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Troca no horário da natação altera rotina e gera incômodo em atletas

Mudança no horário das finais não agradou nadadores - Satiro Sodré/CBDA
Mudança no horário das finais não agradou nadadores Imagem: Satiro Sodré/CBDA

Beatriz Cesarini e Thiago Braga

Do UOL, em Tóquio e São Paulo

26/07/2021 12h00

Uma mudança pouco perceptível para torcedores tem sido bastante sentida pelos nadadores brasileiros que estão disputando as Olimpíadas de Tóquio-2020. Usualmente, a natação tem as provas eliminatórias pela manhã e finais realizadas à noite com base no fuso horário da cidade-sede. Para esta edição dos Jogos Olímpicos, teríamos, no Brasil, as eliminatórias pela noite e as finais, na parte da manhã.

Porém para Tóquio-2020 houve uma mudança de horário. A primeira janela de provas é a partir das 7h (Brasília) até as 9h, aproximadamente, quando são realizadas as eliminatórias. Na segunda janela, a partir das 22h30 e até as 00h30, são disputadas as semifinais e finais. O mesmo já tinha acontecido nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

A mudança atende um pedido da emissora americana NBC, principal parceira do Comitê Olímpico Internacional para transmissão das Olimpíadas. A ideia é passar as finais da natação, um dos esportes nobres dos Jogos e no qual os americanos têm domínio quase absoluto, no horário nobre dos Estados Unidos. Se fosse mantida a programação regular, as decisões seriam realizadas pela manhã para o público americano.

"Infelizmente, mudou bastante essa questão de ter as eliminatórias à noite e as semifinais de manhã. Mas se muda para mim, muda para todo mundo. Acho que as eliminatórias terminaram muito tarde. Tive de fazer tudo correndo para estar no meu quarto à meia-noite. Então, dormi até 7h30, e acho que isso não foi suficiente para eu estar recuperado e ter uma boa performance hoje pela manhã aqui. Mas eu sabia que isso ia acontecer, estava preparado para isso. Só não esperava um resultado abaixo do meu esperado", desabafou Felipe Lima, após não conseguir classificação para a final dos 100m peito.

Nas eliminatórias, à noite no Japão, Lima fez o melhor tempo da carreira ao marcar 59s17. Na semifinal, completou em 59s80.

Outro brasileiro que se mostrou desconfortável com a alteração foi Guilherme Guido. "A gente viu pelo histórico do primeiro dia que os tempos pioraram um pouco para entrar na final. Então teria que ir na contramão de todo mundo: eles piorarem e eu melhorar. Eu piorei um pouco, eles também pioraram, mas não foi o suficiente para eu entrar na final", disse o atleta, ponderando que, assim como ele, os outros atletas também sentiram os impactos das mudanças.

Guido ficou em oitavo na semifinal dos 100m costas. Com o tempo de 53s80, ele não passou para a final da prova.

"Tem aquele acúmulo de uma prova atrás da outra. O tempo de descanso é um pouquinho pequeno", disse Fernando Scheffer após se classificar para a final dos 200m livre.

Por trás da troca de horário da natação está o poder da NBC. A emissora americana paga US$ 7,65 bilhões para transmitir as Olimpíadas nos Estados Unidos. Nos Jogos de Inverno de Pyeongchang, a NBC chegou a transmitir as provas gravadas no horário nobre, mas obteve a menor média de audiência desde o início da medição no território americano, em 1988.

Mas nem todo mundo criticou a troca no horário da natação. "Acredito que não atrapalhou. Até porque a gente sabia que seria esse esquema faz uns anos. A gente se adaptou super bem, fizemos tudo dentro do previsto, conseguimos descansar, dormir, dentro do possível, fizemos a nossa rotina para agora de manhã", resumiu o nadador Breno Correia, que nadou a final do revezamento 4x100m livre, prova na qual o Brasil ficou na última posição entre os finalistas.