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Brasil vira sobre russas, faz 3 a 1 e está na semifinal do vôlei feminino

Felipe Pereira

Do UOL, em Tóquio

04/08/2021 11h49

Pelas quartas de final do torneio feminino de vôlei das Olimpíadas de Tóquio, o Brasil encarou a Rússia e venceu por 3 sets a 1, com parciais de 23/25, 25/21, 25/19 e 25/22. Assim, a seleção brasileira continua invicta e avança para a semifinal, quando enfrentará a Coreia do Sul, que eliminou a Turquia.

Na saída da partida contra o Quênia, a última pela fase de grupos, o treinador José Roberto Guimarães já avisava que, para vencer as russas, era preciso fazer elas se mexerem em quadra. Ele explicava que quando as atletas tinham liberdade para se posicionarem, elas faziam prevalecer a força do ataque.

O técnico ressaltava que era preciso sacar bem e ajustar a defesa. Zé Roberto afirmou que o sistema defensivo era a parte que o time brasileiro mais tinha espaço para evoluir. Ele também acrescentou que, apesar de se classificar em quarto no grupo, as russas vinham numa crescente e eram adversárias perigosas.

E o treinador brasileiro tinha muita razão. Após um primeiro set de domínio russo, em que elas estiveram na frente o tempo todo e atacaram com mais facilidade, o Brasil passou a forçar o saque e quebrar o passe russo a partir da segunda parcial, dificultando o jogo das adversárias e assumindo as rédeas do jogo nos três sets seguintes para conseguir a virada e vencer por 3 sets a 1. Macris e Rosamaria, que saíram do banco, foram peças decisivas para o grande triunfo.

Semifinais definidas

Jogadoras do Brasil comemoram a vitória sobre o Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino - Julio César Guimarães/COB - Julio César Guimarães/COB
Jogadoras do Brasil comemoram a vitória sobre o Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino
Imagem: Julio César Guimarães/COB

O duelo entre Brasil e Rússia foi o último das quartas de final e definiu os confrontos das semifinais da competição. Agora, a seleção brasileira enfrenta a Coreia do Sul, que superou a Turquia por 3 sets a 2.

Do outro lado da chave, a Sérvia venceu a Itália por 3 sets a 0 e avançou para encarar os Estados Unidos, que superou a República Dominicana também por 3 sets a 0.

O jogo

Carol Gattaz ataca para o Brasil diante do bloqueio do Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino - Julio César Guimarães/COB - Julio César Guimarães/COB
Carol Gattaz ataca para o Brasil diante do bloqueio do Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino
Imagem: Julio César Guimarães/COB

As russas dominaram o início do primeiro set de forma completa, marcando 4 a 0 logo de cara em ótima passagem da jovem Fedorovtseva, de 17 anos, no saque. Com a boa vantagem construída, as russas souberam administrar o placar e, apesar de bons momentos do Brasil, que chegou a cortar a diferença para apenas um ponto, a parcial não ficou empatada em momento algum. No fim, Goncharova cresceu no ataque e fez a diferença com seus sete pontos para as russas fecharem o set em 25 a 23. Fê Garay, com seis pontos, brilhou do lado brasileiro.

O segundo set começou mais equilibrado, mas logo as russas abriram vantagem e chegaram a ficar seis pontos na frente, quando fizeram 15 a 9. Zé Roberto Guimarães promoveu as entradas de Macris e Rosamaria nos lugares de Roberta e Tandara e o jogo mudou. Com uma sequência de 7 a 1, o Brasil empatou a parcial em 16 pontos e logo virou, deslanchando na reta final para fazer 25 a 21 e empatar o jogo em 1 set a 1. Gabi foi a maior pontuadora, com seis pontos.

No terceiro set, as brasileiras começaram mais ligadas e abriram vantagem logo no início, fazendo 12 a 7, mostrando um grande volume de jogo e aproveitando os contra-ataques. Na frente o tempo todo, a seleção brasileira segurou a reação russa, que chegou a encostar no placar no meio da parcial e deslanchou no fim para fazer 25 a 19. Carol Gattaz fez nove pontos e foi determinante para o Brasil vencer a parcial, que contou com brilho de Vonkorova do lado das russas.

O equilíbrio ditou o tom do último set, que seguiu empatado até o terço final. No fim, o bloqueio brasileiro fez a diferença para que a seleção abrisse uma vantagem e fechasse o jogo em 25 a 22 com dois pontos seguidos de Rosamaria no fim.

"Acho que as palavras que resumem são trabalho em grupo. Se não fosse a força do grupo, nada seria possível. Quando uma precisou sair, a outra entrou. Todo mundo fazendo o melhor, dando tudo de si, e isso que faz a diferença. Todo mundo jogando em grupo, com essa energia e buscando melhorar", declarou à TV Globo a levantadora Macris, que retornou hoje após se recuperar de uma entorse no tornozelo.

Técnico russo "pistola"

O técnico da Rússia, Sérgio Busato, foi uma "atração à parte" no jogo, se mostrando irritado muitas vezes. Em vários momentos ele contestou lances com a arbitragem, solicitou revisões e chegou até mesmo a iniciar um pequeno bate-boca com o treinador brasileiro José Roberto Guimarães.

Campanha até as quartas

Jogadoras do Brasil comemoram ponto sobre o Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino - Julio César Guimarães/COB - Julio César Guimarães/COB
Jogadoras do Brasil comemoram ponto sobre o Comitê Olímpico Russo no vôlei feminino
Imagem: Julio César Guimarães/COB

O Brasil passou pela primeira fase de forma invicta e perdeu apenas um ponto dos 15 possíveis - na vitória por 3 sets a 2 sobre a República Dominicana -, ficando em primeiro lugar no Grupo A.

A Rússia, por sua vez, teve mais dificuldade no Grupo B, que foi mais equilibrado no geral. A equipe venceu três de seus cinco jogos e marcou 9 pontos, ficando na quarta colocação da chave, que teve os EUA como líder, com 10 pontos.

Teve até 'torcida'

Brasil contou com torcida formada por atletas: nadadora Ana Marcela esteve presente (cabelo verde) - Julio César Guimarães/COB - Julio César Guimarães/COB
Brasil contou com torcida formada por atletas: nadadora Ana Marcela esteve presente (cabelo verde)
Imagem: Julio César Guimarães/COB

Clássico do vôlei feminino mundial, Brasil e Rússia atraiu tanta gente ao ginásio que parecia haver torcida. Dezenas de integrantes de comissões técnicas do Time Brasil foram ver a partida e tinha até bandeira. Entre os presentes estava a nadadora Ana Marcela Cunha, que conquistou a medalha de ouro na maratona aquática.

Mesmo países não envolvidos com a partida deram as caras. Três membros do estafe do Sudão comentavam as jogadas e falaram, pelo menos na frente da reportagem brasileira, que torciam para o time de Zé Roberto.