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Disputa entre jogadores dos grandes de SP e sindicato vira caso de polícia

Rinaldo Martorelli, presidente do sindicato dos atletas profissionais de São Paulo - Fabio Giannelli/Soccer Digital
Rinaldo Martorelli, presidente do sindicato dos atletas profissionais de São Paulo Imagem: Fabio Giannelli/Soccer Digital

Thiago Braga

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/05/2022 04h00

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A Polícia de São Paulo instaurou inquérito para apurar a existência de crime de calúnia e difamação que possam ter sido cometidos por alguns jogadores dos grandes times de São Paulo contra o presidente do Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo (Sapesp), Rinaldo Martorelli. Entre os jogadores investigados estão Cássio, Fagner e Jô, do Corinthians; Luan, Miranda e Tiago Volpi, do São Paulo; e Deyverson e Kuscevic, do Palmeiras. Ao todo, são 19 atletas indicados no inquérito.

"Consta das informações apresentadas, em apertada síntese, que o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo tomou conhecimento que diversos jogadores de futebol assinaram procurações para um escritório de advocacia para cuidar de seus interesses e depois descobriu-se que ingressou com ação trabalhista em desfavor do Sindicato, afirmando que obriga os atletas a pagarem uma taxa de 10% a 15% sugerindo que isso provoca desvio de dinheiro dos atletas, entre outros crimes, como apropriação indébita, extorsão, furto", escreveu o delegado Reinaldo Vicente Castello, em 10 de março deste ano.

A origem da briga está em um processo ajuizado por mais de 200 jogadores contra o sindicato paulista no ano passado. Na ação, os atletas pedem, entre outras coisas, que o Sapesp apresente a prestação de contas da entidade, que sejam feitas uma auditoria e uma perícia para analisar as movimentações financeiras do sindicato.

No inquérito, ao qual o UOL Esporte teve acesso, a defesa do Sapesp alega que os jogadores em questão forneceram "informações que o sindicato, por meio de seu presidente e diretores, praticaram crimes de apropriação indébita, improbidade administrativa, furto, extorsão, estelionato, violação de direito autoral, atentado à liberdade de associação e frustração de direito trabalhista".

Para justificar a instauração do inquérito, a defesa da entidade explica que os envolvidos no processo trabalhista - jogadores, advogados e interessados -, continuam divulgando informações do processo por meio do WhatsApp e do Instagram.

A Polícia Civil inclusive já começou a fazer diligências para apurar os fatos. No fim do mês passado, jogadores de São Paulo e Palmeiras foram chamados a depor, mas a data do depoimento teve de ser reagendada, já que ambos os clubes tinham compromisso pelas competições continentais.

Segundo apurou a reportagem, os atletas que propuseram a ação trabalhista estão revoltados com a postura do sindicato e de Martorelli. Na visão dos jogadores, a estratégia da entidade foi no sentido de tentar intimidar e coagir quem acusa Sapesp e Martorelli na Justiça do Trabalho.

Chamado a intervir e emitir parecer no imbróglio trabalhista, o Ministério Público do Trabalho, opinou pela "pela determinação de prestação de contas, no prazo de 90 dias, limitada aos 5 últimos anos, dos direitos a que o Juízo acatar a competência. Deverá a documentação incluir demonstração do patrimônio do sindicato, recebimentos e pagamentos feitos a todos os títulos. Após, cabível a designação de perito contábil para apreciação e resposta a quesitos", escreveu a procuradora do Trabalho Renata Coelho, em 20 de janeiro deste ano.

Procurados pela reportagem, Rinaldo Martorelli e o Sapesp não se manifestaram até o fechamento desta matéria. Assim que o fizerem, o texto será atualizado.

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