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Queimaduras quase tiraram Alison Piu, medalhista de bronze, do atletismo

Amanda Romanelli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/08/2021 12h00Atualizada em 03/08/2021 04h37

Medalhista de bronze da prova dos 400 metros com barreiras nas Olimpíadas de Tóquio, o brasileiro Alison dos Santos era um menino extremamente tímido, por causa das queimaduras decorrentes de um acidente doméstico ocorrido quando ele era um bebê. Assim, ele não atendeu ao primeiro convite para conhecer o projeto social de atletismo da sua cidade natal, São Joaquim da Barra, no interior paulista. "Ele era muito tímido, tinha vergonha de ir sozinho", lembra Ana Fidélis, primeira treinadora de Alison.

Quando Alison tinha apenas 10 meses, uma panela de óleo quente caiu sobre ele. O acidente causou queimaduras de terceiro grau, e Alison comemorou seu aniversário de um ano ainda internado no Hospital do Câncer de Barretos. Por muito tempo, Alison só usava boné, com o objetivo de esconder as cicatrizes que marcam até hoje seu corpo, sendo as mais visíveis na parte superior da cabeça e em parte da testa, áreas em que perdeu os cabelos. Parte da pele do rosto, do lado direito, também é mais escura por causa da queimadura.

O barreirista olímpico foi descoberto em uma visita de professores do projeto social do Instituto Edson Luciano Ribeiro a escolas da cidade. Alison já fazia judô, mas impressionou pelo porte físico: aos 14 anos, ele já media 1,85 m — hoje, aos 21, tem 2,00 m de altura. "No dia em que foram na escola dele e viram o Alison, magrelo, sentado, negro e de boné, falaram: vai conhecer o atletismo, você tem que cara de quem gosta de esporte", lembra Ana, que não estava presente nessa visita. "Fizeram o convite, mas ele não apareceu."

Meses depois, o convite a Alison foi refeito. E aí ele venceu a timidez, mas muito porque um amigo, Alexandre Inocêncio, já estava treinando atletismo. "Mas ele era tão tímido por causa da queimadura, que só ia de boné. Ele morria de vergonha." Tanto que, em sua primeira competição, no Centro Olímpico de São Paulo, ele correu com uma touca amarela, emprestada por um colega de equipe.