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Osaka, Lewis e LeBron: antirracismo marca êxito de negros no fim de semana

Naomi Osaka na segunda rodada do US Open de 2020 com máscara lembrando Elijah McClain - Getty Images
Naomi Osaka na segunda rodada do US Open de 2020 com máscara lembrando Elijah McClain Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

14/09/2020 04h00

O fim de semana foi marcado pelo triunfo de atletas negros que, dentro e fora do esporte, desempenham um papel importantíssimo na luta antirracista. Naomi Osaka, Lewis Hamilton e Lebron James protagonizaram as vitórias dos últimos três dias.

Osaka conquistou pela segunda vez o US Open no sábado (12), com uma reação forte no segundo set. Aos 22 anos, ela derrotou a veterana Victoria Azarenka, de 31 anos, por 1/6, 6/3 e 6/3. É o terceiro triunfo de Osaka em um slam. Além do torneio nova-iorquino de 2018, ela também venceu o Australian Open de 2019.

Filha de mãe japonesa e pai haitiano, a tenista mora nos Estados Unidos desde os três anos de idade. Desde que começaram as manifestações contra o racismo no país, em maio, ela se posicionou. Neste US Open, criou sete máscaras em que foram estampados os nomes de cidadãos negros mortos por causa do racismo.

A cada partida, Naomi entrava em quadra com uma máscara diferente. Ela avançou até a final, participou de sete jogos e conseguiu homenagear as sete vítimas cujos nomes foram destacados nas máscaras. Quando indagada, após a decisão, sobre a mensagem que passou ao usar as sete peças, Osaka rebateu com outra pergunta: "Qual foi a mensagem que você recebeu? A pergunta é mais essa. O objetivo é fazer as pessoas falarem."

Antes do US Open, Naomi Osaka já havia se manifestado. Durante o WTA de Cincinnati, após se classificar para as semifinais, a atleta disse que não entraria em quadra para seu próximo duelo em protesto em apoio a Jacob Blake, cidadão negro que levou sete tiros nas costas disparados por um policial branco.

As autoridades do tênis entenderam o recado e se juntaram à manifestação. Naquele dia, uma quinta-feira, não houve jogos no torneio de Cincinnati. Nem na chave masculina nem na feminina.

LeBron vai bem e garante Lakers na final

LeBron James - Michael Reaves/Getty Images - Michael Reaves/Getty Images
LeBron James durante partida contra os Rockets no sábado (12)
Imagem: Michael Reaves/Getty Images

Naomi foi parabenizada por LeBron James, em uma mensagem no Instagram. O atleta compartilhou a foto da jovem vestindo uma das máscaras e elogiou: "Jovem rainha". LeBron também brilhou no sábado, ao reger a vitória primorosa dos Lakers sobre os Rockets por 119 a 96, e 4 a 1 na série.

A vitória marca o fim de um período de dez anos sem a presença dos Lakers em uma final de conferência. O protagonista da vitória foi King James, que trabalhou bem na defesa. O atleta é um dos rostos da luta antirracista no esporte. No dia da partida, chegou vestindo a camiseta em homenagem ao movimento "Black Lives Matter".

A atual geração da NBA tem demonstrado um forte engajamento quanto a questões sociais. E nenhum nome é tão forte quanto o de LeBron James, seja por suas habilidades em quadra ou pela imagem que construiu fora de quadra. O astro do Los Angeles Lakers, além de sempre se posicionar sobre racismo, política e sexismo em suas redes sociais, também participa ativamente de ações que visam a igualdade racial e social.

Em 2018, LeBron inaugurou a "I Promisse School", em Akron (Ohio), sua terra natal. A escola pretende atender mil alunos até 2022 do ensino básico ao médio. Além das aulas o colégio dá suporte acadêmico, profissional e emocional a alunos.

Recentemente, LeBron James criou a "More Than a Vote" ("Mais que um voto"). A campanha, que já conta com a participação de Patrick Mahomes, astro da NFL, visa incentivar os afro-americanos a votarem contra a supressão de eleitores nos EUA.

LeBron doou US$ 2,5 milhões para o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana dos EUA para apoiar a exposição "Muhammad Ali: uma força para a mudança". A apresentação mostra como o boxeador transcendeu o mundo do esporte e ajudou na luta por igualdade racial. Conheça todas as ações sociais do astro nesta reportagem.

Hamilton pede prisão a assassinos de Breonna Taylor

Lewis Hamilton usa camiseta em homenagem a Breonna Taylor no GP da Toscana - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Lewis Hamilton usa camiseta em homenagem a Breonna Taylor no GP da Toscana
Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

No domingo (13), quem brilhou foi Lewis Hamilton, que conquistou o GP da Toscana em uma prova bastante complicada e cheia de acidentes. Hamilton subiu no pódio vestindo uma camiseta com a frase "prendam os policiais que mataram Breonna Taylor" estampada na parte da frente.

Breonna, uma americana de 26 anos, foi morta a tiros por policiais do Departamento de Polícia Metropolitana de Louisville em 13 de março de 2020. Na parte de trás da camiseta do piloto, a mensagem era clara: "Diga seu nome".

Ao deixar o carro —exausto—, Hamilton apontou para o capacete, em que estava colado um adesivo com os dizeres "Black Lives Matter". O atleta é o único negro a atuar na Fórmula 1. Depois da vitória de domingo, o inglês fica a uma corrida de bater o recorde de Michael Schumacher. São 90 glórias.

Dentro da Fórmula 1, um esporte de elite, Hamilton fez mudanças: os carros da Mercedes, originalmente prateados, estão pretos por pressão dele —em homenagem ao movimento Black Lives Matter. Ele protagonizou inúmeras manifestações antirracistas dentro do esporte até o momento. Em julho, após vencer o GP da Estíria, ergueu um dos punhos no pódio. O punho cerrado é um gesto que representa a resistência à opressão, e tem sido repetido por movimentos de esquerda e antifascistas ao longo do último século.

"Nós estamos juntos. Hoje, a equipe ficou de joelhos, e foi incrível ver que podemos aprender e abrir nossas mentes juntos sobre o que está acontecendo no mundo. Obrigado a todos na minha equipe e a você [torcedor]. Eu agradeço por todo o seu apoio e suas mensagens positivas", escreveu o piloto no Twitter, à época.

*Com informações do blog Saque e Voleio

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, Jacob Blake não morreu. Ele está vivo. O erro foi corrigido.

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