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Ao L!, gestor do Londrina fala sobre desabafo em maio à má fase: 'Quis mexer com os brios dos atletas'

17/10/2019 07h50

A irritação com a situação do Londrina na Série B causou uma reação intempestiva de Sergio Malucelli. Ao se pronunciar após a derrota por 2 a 1 para o Operário-PR, no sábado passado, em pleno Estádio do Café, o gestor do clube disparou.

- Eu não culpo os jogadores. Culpo a mim mesmo por ter contratado estas porcarias - disse, em entrevista coletiva sobre a equipe que, atualmente, está na décima-sexta colocação, com 32 pontos (a dois do Vila Nova, primeiro time no Z4).

Ao LANCE!, o empresário da SM Sports e gestor do clube faz um balanço da caminhada do Tubarão até o momento na competição, pede mais brio ao elenco e diz que os cartolas precisam mudar de conduta em meio a crises.

- Há uma cultura de culparem só os treinadores. Mas os jogadores aqui recebem salário em dia e têm de ser cobrados da mesma forma. Precisam mostrar ao menos empenho, que era o que estava faltando para nós - afirmou.

LANCE!: Após o Londrina ter perdido para o Operário-PR, no fim de semana, você fez uma dura crítica ao pedir desculpas por "contratar este monte de porcarias". O que pesou para este forte desabafo?

Sergio Malucelli: O Londrina vem rendendo vem abaixo do que a gente esperava. Convencionou-se demitir treinador em meio à má fase, mas quem decide em campo são os jogadores. Eles não podem ser só astros. Tentei "mexer" com o brio do grupo, para que parassem de ficar apáticos.

L!: Pesou na sua irritação o fato da equipe ter perdido em casa para um rival local?

A derrota ser para o Operário não teve a ver com esta questão. O problema é que enfrentamos um time cheio de reservas, mais fraco que nós. Mesmo assim, o Londrina mal chegava ao ataque! Perdia as divididas, não mostrava poder de reação. Isto é duro, porque a gente dá condições, dá do bom e do melhor para os jogadores e os resultados não vêm nesta Série B.

L!: No dia seguinte ao jogo, o Londrina anunciou a saída de três jogadores. Eles estavam na lista do grupo que você definiu como "porcarias"?

Na verdade, não. Dois atletas não vinham jogando (os zagueiros Diogo Silva e Wallace Acioli). O Juninho (lateral-esquerdo campeão da Copa do Brasil de 2012 e da Série B pelo Palmeiras) teve algumas oportunidades. Mas, quando o rendimento não é satisfatório, não adianta insistir com o atleta. A melhor opção foi mesmo liberá-los.

As campanhas anteriores do time na Série B foram bem marcantes. O que fez a diferença negativamente nesta temporada?

Sim, tivemos campanhas nas quais brigamos até o fim pelo G4 da Série B (na edição de 2016, a equipe ficou no sexto lugar, em 2017, terminou a competição na quinta colocação e, no ano passado, o Tubarão foi oitavo). Nosso início na atual competição foi promissor (com 16 pontos obtidos em 24 disputados). Mas caímos muito depois da parada da Copa América. Não foi porque negociamos Rômulo e Anderson Oliveira, que eram titulares. Acho que o Alemão (treinador da equipe até 21 de agosto) perdeu o grupo neste período.

Depois, vocês depositaram as fichas no retorno do Cláudio Tencati, que era marcado por um longo trabalho bem-sucedido no clube. A que atribui o insucesso nesta nova passagem?

Somos muito gratos ao Tencati, por tudo o que ele fez (Cláudio Tencati comandou a equipe entre 2011 e 2017, ostentando o posto de treinador mais longevo do país, com seis anos e sete meses). Obtivemos dois acessos, conquistou um estadual e uma Primeira Liga sob seu comando. Mas foi inevitável brigar com os resultados atuais. Nesta passagem dele, a equipe teve sete derrotas em oito partidas. Por mais que não gostemos de mudar de comando a toda hora, não dava para eu trocar vários jogadores de uma vez.

O que tem achado do trabalho do Mazola Júnior?

É um bom técnico. Tem se empenhado ao máximo para o time reagir. Estou confiante no trabalho dele.

Como o fantasma do rebaixamento tem afetado vocês?

Lutamos muito para que Londrina evoluísse, e sabemos como é o contraste. Se cairmos, perderemos uma forte ajuda financeira. Teremos que montar a equipe com quase zero de investimento. Vimos o exemplo do Luverdense (que caiu para a Série C em 2017 e, neste ano, amargou a queda para a Série D). Além disto, na Série B não há premiação para quem fica entre o quinto e o décimo-sexto lugar. Mas agora, nos resta só lutar para permanecer na Segundona.

Após a bronca pública, como está seu ambiente com o elenco?

Eles sabem que é necessária esta cobrança. Independentemente de o jogador ganhar muito ou pouco, quero que eles tenham raça. Porque nós damos do bom e do melhor.

O vínculo do Londrina com a SM Sports durará até o fim de 2020. Você pretende renovar?

Não, já são quase dez anos assim. Foi muito cansativo pegar o Londrina do zero, lidar com pressões de torcida, subir o clube, o entra e sai de jogadores de acordo com os técnicos.

Que legado você pretende deixar para o Tubarão?

Desde 2013, o Londrina tem lucrado com o que repassamos para eles. O clube terá condições de se sustentar por um bom tempo. Cabe ao novo gestor seguir o trabalho. O modelo de clube-empresa, que é como gerimos aqui, é o ideal para o futebol nacional, até para garantir que dirigentes não deixando dívidas para seus sucessores.

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