Mano se diz frustrado com empate e dá 'fórmula' para Corinthians evitar Z4

O técnico Mano Menezes não gostou do empate do Corinthians contra o América-MG, hoje (22), em Itaquera, pelo Brasileirão. O treinador compartilhou do sentimento de frustração por parte da torcida, mas deu a 'fórmula' para o Timão evitar entrar no Z4: pontuar em todas as rodadas.

Penso que temos potencial para entregar mais e melhor em um curto espaço de tempo. Ao conseguir fazer isso, penso que pontuando em todas as rodadas, não vamos estar na condição que o torcedor teme. Eu imagino uma reta final de jogos muito parelhos, com raras exceções, como hoje teve uma de um placar mais elástico [Inter e Santos]. Temos que nos preparar para isso. Penso como o torcedor, saímos frustrados porque nós colocamos como o objetivo vencer hoje, construir uma vitória. Quando você não consegue fazer, tem que ter maturidade para pontuar fora em um jogo difícil [Cuiabá], pelas circunstâncias do calor e do time que vamos enfrentar, mas temos que recuperar esses pontos que deixamos aqui. Mano Menezes, em entrevista coletiva

O que mais ele disse?

Jogo ruim depois de 1° tempo bom contra o Flu: "Apesar de serem jogos completamente diferentes, colocamos tudo na mesma caixa de análise. No Rio, encontramos um time que ia propor jogo, que dá mais espaço, e esse de hoje enfrentamos um time que não dava 10 metros além da linha da defesa. As dificuldades que tivemos foi porque não aproveitamos o bom início que tivemos. Na ânsia de querer fazer o gol, nos projetamos à frente com jogadores que não eram para se projetar, tomamos cinco contra-ataques e tomamos um gol em um desses. Críamos uma dificuldade maior em um jogo que já ia ser difícil. Tivemos as dificuldades, tentamos encontrar outras maneiras, coloquei dois atacantes para tentar segurar a bola na frente, disputar, que não é a característica do Yuri Alberto, é do Felipe e foi assim que fomos buscando o empate. Martelamos e achamos esse gol no final para amenizar o resultado jogo, embora a gente não amenize o jogo, que foi abaixo do que devíamos ter apresentado".

Desafios no Corinthians: "Eu penso que as duas coisas estão interligadas [melhorar defesa e armação]. Quando você constrói bem, você está bem organizado de tal forma no campo que, quando você perde a bola, a equipe está próxima. É isso que vimos em alguns momentos, mas concordo que o time tem oscilado ainda. Não senti essa falta de organização só depois que sofremos o gol, penso que sofremos o gol por isso porque abrimos o meio de campo, ficamos longe. É um pouco de ansiedade, de querer fazer o gol, de ficar logo na frente. Perdemos um gol bem cedo com essa característica de armação e talvez pensamos que aquilo era o que deveríamos fazer e nos precipitamos. Não é uma desorganização por falta de querer fazer o certo. É por tentar encontrar soluções que não sejam ainda tão trabalhadas, tão corretas. É seguir nesse caminho que vamos chegar lá".

Corinthians diferente de outras passagens: "A vida de técnico é essa mesmo. Passei situações semelhantes em outros lugares. Assumi o Cruzeiro em uma delas muito próximo do Z4 e na outra dentro dele. É como surfar com ondas muito altas. Tem que ter maturidade, passar tranquilidade para os jogadores. O comandante tem essa missão para minimizar a situação momentânea e não deixar que ela interfira no rendimento da equipe dentro de campo".

Erros simples e peso da camisa: "Vestir a camisa do Corinthians não é fácil. É uma camisa pesada. Quando se vive esses momentos de pressão pela colocação na tabela, isso piora um pouco. A minha missão aqui é dar a tranquilidade para que eles passem sem ter queda de produção técnica. Isso é uma coisa óbvia e eles sabem que conseguem fazer, por isso que tentam fazer. Depois, você erra, a situação do jogo se colocou muito para isso, o adversário bem postado atrás, nós tendo que empatar e tentar virar o jogo, então você precipita um pouco as coisas, a tomada de decisão piora um pouquinho, mas vamos conseguir resolver isso".

O que já evoluiu e o que precisa melhorar: "Nossa equipe é técnica, tem jogadores técnicos. Quando uma equipe tem a sua base de jogadores técnicos, ela tem que se impor tecnicamente porque ela não é uma equipe de muita briga pela bola, a bola precisa estar com o time mais tempo. Temos trabalhado isso, já saímos jogando de trás com segurança, isso piorou de novo no segundo tempo. Quero que a equipe seja mais estável em campo e que transmita segurança porque essa segurança faz os jogadores crescerem individualmente. Tenho certeza que eles têm capacidade para fazer mais".

Insistência em cruzamentos: "Quando o jogo fica no estágio que ficou hoje, é muito provável que você busque uma solução mais simplista: cruzar a bola na área. Penso que erramos no primeiro tempo algumas situações em que foi o gesto técnico que não foi bom. A bola não passou do primeiro marcador, corrigimos, melhoramos no intervalo, falamos sobre o posicionamento, mas as variações das jogadas, as movimentações ofensivas que você encontra quando um time está postado mais normal em campo do que estava o América, mais adiantado, você encontra esses espaços com mais frequências. Quando uma equipe está muito baixa, os espaços são menores e, na ânsia de resolver os problemas, você simplifica. Sempre é o caminho mais difícil".

Laterais: "Acho que Fagner já está retomando um pouco daquilo que foi. Estava voltando de um período longo, já achei o jogo dele num geral hoje o melhor que foi feito desde que eu cheguei. O Fábio Santos não tinha condições de fazer 90 minutos, era um risco muito grande de perdermos ele. Coloquei o Bidu sabendo que podíamos ter uma boa passagem no ataque. A nossa saída de bola seria mais natural por ali. Acho que não funcionou bem no primeiro tempo, não conseguimos entregar isso no jogo e, como são jogadores jovens, começam a perder um pouco da tranquilidade, a pressão de um ou dois erros técnicos, então trouxemos a experiência do Fábio para a segunda parte. Esses jogadores [mais experientes], mesmos sob pressão, conseguem entregar um jogo melhor".

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Matías Rojas: "Já dirigi um número bastante grande de jogadores estrangeiros recém-chegados. É normal uma dificuldade inicial para adaptação, nosso trabalho é diferente, nossa frequência de jogos é diferente e estamos trabalhando para ambientar ele o mais rápido possível. Hoje, trouxemos ele no segundo tempo, mais para dentro, achei que ele se encontrou melhor e vai ter que retomar essa confiança, vamos adaptar ele o mais rápido possível para que ele possa render e ajudar a equipe".

Declaração de Fausto Vera sobre Luxemburgo: "Não concordo porque sempre respeito o trabalho dos outros. Não adianta nada eu ficar aqui e achando desculpas olhando para trás. Eu tenho que olhar para frente. Vou fazer tudo o que pudermos para que entreguemos um jogo tecnicamente melhor. O time já disputa mais, já briga mais, mas precisamos ter soluções de construções de jogada quando pegamos um adversário que joga com linha baixa, que são coisas necessárias para ganharmos o jogo e não torná-lo tão dramático como tornamos na noite de hoje".

Fagner em nova posição: "Jogadores como ele têm uma cultura tática bem desenvolvida, são acostumados a jogar em outros lugares. Ele sempre jogou ali, talvez poderia fazer uma função de volante ou na segunda linha de ataque, como o Palmeiras faz com o Mayke, mas sempre é o pior momento para fazer alguma inovação. É um momento de instabilidade, se o treinador começa a inovar demais, vocês vão chamar ele de Professor Pardal logo e as coisas não vão funcionar bem. Não vou fazer isso nesse momento".

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