Breaking nas Olimpíadas divide opiniões entre praticantes: 'Estilo de vida'

O breaking fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Paris-2024. E a inclusão no programa olímpico divide opiniões entre os praticantes da modalidade.

Cultura da rua

No último fim de semana, o UOL acompanhou o torneio Undisputed Masters de break dance e conversou com pessoas que praticam a modalidade sobre a estreia nas Olimpíadas.

O receio de muitos é que a essência da rua que o breaking tem se perca nesse processo e ocorra uma elitização da modalidade.

O break dance é um dos quatro elementos do hip-hop, considerado um estilo de vida pelas pessoas do meio. Por isso, elas entendem que é importante preservar essa cultura. Os outros pilares são rap, grafite e DJ/MC (Mestre de Cerimônias).

"Nós temos os nossos valores, os nossos princípios, a nossa visão. É isso que nos sustenta, não é apenas o evento [Olimpíadas], uma pontualidade. Mas o nosso estilo de viver mesmo, nosso lifestyle", explicou Victoria Gato, esposa do Mestre de Cerimônias (MC) Uiu., do Undisputed.

Valorização do esporte

Por outro lado, pessoas ouvidas para a reportagem entendem que estar nas Olimpíadas vai valorizar o breaking.

"As pessoas que viam de uma maneira negativa o breaking vão passar a ver de uma forma positiva, porque está na grande mídia e está dentro do meio olímpico, que já é bem visto há muito tempo", explica o B-Boy Bugiu.

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Todos têm em mente, também, o fenômeno de reconhecimento que aconteceu com o skate após a entrada da modalidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. A expectativa é que aconteça algo semelhante com o break.

Seleção brasileira de breaking

Mayara Collins, conhecida como B-Girl Mini Japa, é um dos principais nomes da modalidade no país e afirmou que o intercâmbio que o break esportivo permite impede que a cultura se perca.

"Não tem como perder. A saída acontece, esse intercâmbio, esse conhecer pessoas continua acontecendo. Têm pessoas que eu nem conheceria se não fosse pelo break esportivo", explica ela.

A B-Girl participou dos Jogos Pan-Americanos, em Santiago, e contou que a ficha só caiu quando estava lá competindo. Ela chegou às quartas de final e agora o sonho é conquistar uma vaga em Paris-2024.

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