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Ex-assessor do Grêmio detalha caso do drone espião de Renato Gaúcho

Do UOL, em São Paulo

02/12/2021 15h18

O técnico Renato Gaúcho encerrou este ano o seu trabalho mais longo no comando de um clube, que foi a terceira passagem pelo Grêmio na função, conseguindo títulos da Copa do Brasil e da Libertadores, além de uma Recopa Sul-Americana e três estaduais, com um futebol que em 2017 era apontado como o mais vistoso do Brasil. Tudo isso com o treinador tendo a marca de não ser um grande estudioso ou tático, mas um conquistador de vestiário.

Na segunda parte da entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, no Canal UOL, João Paulo Fontoura, ex-assessor de imprensa do Grêmio, explica como se deu o episódio do drone espião antes do jogo com o Lanús pela final da Libertadores e critica a forma como o assunto foi tratado no clube, com o desencontro de informações internas.

"Não é um assunto que o assessor do futebol possa botar embaixo do braço e assumir no peito, é preciso uma orientação, o que nós vamos fazer a partir de então? Como o presidente Fabio Koff fez com o caso Aranha em 2014, centralizou o discurso e deu origem, como um líder deve fazer. O presidente Romildo Bolzan lavou as mãos", conta o assessor.

"O Nestor Hein, que era o vice jurídico do clube entrou até na ESPN, entrou em todas as rádios aqui negando veementemente aquela prática, um clube como o Grêmio não lançaria mão daquele tipo de artifício. Eu fiquei surpreso porque horas antes tinha sido decidido que ninguém falaria. Quando vocês, público, ficaram sabendo do que disse o Renato, aí quando a coisa fica assim, não há assessoria de imprensa mais que resolva um contraditório tão grande do Renato Portaluppi e do alto clero do clube, só torce para ganhar o jogo e esperar esquecer o assunto."

Fontoura ainda explica como Renato faz para conquistar o vestiário e afirma que ele não é muito diferente no trato com os jogadores do que se mostra publicamente.

"De histórias curiosas, o Renato não é muito diferente para o público como ele é internamente, ele corneteia jogador quando erra um lance, aí mostra o cara errando, falhando em um gol e ele, 'tu não fez aquilo ali que eu te pedir por quê?'. Algumas vezes debochava do cara que estava comemorando muito acima do normal, digamos assim, o Renato é um cara de, talvez por isso ele ganhe muito os atletas, um cara autêntico nesse processo com os atletas", afirma JP, que participava de reuniões com os atletas no vestiário a pedido do treinador.

"Esse não é o local que eu deveria estar, eu estava porque o Renato pedia. Às vezes ali sai uma conversa de que pode ter efeito para ti, pode ter algum benefício para ti, porque daqui a pouca já percebe uma inconformidade de algum jogador e aí você pode usar isso na semana e tal. Ele sempre me deixou à vontade, eu sempre tive confiança de todas as pessoas com quem eu trabalhei, então eu aprendi a desfrutar desse momento", completa.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

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