Rayssamania: das crianças às rivais, todos se rendem ao fenômeno do skate

"Rayssa, Rayssa." Das crianças aos jornalistas, esse foi o nome mais ouvido nos dois dias de competição do SLS Super Crown em São Paulo. O fenômeno Rayssa Leal era perceptível em todos os cantos do Ginásio do Ibirapuera e mostrava o quanto a brasileira revolucionou o skate no Brasil.

Inspiração e exemplo

Calça caqui larga, regata preta justinha, tênis e boné. Essa poderia ser a descrição da roupa que Rayssa usou no domingo para disputar a final, mas na verdade era da Lara, de apenas 8 anos. A menina estava super contente após ter presenciado de perto a conquista da brasileira, que foi reverenciada pelas adversárias.

O pai, Rogério, contou que a filha passou a se interessar pelo skate por causa de Rayssa e hoje ele incentiva ela e os filhos a praticarem a modalidade. Eles, Luís e Renê, de 13 anos, também vieram ver a skatista, mas com o sonho de conhecer o tricampeão Nyjah Huston — que havia sido eliminado pelo campeão Giovanni Vianna, no sábado.

Assim como Lara, Helena, também de 8 anos, se interessou pelo skate quando conheceu Rayssa através de vídeos que viu no Instagram do pai. Ela foi ao Super Crown acompanhada da mãe, Bárbara, e realizou o sonho de muitas meninas: conseguiu um autógrafo da atleta em seu shape. A jovem está aprendendo a andar no skate, mas já tem um projeto: "ser skatista igual a Rayssa".

A pequena Helena com seu skate autografado por Rayssa Leal
A pequena Helena com seu skate autografado por Rayssa Leal Imagem: Júlia Castanha/UOL

Maria Luísa, 8, não teve a sorte de Helena. Ela levou um cartaz pedindo para brasileira assinar seu skate, mas a sessão de autógrafos já estava fechada quando ela chegou com o pai, Fabiano. Apesar disso, ela conseguiu ver de perto a conquista do título da Rayssa.

Fabiano vê a atleta de 15 anos como um bom exemplo para a filha: "É muito legal ver ela se espelhar em alguém que está desbravando. Ela é uma mulher, uma menina, no esporte".

Ela inspira todo mundo, ela é muito legal.
Valentina, 12 anos

Marina, mãe de Valentina, de 12 anos, também apoia a admiração da filha pela atleta: "É um aprendizado. Por mais que ela tenha caído algumas vezes, ela se levantou e fez o melhor dela. O que levou ela mais uma vez para ser campeã. E a vida é assim, a gente aprende com os erros". No domingo, ambas puderam acompanhar essa força da Rayssa e a conquista não só do título, mas do primeira nota 9 dela.

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Rayssa Leal atendendo criança durante SLS Super Crown
Rayssa Leal atendendo criança durante SLS Super Crown Imagem: Júlia Castanha/UOL

Entrevista e visibilidade

Esse fenômeno com a figura da Rayssa também foi perceptível na cobertura da imprensa durante o evento. A final feminina aconteceu entre 10h30 e 12h, com muitos repórteres de diferentes veículos. Após o título, a brasileira concedeu uma entrevista aos jornalistas — somente cinco perguntas foram permitidas — e aí foi um grande Jogos Vorazes.

Os jornalistas se aglomeraram no pequeno espaço reservado, câmeras, microfones e celulares, um em cima do outro. Todos querendo fazer perguntas e constantemente o "Rayssa, Rayssa" era dito em uma forma de tentar chamar a atenção dela.

Rayssa Leal em entrevista à imprensa após a conquista do título
Rayssa Leal em entrevista à imprensa após a conquista do título Imagem: Júlia Castanha/UOL

Ao final das cinco perguntas, a assessora já começou a tentar tirar a brasileira de lá, que gentilmente ainda respondeu mais três perguntas enquanto era tirada da zona mista.

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Situação totalmente diferente da entrevista concedida por Giovanni Vianna. Com metade dos repórteres apenas e com menos câmeras, todos entraram tranquilamente. E apesar da orientação da assessoria ser a mesma — cinco perguntas — o brasileiro respondeu todo mundo que quis, gravou vídeos e ainda posou para foto com o troféu. Tudo isso sem pressão e sem a disputa dos jornalistas.

Bandeira em homenagem à Rayssa Leal
Bandeira em homenagem à Rayssa Leal Imagem: Júlia Castanha/UOL

Interação do público

No sábado, Rayssa não era a única brasileira nas Eliminatórias. Apesar disso, o engajamento do público quando ela aparecia e competia era bem diferente do que Pâmela Rosa e Isabelly Avila receberam.

Diferente também do que os brasileiros do masculino tiveram — muitos desconhecidos pelo público, já que o favorito Kelvin Hoefler não participou devido a uma lesão.

Rayssa é sinônimo do skate brasileiro e assumiu esse posto merecidamente. Ela não é a única representante do Brasil na modalidade, mas é a que fez mais pessoas se interessarem pela modalidade. Em 2024 espera-se que novamente o país pare para vê-la conquistar uma medalha — dessa vez, dourada.

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