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Como o conflito na Ucrânia impacta no mercado da bola do Inter

Yuri Alberto foi negociado pelo Inter com o Zenit, da Rússia, e o pagamento é encarado com ressalvas - Divulgação/Zenit
Yuri Alberto foi negociado pelo Inter com o Zenit, da Rússia, e o pagamento é encarado com ressalvas Imagem: Divulgação/Zenit

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

06/03/2022 04h00

Um primeiro impacto já aconteceu e mais está por vir. O conflito na Ucrânia, que está sob invasão da Rússia, chegou ao Beira-Rio e afeta o mercado da bola do Internacional. Tudo por conta da maior venda da história do Colorado: a ida de Yuri Alberto ao Zenit.

O primeiro reflexo da guerra nos gabinetes vermelhos foi o cancelamento da negociação por Marrony. O atacante de 23 anos teria os direitos econômicos comprados pelo Colorado por aproximadamente 4 milhões de euros (R$ 22,2 milhões). Porém, boa parte da quantia seria oriunda do pagamento do clube russo por Yuri Alberto.

Yuri teve saída oficializada no fim de janeiro. A negociação movimentou 25 milhões de euros (R$ 139,2 milhões na cotação atual).

A direção do Inter optou por recuar temendo que a equipe de São Petersburgo não conseguisse cumprir com os prazos de pagamento estipulados em contrato na venda dos direitos do centroavante. Boa parte do valor já foi recebido, mas ainda há parcelas para serem quitadas ao longo de 2022. Se o Zenit atrasasse alguma, o Inter não conseguiria pagar o Midtjylland, da Dinamarca, por Marrony.

Alertado pelos departamentos jurídico e financeiro, Alessandro Barcellos, presidente do Colorado, optou por não seguir com a negociação. Paulo Bracks, executivo de futebol, comunicou ao estafe do atleta o cancelamento do acordo. Marrony já tinha até passagem reservada para o Brasil.

As sanções impostas aos russos em razão da guerra com a Ucrânia podem impactar diretamente no planejamento do Inter. Atrás de mais dois atacantes e um zagueiro, o Colorado já não conta com o recebimento do valor restante por Yuri dentro do prazo.

Se antes podia abrir negociações de compra, como fez também por Diego Rossi, emprestado pelo LAFC ao Fenerbahçe com obrigação de compra, e Villa, do Boca Juniors, agora só tentará atletas por empréstimo e que demandem investimento menor.

Um caminho alternativo a ser explorado são negócios de troca, modelo que levou Patrick ao São Paulo no início do ano e é visto como viável. Os argumentos são a necessidade de mudar o plantel atual e a valorização de jogadores há tempos no estádio Beira-Rio.

Não à toa, a diretoria desligou Paulo Bracks e sondou Alexandre Mattos, atualmente no Athletico-PR. O plano é ter um executivo de futebol com maior agilidade para concluir negociação.

Atletas que deixam a Ucrânia analisados

Ao mesmo tempo, o Inter está atento a outro reflexo do conflito em seu mercado. Os jogadores brasileiros que deixaram a Ucrânia para escapar do conflito podem ser liberados por seus clubes em períodos de empréstimo. O Inter observa vários casos e já entrou em contato com alguns empresários para saber das condições dos jogadores. O principal alvo é Vitinho, que passou pelo Athletico.

No entanto, ainda que tenha questionado agentes, o Colorado não avançou para qualquer tipo de negociação. É consenso no Beira-Rio que ainda não é o melhor para buscar contato com dirigentes ucranianos, considerando o drama vivido no país.

Outro fator que pesa neste contexto é a falta de certeza sobre o futuro do futebol ucraniano. O campeonato está suspenso, mas o Inter quer mais informações sobre os próximos passos que precisam ser oficializadas pela Uefa e pela Fifa para ter segurança e avançar para tentar fechar acordos.

Depois da eliminação para o Globo-RN, o Inter está mais decidido do que nunca. Precisa contratar. Mas com o desafio adicional de não ter a certeza dos pagamentos em dia por parte do Zenit.

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