Quando a obstrução causada pelo coágulo é muito grande, obstruindo artérias grandes e importantes do pulmão, a pessoa pode morrer instantaneamente, como em um infarto.

Como prevenir?

  • Dobrar a perna, estica-la, fazer exercícios com os pés, movimentando-os para frente, para trás e para os lados;
  • Caminhar no corredor do avião;
  • Beber bastante líquidos;
  • Evitar ingestão de bebida alcóolica, porque ela desidrata a pessoa e diminui o volume de sangue em circulação;
  • Pode-se tentar esticar a perna sob o assento da frente e dobrar ela até onde for possível como forma de exercício;
  • As empresas podem orientar previamente os passageiros sobre esses fatores com vídeos sobre ou espaço dedicado nas revistas de bordo e cartões de procedimento.
Caminhar durante viagens longas ajuda a prevenir a síndrome - Getty Images - Getty Images
Caminhar durante viagens longas ajuda a prevenir a síndrome
Imagem: Getty Images

Alertas

  • Quanto mais tempo com a perna dobrada, pior, pois restringe mais a circulação;
  • O ar do avião também desidrata a pessoa, por ser mais seco. O que pode influenciar no desenvolvimento dessa síndrome;
  • O passageiro pode dormir durante a viagem, mas é recomendado que faça exercícios com as pernas sempre que possível.

Ainda é possível utilizar, sob orientação médica, anticoagulantes antes dos voos. Principalmente para quem tem fatores de risco de desenvolver uma trombose, como grávidas, quem foi operado recentemente, pessoas com câncer e estão em processo de quimioterapia, entre outras situações.

Suely ainda recomenda que as pessoas que têm fatores de risco para a trombose devem conversar com um médico antes de realizar um voo com mais de quatro horas de duração. "Quem não tem fator de risco nesse sentido, o que é a maioria da população, não precisa conversar com um médico, bastando realizar as medidas para mitigar o risco", finaliza.