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Torcedor tenta colocar Botafogo entre os seis melhores do mundo no remo

O brasileiro Lucas Verthein, na primeira perna da eliminatória do skiff individual masculino - Piroschka Van De Wouw/Reuters
O brasileiro Lucas Verthein, na primeira perna da eliminatória do skiff individual masculino Imagem: Piroschka Van De Wouw/Reuters

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Tóquio

28/07/2021 14h00

O Botafogo de Futebol e Regatas é um clube nascido para a prática de dois esportes, como diz seu nome. Em um, a fase não é nada boa. A equipe masculina de futebol está na Série B, e ocupa apenas a 11ª colocação. Já o remo vive o melhor momento de sua história. Nesta quinta-feira (28), pode ter um atleta entre os seis melhores dos Jogos Olímpicos pela primeira vez.

O responsável por buscar esse feito é Lucas Verthein, de apenas 23 anos, atleta e torcedor do Botafogo, desses que estava sempre no Estádio Nilton Santos e que raramente perde um jogo da equipe. Ontem (28), ele só não assistiu à vitória por 2 a 0 sobre o CSA, disputada terça à noite no Brasil, porque a dedicação total, aqui em Tóquio, é à semifinal olímpica que será disputada às 23h de Brasília.

A ansiedade é grande. Registrado no sistema dos Jogos como "Luca", ele passou como terceiro na sua bateria eliminatória na sexta (23), ainda antes da cerimônia de abertura, e depois foi segundo em sua bateria de quartas de final no domingo (25). Mas, por causa do tufão que era esperado para a região de Tóquio, a competição foi adiada, toda a programação foi refeita, e ele só volta à raia hoje.

A prova tem uma importância que o torcedor do Botafogo conhece bem. É chamada oficialmente de "semifinal A/B". Quem vencer vai para a final A. Os demais vão para a final B. É como um jogo valendo acesso, ou rebaixamento. No caso de Lucas, vale uma página a mais na história que ele já construiu nos Jogos.

Nunca um brasileiro havia chegado à semifinal olímpica no single skiff, a prova raiz do remo, disputada por barcos de uma pessoa, com a certeza de que vai terminar os Jogos entre os 12 primeiros. Anderson Nocetti foi 13º em Sydney-2000 e Atenas-2004 e depois foi a mais duas Olimpíadas. No Rio o Brasil não teve representantes.

Lucas é um dos frutos do trabalho de Paulo Vinicius Alves de Souza, que está em sua segunda passagem pelo clube, e, de 2010 para cá, revelou nomes como Uncas Teles (bicampeão mundial sub-23) e o próprio Lucas, que foi medalhista júnior no Mundial de 2016.

Apesar desses feitos da base, no adulto o país vinha perdendo protagonismo até no continente sul-americano. Quem vê de fora culpa a rivalidade entre os grandes clubes do Rio, que colocam como prioridade as várias etapas do Campeonato Estadual, tratado pejorativamente como Campeonato Mundial do Rio de Janeiro.

Mas são esses clubes, especialmente Flamengo (atualmente com mais investimentos financeiros), Botafogo e Vasco da Gama que colocam dinheiro na modalidade, mantêm atletas em suas folhas salariais, e acabam por pautar as prioridades do remo do país.

Mesmo assim, não há conforto. Lucas dá seus pulos para sobreviver. Montou, com um amigo, uma pequena loja de conserto de eletrônicos, onde ele cuida da administração e do atendimento ao público e o amigo efetivamente faz os consertos. Além disso, ajuda a mãe, que vive de vender quitutes, fazendo parte das entregas. Começa a treinar antes do sol nascer e, ainda assim, sobra tempo para estudar.

Apesar de todas as adversidades, a expectativa é alta pelo resultado em Tóquio. Se repetir o melhor tempo da sua carreira — que precisa ser visto em perspectiva, já que no remo o fator vento impacta bastante nos tempos —, tem condições de ser finalista e até brigar por medalhas.

Errata: o texto foi atualizado
O Botafogo caiu da Série A para a Série B na temporada 2020. O erro foi corrigido.