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Árbitro afastado no Brasil foi VAR em gol anulado na eliminação do River

Rafael Traci durante o jogo entre River e Vélez pela Libertadores - Reprodução
Rafael Traci durante o jogo entre River e Vélez pela Libertadores Imagem: Reprodução

Igor Siqueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/07/2022 13h09

Classificação e Jogos

Nas escalas das competições nacionais, não aparece o nome de Rafael Traci desde o dia 19 de junho. Na ocasião, ele foi o VAR de um conturbado Internacional x Botafogo, que teve uma marcação de pênalti considerada equivocada. Mas mesmo afastado no território da CBF, Traci estava em ação ontem (6), no segundo confronto entre River Plate e Vélez pelas oitavas de final da Libertadores.

No âmbito nacional, Traci está no chamado Programa de Assistência ao Desempenho de Arbitragem (Pada), implementado por Wilson Seneme, que chegou à presidência da comissão de arbitragem da CBF em abril. Ele não quer chamar de "geladeira" ou "freezer". Sem estipular prazo, a ideia de Seneme é reconduzir Traci de volta à ativa aos poucos e não colocá-lo de cara nos jogos mais importantes da rodada do Brasileirão ou da Copa do Brasil.

Mas isso não envolve a Conmebol. Tanto que a comissão de arbitragem sul-americana colocou o paranaense de 40 anos no confronto entre argentinos.

A atuação dele no jogo mais recente da Libertadores chamou atenção por causa da anulação de um gol do River Plate, que acabou eliminado. Traci insistiu com o árbitro de campo, Roberto Tobar, que inicialmente não tinha visto a bola resvalar no braço do atacante argentino Matías Suárez antes de entrar. O árbitro só se convenceu após cerca de cinco minutos de revisão. E até chamou o bandeirinha para ver no monitor. À imprensa argentina, ele confidenciou que não tinha segurança em anular o gol, inicialmente.

"No momento, senti que era importante outra apreciação de um integrante dos meus companheiros de campo", escreveu Tobar ao jornalista Mariano Closs, da ESPN argentina.

Mérito da questão à parte — a bola toca mesmo no braço e chega a mudar de direção —, a escalação do brasileiro é um exemplo de como pode haver uma desconexão entre o que se passa em território nacional e no exterior.

As escalas dizem respeito à preferência da comissão correspondente. Se o dirigente entende que o árbitro em questão está em condições, ele entra na escala.

Por regra, quando é a Conmebol que pune determinado árbitro, não há abrangência para os campeonatos locais. E vice-versa. O afastamento conjunto depende da percepção da figura que monta a escala. Hoje, quem comanda a arbitragem sul-americana é o paraguaio Enrique Cáceres, que já fazia parte da comissão quando o presidente era o próprio Wilson Seneme e foi o escolhido para substituí-lo após o convite da CBF.

No começo do ano, um gancho internacional foi estendido pela CBF para as competições nacionais. Ele envolveu os assistentes Rodrigo Figueiredo e Fabrício Vilarinho, que esqueceram as bandeirinhas no hotel e improvisaram coletes no Chile x Argentina pelas Eliminatórias. Mas aí veio outra amostra de como as punições aos árbitros não são universais: eles foram usados pelas federações de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul nos respectivos estaduais.

Sobre Traci, especificamente, o afastamento se deu em conjunto com Sávio Pereira Sampaio, após uma chamada que rendeu pênalti contra o Botafogo e a expulsão do zagueiro Philipe Sampaio. Em tese, como parte do Pada, Traci será avaliado em cinco áreas — técnica, física, médica, psicológica e nutricional — antes de voltar a ser escalado em competições da CBF.

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