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"Era um relacionamento abusivo", diz Thayane sobre tenista Thiago Wild

Thayane Lima é biomédica e trabalhava como influencer digital quando conheceu Thiago - Reprodução/Instagram
Thayane Lima é biomédica e trabalhava como influencer digital quando conheceu Thiago Imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

30/08/2021 11h02

A influencer e biomédica Thayane Lima afirmou ter vivido um relacionamento abusivo com o tenista Thiago Wild, número 2 do Brasil e 119 do mundo. Em conversa com o UOL Esporte, a jovem detalhou o que passou ao lado do atleta até, segundo ela, descobrir várias traições no início do mês de agosto. Thayane relatou que está em tratamento psiquiátrico e psicológico desde a separação e que, com medo, pediu medida protetiva contra o atleta.

"Ele me fez excluir várias pessoas das minhas redes sociais, porque não gostava que eu falasse com homem. Ele me mandava apagar minhas 'fotos de piranha'. Depois que eu saí dessa relação que eu voltei para terapia e comecei a entender que sempre foi um relacionamento abusivo", disse Thayane.

"Quando estávamos juntos, o Thiago viajava para competições e o máximo que eu ia era em igreja, shopping e academia. Se eu ia em um restaurante com uma amiga, ele dava escândalo. Moro em frente à praia e, se eu fosse, ele dava escândalo. Eu não podia usar biquíni na praia, porque ele ficava incomodado. Ele reclamava das minhas roupas e controlava o que vestia. Fez eu parar de falar com meu melhor amigo, porque ele não gostava. Concordava com tudo isso de tanta pressão psicológica", acrescentou.

A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com a assessoria do tenista, mas ele e a família não quiseram se pronunciar até a publicação desta matéria.

Thiago Wild na Copa Davis contra a Austrália em 2020, em Adelaide - Getty Images - Getty Images
Thiago Wild na Copa Davis contra a Austrália em 2020, em Adelaide
Imagem: Getty Images

Quando conheceu Thiago, em 2020, Thayane trabalhava como influencer digital e fazia faculdade de biomedicina. Ela, inclusive, foi convidada para participar das seletivas da 20ª edição do Big Brother Brasil. Aos 21 anos, ela já conseguia se manter sem precisar do apoio dos pais e pagava o aluguel do apartamento em que morava na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Segundo a jovem de 22 anos, o tenista não gostava do seu trabalho como influencer digital. "Thiago implicava muito. Queria saber quanto iriam me pagar por cada projeto. Eu falava o valor e ele dizia que pagaria para eu não fazer o trabalho, porque dizia que a 'exposição causa abalo emocional'", disse Thayane.

"Comecei a parar de trabalhar como influencer porque cada trabalho que eu fazia era uma briga de três dias. Fui perdendo os contatos de pessoas que me ofereciam trabalhos e fiquei sem emprego", continuou a biomédica.

Ainda segundo Thayane, o jogador foi morar com ela em seu apartamento, mas queria ir para um local maior, afirmando que "dinheiro não era problema para ele". Antes de se mudarem para uma residência do agrado do atleta, o casal viveu com a família do tenista no Paraná. A jovem contou que os pais dele propuseram que ambos assinassem uma união estável com separação de bens e cláusula de fidelidade.

Como perdeu seus trabalhos como influencer digital, Thayane focou somente nos estudos e nos cuidados com a casa em que ela e Thiago foram morar no Rio de Janeiro. Segundo ela, o aluguel era quatro vezes mais caro do que ela pagava por sua antiga residência. "Ele pagou o último ano da minha faculdade, porque meu dinheiro acabou, já que ele não me permitia trabalhar. Thiago fala para todo mundo que pagou todo o curso e é mentira. Ele passou a controlar onde eu ia, com quem falava e a roupa que poderia usar".

No início de agosto, Thayane descobriu as traições de Thiago, foi quando sua vida virou um pesadelo. "Ele me disse que faria um exame, não quis me levar. Contratou quatro acompanhantes de luxo e, depois, conheceu uma garota e passou a noite com ela. Quando descobri, ele chorou e pediu perdão. E seguiu conversando com a menina", relatou Thayane.

A biomédica também disse que Thiago zombava dela e chegou a enviar fotos dela para os amigos com ele fazendo sinais de chifres. A reportagem do UOL teve acesso às conversas em que o tenista debochava de Thayane e falava sobre as traições.

"Contei para os pais dele tudo o que aconteceu e eles disseram que iam me dar apoio financeiro e emocional. Falei que não tinha mais trabalho, nem apartamento. Fiquei com vergonha de contar para os meus pais. Ficava me culpando, achando que estava feia e gorda ou que tinha feito algo errado para o Thiago ter ido procurar outras mulheres", disse.

Um dia, o jogador deixou o apartamento em que eles moravam para ir conversar com os seus pais e nunca mais voltou. A biomédica afirmou que passou oito dias sozinha e ninguém entrou em contato para saber qual era sua situação.

"Enquanto isso, oito dias depois que terminamos, Thiago foi para São Paulo curtir balada com a mesma menina com quem me traiu. Ele respostou publicações dela nas redes sociais. Ninguém sabia que a gente tinha terminado. Eu estava em casa, não tinha forças para comer", disse.

Os pais de Thayane, que moram em Belém (PA), perceberam que tinha algo errado e partiram para São Paulo para apoiar a filha. A família de Thiago entrou em contato com a biomédica para "resolver a parte burocrática" pelo tenista.

"Falaram que eu tinha que sair do apartamento e me ofereceram uma miséria de dinheiro. Eu trabalhava com Instagram e estou sem renda. Não vivia às custas dos meus pais, porque trabalhava desde os 17 anos. Os pais dele falaram que eu estava nessa situação por culpa minha, porque sempre soube que Thiago era mentiroso. Thiago cortou meu cartão e meu plano de saúde. Meus amigos, hoje, que estão me ajudando", contou Thayane.

"A família sabe que ele me deixou sem nada, mas não estão preocupados com isso ou com minha saúde mental. Eles só queriam fazer um acordo para não contar o que aconteceu, porque temem que eu estrague a imagem de 'tenista perfeito' que Thiago tem", relatou.

De acordo com a jovem, em uma das vezes que Thiago foi ao apartamento ao lado dos pais, ele ficou agressivo, chutou as portas e disse que a expulsaria da casa. Tudo na frente da família dele e da biomédica, inclusive da sobrinha dela de seis anos. A jovem ficou com medo e decidiu entrar com uma medida protetiva.

"Quem resolve as coisas pra ele é pai, mãe e advogado, que é o tio. Ele só quis se entender comigo quando pedi medida protetiva. A família dele coloca pressão para eu sair do apartamento e estão desesperados, com medo que eu fale o que vivi. Os pais dele sabem de tudo: que ele me obrigou a parar de trabalhar e eu fiquei sem nada", relatou.

"Eu não vou me calar mais. Eles me ofereceram um dinheiro que não compensa nada do que ele me causou. Ele me traiu e expôs ao ridículo. Ainda me expôs ao risco de pegar uma doença, porque não se protegeu quando me traiu. A gente terminou há mais de 20 dias e só decidi falar agora, porque não está dando mais. Sofri calada muito tempo. Mas tudo tem um limite", encerrou.

A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com a assessoria do tenista, mas ele e a família não quiseram se pronunciar até a publicação desta matéria.

Como denunciar a violência doméstica psicológica

Da mesma maneira que outros tipos de violência contra a mulher: em flagrantes de violência doméstica, ou seja, quando alguém está presenciando esse tipo de agressão, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. O Ligue 180 é o canal criado para mulheres que estão passando por situações de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e também no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita.

O Ligue 180 recebe denúncias, dá orientação de especialistas e encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. Também é possível acionar esse serviço pelo Whatsapp. Neste caso, o telefone é (61) 99656-5008.

Os crimes de violência doméstica podem ser registrados em qualquer delegacia, caso não haja uma Delegacia da Mulher próxima à vítima. Em casos de risco à vida da mulher ou de seus familiares, uma medida protetiva pode ser solicitada pelo delegado de polícia, no momento do registro de ocorrência, ou diretamente à Justiça pela vítima ou sua advogada.

A vítima também pode buscar apoio nos núcleos de Atendimento à Mulher nas Defensorias Públicas, Centros de Referência em Assistência Social, Centros de Referência de Assistência em Saúde ou nas Casas da Mulher Brasileira. A unidade mais próxima da vítima pode ser localizada no site do governo de cada estado.

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