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Prisão onde está Dani Alves tem estupradores, assassinos e crise na gestão

Do UOL, em São Paulo

20/01/2023 17h29

Acusado de agressão sexual, o lateral Daniel Alves ficará na penitenciária de Brians 1, em Barcelona, na Espanha, depois de ter tido sua prisão provisória decretada sem direito à fiança.

Brians 1 conta com:

  • 172 celas individuais e 625 espaços compartilhados;
  • Centro esportivo, biblioteca e salas de treinamento;
  • 61.562,17 m² de área construída.

O Brians 1 foi construído em 1991 e recebia apenas detentos homens. A partir de 1993, passou a abrigar também mulheres.

Há um módulo para abrigar pessoas com problemas de saúde mental. De acordo com o "El Periódico", 50% dos presos do local têm algum tipo de distúrbio.

O Brians 1 abriga alguns presos por casos que ficaram famosos na Espanha:

  • Pedro Jiménez (condenado por estupro, roubo e morte de dois policiais);
  • Rosa Peral (condenada por assassinato de um guarda urbano);
  • Juan Francisco López (condenado por estuprar e matar uma menina de 13 anos).

O complexo foi alvo de denúncias de má gestão nos últimos anos. Um ex-diretor da Brians que atuou no local entre 2008 e 2017 foi denunciado por um sindicato de funcionários penitenciários, enquanto outro precisou explicar o suicídio de um dos detentos.

Vista da área da Brians 1, penitenciária onde Daniel Alves está em Barcelona - Divulgação/gencat - Divulgação/gencat
Vista da área da Brians 1, penitenciária onde Daniel Alves está em Barcelona
Imagem: Divulgação/gencat

Complexo já abrigou ex-presidente do Barça

O complexo Brians, que é dividido entre Brians 1 e Brians 2, passou a ser conhecido como a "prisão dos famosos". A segunda unidade foi criada em 2007 para desafogar o número de presos do complexo mais antigo.

Mais moderno, o local já teve Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, como "morador" entre 2017 e 2019.

O dirigente, que comandou o Barça no início da última década, foi preso acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele teria participado de irregularidades nas negociações de direitos de amistosos da seleção brasileira quando Ricardo Teixeira presidia a CBF.

Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, passou quase dois anos no local - Albert Gea/Reuters - Albert Gea/Reuters
Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, passou quase dois anos no local
Imagem: Albert Gea/Reuters

    O caso Daniel Alves

    Daniel Alves em ação pelo Pumas durante o torneio apertura no estádio Jalisco - Ulises Ruiz / AFP - Ulises Ruiz / AFP
    Imagem: Ulises Ruiz / AFP

    O jogador brasileiro está preso preventivamente e sem direito a fiança após decisão da juíza espanhola Maria Concepción Canton Martín

    Ele é acusado de agressão sexual a uma mulher em uma boate em Barcelona. O episódio teria ocorrido no fim do ano passado

    O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público espanhol e reforçado pela defesa da vítima.

    Daniel Alves chegou ao local algemado e esperou o resultado do julgamento em uma cela com outros detidos.

    A versão do jogador

    Em seu depoimento, Dani Alves negou as acusações. Ele confirmou que estava na discoteca Sutton na fatídica noite, mas afirmou não ter cometido nenhum tipo de agressão.

    O depoimento seguiu a mesma linha da primeira vez que Daniel falou sobre o ocorrido, em entrevista ao programa espanhol 'Y ahora Sonsoles'.

    "Sim, eu estava naquele lugar, com mais gente, curtindo. E quem me conhece sabe que eu amo dançar. Eu estava dançando e curtindo sem invadir o espaço dos outros. Eu não sei quem é essa senhora. Nunca invadi um espaço. Como vou fazer isso com uma mulher ou uma menina? Não, por Deus."

    Como denunciar violência sexual

    Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

    Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

    Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.