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'Brasil paralímpico é carisma, luta e inclusão', diz Verônica Hipólito

Verônica Hipólito, sensação das Paralimpíadas - Marcus Steinmeyer/UOL
Verônica Hipólito, sensação das Paralimpíadas Imagem: Marcus Steinmeyer/UOL

Rui Dantas

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/09/2021 04h00Atualizada em 07/09/2021 08h28

Sensação televisiva das Paralimpíadas, Verônica Hipólito acredita que elevou sua autoestima ao se tornar comentarista para o SporTV na edição Tóquio 2020. Feliz, apesar de não poder repetir o desempenho que teve na Rio-2016, em que, como paratleta, conquistou medalhas de prata e bronze, Verônica afirma que ainda não conseguiu dimensionar o quanto sua participação como comentarista foi significativa para ela. "Tenho conhecido muita gente legal. Senti que tenho voz. Saio desta experiência muito mais confiante e, admito, com vontade de voltar."

Com duas medalhas paralímpicas no currículo e diversas outras conquistas parapanamericanas, Verônica era tida como uma das grandes promessas para a edição de Tóquio-2020. No entanto, ela descobriu um tumor cerebral, contra o qual está lutando, que a impediu de participar da disputa deste ano. Apesar disso, sua moral não se alterou. E é essa energia (e felicidade contagiante) que explica boa parte de seu novo sucesso como comentarista. "O Brasil paralímpico é carisma, luta e inclusão. Somos uma potência [paralímpica]. Estamos no top 10 e batemos a quantidade de ouros obtidos no Rio de Janeiro", exulta a comentarista.

Verônica explica que uma das razões para a excelente fase que o esporte paralímpico brasileiro atravessa é a gestão. Em suas próprias palavras, "hoje o esporte paralímpico brasileiro tem um centro de treinamento que está entre os cinco melhores do mundo". Segundo a paratleta-comentarista, os dirigentes acompanham de perto a rotina e o desenvolvimento dos atletas. "O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, o vice-presidente, o secretário-geral e os coordenadores conhecem seus atletas. Eles sabem o que está acontecendo e os detalhes do dia a dia", relata.

Durante a cobertura, seus bordões, como "Solta o PIX" para comemorar o resultado positivo de algum paratleta, viraram memes nas redes sociais, o que demonstra a popularidade que esta edição alcançou. Verônica vibra com o sucesso dos Jogos mais uma vez. "O interesse pelos Jogos Paralímpicos é pelo esporte. Pelo menos é isso que quero pensar, que é pelo alto rendimento. Quando vemos uma cadeirante correr uma maratona em uma hora e quarenta minutos, por exemplo, começamos a pensar: 'Se ela é tão incrível na pista, por que não tem o espaço devido na calçada?'; 'Por que o cego que corre a quase 40 quilômetros por hora não consegue no dia a dia fazer muitas coisas?' A resposta é porque não têm inclusão. É uma grande reflexão. São histórias e sonhos muito legais de se acompanhar, e o público está constatando isso", afirma.

Prestes a se graduar em Economia, Verônica afirma que estará pronta para atuar em Paris-2024. Para isso, terá, mais uma vez, de batalhar como sempre fez na vida. "Sei que será muito difícil, pois assim que eu voltar para São Paulo precisarei passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor na cabeça. Mas sonho com essa douradinha e trabalho o tempo todo para isso."

Todo o Brasil estará torcendo por você, Verônica.

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