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Jovens e estudiosos, Abel e Sylvinho se enfrentam pela primeira vez no Derby deste sábado

redacao@gazetaesportiva.com (Redação)

12/06/2021 07h00

Neste sábado, Palmeiras e Corinthians se enfrentam às 19h, no Allianz Parque, em partida válida pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O clássico marca o primeiro encontro entre Abel Ferreira e Sylvinho, jovens e estudiosos treinadores, que vivem diferentes estágios em seus clubes.

(Arte: Gazeta Esportiva)

Após a demissão de Vanderlei Luxemburgo, em outubro do ano passado, a diretoria do Palmeiras voltou a sua atenção para Miguel Ángel Ramírez, à época no Independiente del Valle. Após a negativa do treinador, o clube ainda sondou outros nomes até chegar em Abel Ferreira, que estava no PAOK, da Grécia.

O técnico ainda não tinha nenhum título em seu currículo, mas chamou a atenção pelos sólidos times que havia armado em sua breve carreira. Detendo a licença PRO da Uefa, fez trabalho de destaque pelo Braga, de Portugal, antes de rumar à Grécia.

Em pouco tempo à frente do Verdão, Abel já deixou claro que seu principal intuito era formar uma equipe competitiva, não necessariamente ofensiva. Apostando em uma defesa compacta e em transições rápidas ao recuperar a bola, o técnico deu uma nova cara ao Palmeiras.

Em quatro meses de Palmeiras, o treinador conduziu a equipe às conquistas da Libertadores e da Copa do Brasil, derrotando Santos e Grêmio nas decisões, respectivamente. Mesmo com um início espetacular, no entanto, o português passou a ser cobrado após uma série de resultados decepcionantes na atual temporada.

Em pouco tempo, o Verdão perdeu três decisões que disputou. O time foi batido por Flamengo, Defensa y Justicia e São Paulo na Supercopa do Brasil, na Recopa Sul-Americana e no Campeonato Paulista, respectivamente. Antes de estrear no Brasileirão, em jogo contra o Rubro-Negro, Abel deu uma breve e franca entrevista no Maracanã. Perguntado sobre a pressão sofridas nas últimas semanas, o treinador não escondeu a gratidão que nutre pelo clube palestrino e pelo futebol brasileiro, mas foi direto ao falar sobre as cobranças.

"Estarei eternamente grato ao futebol brasileiro e ao jogador brasileiro. Aos meus jogadores, de forma muito específica. Mais específico ainda, ao Palmeiras. Mais específico ainda, ao Galiotte, que apostou em um treinador sem títulos. Felizmente, estou à espera de ser demitido, porque ainda não fui", afirmou Abel ao SporTV.

"Ainda hoje, minha filha mais nova faz dez anos e faz a primeira comunhão, e estou do outro lado do Atlântico, a pagar um preço para continuar a triunfar. Tudo o que vem de fora nos ajuda e nos fortalece, sou eternamente grato ao futebol brasileiro", completou.

Sempre com vestimentas esportivas fornecidas pelo Palmeiras, Abel, aos 42 anos, é enérgico à beira do campo e reclama com frequência da arbitragem. Desde que chegou ao Brasil, o técnico foi expulso contra o Ceará, pela Copa do Brasil, e contra o Flamengo, pela Supercopa do Brasil.

Assim como Abel Ferreira, Sylvinho deixou a família em Portugal para se aventurar como técnico no Brasil.

Da residência em Porto, o ex-lateral esquerdo voltou à rotina no clube que o lançou para o futebol profissional, em 1994, depois de anos de dedicação no famoso "Terrão".

A vitoriosa carreira como atleta, com passagens por Arsenal, Celta, Barcelona e Manchester City, além do próprio Timão, foi emendada em experiências como auxiliar de comissões técnicas.

O italiano Roberto Mancini, o espanhol Pep Guardiona e o brasileiro Tite são as maiores inspirações. Profissionais com quem Sylvinho tirou lições de perto, no dia-a-dia.

Fora a vida nos clubes, Sylvinho também teve a oportunidade de estar na comissão técnica da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2018.

Todo o empenho prático sempre esteve aliado aos estudos. Sylvinho, aos 47 anos, detém as maiores graduações do futebol mundial. As Licenças A, B e PRO da UEFA.

Entre as preferências futebolísticas, Sylvinho é assumidamente fã de um sistema defensivo com linha de quatro, meio-campo sólido e sustentação física.

Ele também gosta de times que façam marcação alta, que dificultem a saída do adversário no campo de ataque, mas precisou de dois jogos para perceber que essa ainda é uma estratégia audaciosa demais para o atual elenco corintiano, e se adequou.

Ao contrário de Abel Ferreira, Sylvinho prefere que sua equipe seja incisiva, porém, "na bola certa", e evite "trocação com o adversário". O risco, muitas vezes, é invertido por uma posse de bola mais controlada.

Agitado, inquieto, detalhista e perfeccionista. Este é Sylvinho no Centro de Treinamento, onde ele aplica trabalhos por períodos curtos, mas com alta cobrança por intensidade e concentração. A beira do campo, nos jogos, a postura é mais ponderada e elegante.

Há pouco mais de duas semanas no cargo, Sylvinho vai para o seu primeiro Derby, ciente de que o resultado moldará o ambiente e o cenário para a sequência do trabalho.

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