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Em litígio com clubes, Turner coloca renovação de Champions como prioridade

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

01/07/2020 04h00

Vivendo um litígio com os clubes brasileiros por causa do contrato do Campeonato Brasileiro, a Turner não pretende desistir de transmitir torneios de futebol no Brasil. No entanto, a programadora colocou como prioridade renovar os direitos de transmissão da Uefa Champions League. O atual ciclo será finalizado na temporada 2020/2021, e a licitação ocorrera no primeiro semestre do ano que vem.

A reportagem do UOL Esporte apurou que a Turner Latin América, divisão da programadora dos Estados Unidos para a América do Sul, vê a Champions como o seu principal chamariz no mercado brasileiro em todos os aspectos. A audiência e faturamento da competição na TNT coloca o torneio como o principal produto da empresa no Brasil.

Diferente do Campeonato Brasileiro, que demanda altos custos de produção e uma relação com os clubes considerada desgastante, a Champions é mais barata de se fazer, pelas imagens já virem prontas da Europa, e tem um retorno maior na parte publicitária. A competição, por exemplo, tem todas as suas cotas de publicidade vendidas pela Turner, o que não é caso do Brasileirão em 2019, por exemplo.

A Turner aposta no bom trabalho realizado nos últimos cinco anos. A programadora criou o conceito de correspondentes na Europa para acompanhar o dia a dia dos clubes europeus que estão envolvidos na Champions, o que antes não se tinha na televisão brasileira. O número de transmissões in loco também cresceu bastante com o torneio nas mãos da programadora.

Mas executivos da programadora sabem que renovar a Champions não será fácil. A Globo monitora a situação, mas a grande concorrente na visão da Turner será o Grupo Disney, que agora é dona da ESPN e do Fox Sports. A Disney tem interesse no retorno da Champions, que foi exibida pela ESPN Brasil por mais de 20 anos na TV paga.

Enquanto espera a licitação da Champions, a Turner tenta resolver definitivamente sua situação com os clubes brasileiros. Com contrato com a maioria deles até 2024, a programadora suspendeu os pagamentos de cotas de transmissão em maio e não deu uma previsão da retomada desses valores aos clubes - Palmeiras, Santos, Ceará, Fortaleza, Internacional, Athletico, Coritiba e Bahia.

Já os clubes têm mais uma reunião marcada com a Turner para conversar sobre o contrato do Brasileirão nos próximos dias. Será a conversa derradeira sobre o assunto. Caso uma solução não seja encontrada, a Turner deverá ir à Justiça contra os oito clubes em uma corte privada.

O grupo de times que possuem contrato ativo com a Turner, inclusive, se reuniram ontem (30) com Jair Bolsonaro e explicaram os problemas com a Turner para o presidente, além de dar apoio a nova medida provisória que muda os direitos de transmissão no Brasil. Para esses clubes, a programadora já deixou claro que não pretende investir mais no futebol brasileiro.

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