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Paulo Sérgio: "Sofremos tanto com o racismo no Brasil como na Europa"

Do UOL, em São Paulo

25/07/2020 04h00

Jogando a maior parte de sua carreira no futebol europeu, o ex-jogador Paulo Sérgio tentou sempre deixar o racismo em segundo plano, mas admite que sofreu episódios, como quando chegou para jogar na Itália pela Roma, mas afirma que o preconceito sofrido na Europa não é diferente do que ele viveu também no Brasil.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Paulo Sérgio afirma que quando jogou na Alemanha procurou se adaptar ao idioma e à cultura para não se sentir excluído da sociedade alemã, em um período difícil nos primeiros anos após a queda do Muro de Berlim.

"O próprio racismo que nós sofremos no Brasil, se sofre no mundo inteiro. Então não dá para ficar falando que o alemão é racista, o brasileiro também é racista. O italiano é racista, brasileiro também é racista, então muitas vezes nós queremos transferir para outros países o que nós temos aqui", afirma Paulo Sérgio.

"Os problemas em termos de racismo eu nunca dei muita ênfase a isso, eu sempre procurei fazer o meu trabalho. A primeira coisa que eu aprendi quando eu cheguei no Bayer Leverkusen, depois de três meses eu sentei com a minha esposa e falamos, nós precisamos fazer duas coisas para que nós possamos ser introduzidos na cultura alemã. A primeira, aprender a língua, e a segunda, aprender a cultura", conta o ex-jogador.

Um dos momentos em que o racismo assustou Paulo Sérgio foi quando ele trocou o Bayer Leverkusen pela Roma e, na chegada, ao lado de Cafu, viu pichações avisando que o clube era para os brancos.

"Nós chegamos na Itália e estava escrito no muro da Trigoria, 'Fora, Cafu, Fora, Paulo Sérgio. A Roma é só para brancos', e tivemos uma reunião com os torcedores da Roma e eles falando que tinham sido os torcedores da Lazio. E para mim foram dois anos maravilhosos que eu tive na Roma, com apoio total dos torcedores, no meu primeiro ano eu já renovei o contrato por mais dois anos, os dois primeiros anos fui artilheiro do time com o Totti, então essa questão de racismo eu não dou muita ênfase a isso e as minhas respostas sempre foram boas", conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.