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Eleição no Corinthians: Número de mulheres no Conselho pode aumentar

24/11/2020 08h00

É cada vez maior o debate sobre a presença da mulher em ambientes predominantemente masculinos e o futebol não foge disso, nem mesmo as eleições nos clubes, historicamente dominadas por homens. No Corinthians, isso parece mudar gradativamente e no pleito do próximo sábado, os sócios podem votar para aumentar a representatividade feminina no Conselho.

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Além de eleger um novo presidente, os associados votarão para eleger as chamadas "chapinhas", que irão ocupar as cadeiras trienais do Conselho Deliberativo. Ao todo, são 19 "chapinhas" com 25 membros cada uma, concorrendo a oito vagas, outras duas serão suplentes. Dentre esses grupos políticos, há muitas mulheres tentando entrar na política do clube.

Uma delas é a atual vice-presidente do Timão, Edna Murad, que também faz parte da Chapa 18 "Aqui é Corinthians". O grupo tem cinco mulheres entre os membros, ou seja, é aquele que mais tem a presença feminina entre os concorrentes. No momento, o Conselho conta com 11 mulheres, sendo oito trienais e três vitalícias. Para a dirigente corintiana, o baixo número tem a ver com a questão do título familiar, cujo titular acaba sendo o homem.

- No Conselho hoje são só 11 mulheres, então o número é muito reduzido pela quantidade de mulheres que nós temos frequentando o clube. Por outro lado, as mulheres têm que começar a fazer o título em seus próprios nomes. As mulheres são independentes, trabalham, então por que não o título familiar não ficar nos nomes das mulheres? Porque quem vota é o titular do título, estou sendo redundante, mas é o titular - disse Edna antes de completar:

- Então por que não as mulheres não se tornarem titulares dos seus títulos? Isso é importante e é essa a nossa dificuldade, de ter mulheres para representar, para serem candidatas, porque tem que ser o titular, não importa se é homem ou mulher. Então, para essa representatividade ser maior, as mulheres têm que ser titulares nos títulos, aquelas que gostam da política, querem votar, têm que se tornar as titulares.

Quem também falou ao LANCE! foi Alcina Beres, da Chapa 23 "Resgata Corinthians", que é a segunda com mais mulheres entre os membros. Ao todo, são quatro que buscam um lugar no Conselho Deliberativo para o mandato de 2021-2023. A Juíza Federal concorda com Edna Murad e diz que pretende propor uma alteração no estatuto do clube para facilitar a representatividade feminina em todos os ambientes políticos e sociais do Corinthians.

- A representatividade no Conselho esbarra, é diminuta, não pela falta de vontade em participar, mas por imposições estatutárias, pois apenas 10% das mulheres que vivem o clube são sócias titulares, a maioria integra o chamado título familiar e, assim, apenas o pai ou marido têm poder de voto e legitimidade para candidatar-se - argumentou Alcina antes de complementar:

- O clube não pode viver, ainda, a figura mitológica da Hidra, um corpo e duas cabeças, que retira a força feminina do Conselho. Mudar o estatuto seria a primeira via para esse quadro ser outro.

Somando as 19 "chapinhas", são 475 candidatos a uma vaga no Conselho Deliberativo, sendo 29 mulheres, apenas 6% do total, um número ainda muito baixo levando em conta que, por exemplo, o público feminino na Neo Química Arena já é maior do que o masculino em dia de jogos, segundo dados do clube, e elas são presença constante no dia a dia da sede social corintiana.

Mesmo com um número ainda bem pequeno de representantes femininas no órgão, a chance é grande de aumentar o percentual de mulheres no próximo triênio. Se pelo menos essas duas chapas (que totalizam nove mulheres) citadas acima forem eleitas no próximo sábado, já haverá mais conselheiras trienais do que o mandato atual, que possui oito membros do sexo feminino.

- O Conselho precisa da presença feminina, porque a mulher hoje está presente em todas as áreas. Você pega as empresas, as mulheres estão chefiando, estão trabalhando em condições de capacidade igual aos homens. E também temos o nosso futebol feminino, que é um time de recordes, é um time vitorioso, é um time que está representando muito bem o futebol brasileiro, são supercampeãs, empenhadas, dedicadas, têm meta, têm foco. Essa representatividade feminina tem que estar no Conselho também. Nós temos mulheres advogadas, pessoas comuns, atletas etc. Isso tem que estar representado no Conselho Deliberativo também - afirmou Edna Murad.

- Inegável a importância da mulher na vida do Corinthians, cada vez mais presente nos estádios, necessário trazer sua visão mais pragmática para o Conselho, pois despida de interesses dos grupos internos do clube, a corintiana vive o clube pela relação de pura paixão, nada além - concluiu Alcina Beres.

Confira as representantes femininas em cada "chapinha" concorrente:

01 - Sócio em 1º Lugar (1)

Maria Angela de Sousa Campos

10 - Renovação E Transparência (1)

Iris Maria Sesso

11 - Fiéis Escudeiros (0)

Nenhuma

12 - Corinthians Supremo (0)

Nenhuma

15 - Tradição Corinthiana (1)

Rosmelia Hernandes Blanco

18 - Aqui É Corinthians (5)

Edna Murad Hadlik

Simone Cecilia Rosa

Soraya Cristina Andrijic Assaluer

Monick Avelino Perez

Maria de Lourdes Jacob Mattavo

20 - Lealdade Corinthiana (0)

Nenhuma

21 - Liberdade Corinthiana (1)

Susy Miranda Sanchez

22 - Preto no Branco (3)

Denise Lais Lopes

Simone Martins dos Anjos

Yule Pedrozo Bisetto

23 - Resgata Corinthians (4)

Alcina Maria Fonseca Beres

Karina Costa Carvalho

Magali Pereira Kawahara

Maria Tereza do Amaral

25 - Mosqueteiros (3)

Ana Hortencia dos Santos

Cacilda Guariglia

Nanci Lopes Lazaro

30 - Corinthians Mais Forte (2)

Carla de Cássia Baldoni

Regiane da Silva Martins Pupo

33 - Corinthians Com Respeito (0)

Nenhuma

54 - Só Corinthians (3)

Ana Paula da Silva

Edila Sthefanni Ganam Ferreira

Leonor Maria Martins de Macedo

76 - Invasão 76 (1)

Wanda Aparecida Garcia La Selva Cardoso

77 - São Jorge 77 (1)

Renata Ribeiro Rainone

82 - Reconstruir (1)

Ana Lúcia Tomé Orfão

83 - Valores Corinthianos (1)

Mirella Havir Ramacciotti

90 - Oficial 90 (1)

Ana Paula de Souza Alves Costa

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