Jair Ventura nega que Santos quase caiu com Rodrygo, Gabi e BH: 'Fake news'

Peça-chave da arrancada do Atlético-GO na Série B, o técnico Jair Ventura negou em entrevista ao De Primeira uma "fake news" de que o Santos quase foi rebaixado no Brasileirão sob o seu comando quando tinha Rodrygo, Bruno Henrique e Gabigol no ataque.

'Fiquei 40 jogos no Santos e não tive o Bruno Henrique': "Tem uma fake news gigante nessa situação do Santos, e fake news vira verdade quando você não fala. Primeiro, eu perdi o Bruno Henrique no Santos com seis minutos de jogo na minha estreia; eu fiquei no Santos 7 meses, 40 jogos e eu não tive o Bruno Henrique. Ele tomou uma bolada no olho na minha estreia contra o Linense, numa vitória de 3 a 0, com seis minutos de jogo, e só voltou no meu penúltimo jogo. A gente ganha do Fluminense no Rio, empata com a Chapecoense e eu fui demitido classificado em tudo — nas oitavas da Libertadores e quartas de final da Copa do Brasil. Então, eu não usei o Bruno Henrique".

Rodrygo, Bruno Henrique e Gabigol no ataque?: "O Rodyrgo era um menino de 16 anos, fico feliz que ele tenha sido vendido na nossa gestão por apenas 42 milhões de euros, ele fez seu primeiro jogo como profissional com a gente, fez seu primeiro gol como titular com a gente e foi vendido nesse ano durante a nossa gestão. Então, é bom que eu possa negar essa fake news que a gente quase rebaixou o Santos com esses jogadores. E tinha o Gabriel que vinha de um ano sem jogar na Europa, fez um ou dois jogos lá em Portugal, estava sem jogar e ainda estava recuperando a forma. Mas, mesmo assim, virou essa fake news que a gente tinha todos esses jogadores, quando na verdade o Bruno Henrique a gente perdeu e, com certeza, com ele o time seria ainda mais forte".

Passagem pelo Santos e arrancada no Atlético-GO rumo à Série A

Jair Ventura ficou entre 3 de janeiro e 27 de julho de 2018 no Santos e teve aproveitamento de 44%. Em 39 jogos no cargo, somou 14 vitórias, 10 empates e 15 derrotas.

Ele deixou o Peixe na 13ª rodada do Brasileirão com 15 pontos, na 15ª colocação, duas acima do Z-4. Além do baixo aproveitamento, pesou para a demissão de Jair à época a alegada falta do "DNA ofensivo" santista.

Sob o comando de Jair Ventura, o Atlético-GO lidera o returno da Série B, teve uma ascensão meteórica na tabela e subiu à 3ª posição, no G-4. O time tem 56 pontos, empatado com o vice-líder Sport, e enfrenta o lanterna ABC em casa na próxima rodada.

Na entrevista ao De Primeira, Jair Ventura elogiou a estrutura do Atlético-GO e a qualidade do elenco, negou que tenha o tal "DNA defensivo" e falou sobre a crise técnica na seleção brasileira — onde seu pai, Jairzinho, brilhou como o "Furacão da Copa" de 70.

Confira outros trechos da entrevista com Jair Ventura, técnico do Atlético-GO

'A gente vai buscar esse acesso'

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"Vai ser uma injustiça com tudo isso que a gente tem aqui, a qualidade do elenco, a estrutura que nos é oferecida a gente não subir, mas essa Série B é a mais equilibrada dos últimos anos, os números mostram isso. A gente tem 10 times na briga para subir e agora estamos mais vivos do que nunca, fico feliz pelo trabalho realizado até agora, a gente tem o melhor ataque, a melhor defesa do returno, o time que mais troca passes na área do adversário, o artilheiro da competição e o segundo em posse de bola. Quando eu falo daquela situação que eu jogo de acordo com o que tenho no elenco isso fica bem claro. Eu poderia estar fazendo um jogo reativo aqui, tem treinadores que tem meio para jogar de maneira propositiva e não faz, então fico feliz que, além dos resultados, que é o mais importante, são 9 vitórias em 13 jogos, praticamente 75% de aproveitamento, um jogo propositivo, bonito, quem está acompanhando com certeza gosta de ver nosso time jogar. E o mais importante, conseguir o resultado, porque não adianta você ter isso tudo e não ter o resultado. Fico feliz e para coroar, lógico, tem que ter o acesso. A gente respeita todos os adversários, mas a gente vai buscar esse acesso."

Origem das dancinhas na hora do gol

"Estou próximo a completar 300 jogos como treinador e tenho duas danças, então não é muito recorrente. Eu fui atleta profissional até os 26 anos, um operário da bola e eu fui atacante, muito inteligente, querendo a mesma posição do meu pai, e aí vieram as cobranças. Nas comemorações dos poucos gols que eu tive, antes dos jogos a gente ensaiava a comemoração, mas isso aí não, é espontâneo mesmo, em nenhum momento a gente pensa o que vai fazer na hora do gol, aí é uma alegria de um trabalho que está sendo muito bem feito, a entrega dos atletas que é fantástica e a entrada no G-4. O jogo estava difícil, jogar com a Ponte é sempre muito difícil e ali praticamente a gente mata o jogo. Foi aquele, 'ufa, deixa eu comemorar um pouquinho que estamos no G-4', mas nunca em situação de menosprezar os adversários, jamais é essa minha intenção. Foram uns saltinhos, os atletas vem comemorar comigo e acabo saltitando ali, comemorando esse G-4 momentâneo."

Rótulo de retranqueiro

"A gente bota rótulo nas pessoas, mas uma coisa que eu tenho certeza é que o que as pessoas pensam de mim não me definem. Eu sei o meu tamanho, sei o que posso fazer. Meu grande trabalho, meu primeiro trabalho, 2016/2017, 99 jogos no Botafogo, era um time reativo, então eu não posso falar que eu não fiz isso. Eu tive um trabalho reativo, é verdade, foi aquele trabalho que me projetou para o cenário nacional, mas era um Botafogo sem SAF, que vinha de uma Série B em 2015, que assumimos na zona de rebaixamento e era o que a gente podia fazer naquele momento. A gente deu uma arrancada no returno muito parecida com aqui, eu assumo o Botafogo, a gente estava no Z-4 e a gente terminou classificado para a pré-Libertadores em 5º lugar. Depois, foi um ano maravilhoso em 2017, semifinalista de Copa do Brasil, quarta de final da Libertadores, sendo um time reativo, essa é a verdade. Quem só acompanhou aquele trabalho, pode pensar 'ah, ele só faz isso', mas depois eu vou para o Santos, a gente disputa uma Libertadores, classifica em 1º lugar, só que com um modelo de jogo totalmente diferente — a gente jogava com quatro atacantes, tinha 77% de média de posse de bola e alcançamos o mesmo objetivo, porque eu tinha atletas para aquilo. É o que eu venho fazendo hoje, eu tenho atletas para fazer esse jogo que a gente faz, para ter o melhor ataque, o time que mais troca passes na área, para ter o artilheiro da competição, então eu sou esse treinador que vou ser o que me derem como característica. Se eu chego num clube e não tenho jogador para fazer, eu não vou fazer: eu boto sempre a instituição na frente do Jair. Tem companheiros que fazem um modelo de jogo independente se vão ter resultado ou não, eu quero alcançar. Nos últimos três anos, eu peguei três times na zona de rebaixamento e os três ficaram na Série A, Sport, Juventude e Goiás. E agora peguei um time que quer subir, espero concretizar esse acesso para ser o treinador que entregue ao clube o que ele quer, não que bote o modelo de jogo dele da instituição. É isso que eu penso de futebol."

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