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Xavi volta a um Barça "sem personalidade" e com mais lesões do que soluções

Xavi viveu o Barcelona por 24 anos, agora tenta devolver o clube à boa fase que ele tão bem conhece - REUTERS/Albert Gea/File Photo
Xavi viveu o Barcelona por 24 anos, agora tenta devolver o clube à boa fase que ele tão bem conhece Imagem: REUTERS/Albert Gea/File Photo

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

07/11/2021 04h00

Classificação e Jogos

Há seis anos, Xavi se despediu do Barcelona com uma trinca de títulos; hoje reencontra o clube em cinzas, com maus resultados, sem as referências de sempre em campo e sofrendo com uma profusão de lesões. O treinador tem duas semanas para reanimar o elenco antes do clássico da Catalunha contra o Espanyol no próximo dia 20.

Ontem (6), o Barcelona fez um primeiro tempo surpreendente e abriu três gols de vantagem contra o Celta de Vigo, apenas para depois ceder o empate por 3 a 3 nos acréscimos. Foi o oitavo tropeço em 12 partidas do Espanhol, o que o meio-campista holandês De Jong resumiu com frustração: "Nos falta personalidade, estamos muito parados", admitiu na saída de campo.

O emocional do elenco deve ser uma das principais frentes de trabalho de Xavi, que já foi peça fundamental na construção da mentalidade vencedora daquele Barcelona, digamos, de antigamente. Ele próprio elevou a exigência ao avisar que "o melhor clube do mundo tem de ganhar, não pode empatar nem perder", mas sem deixar de admitir que o caminho é longo. "Teremos que trabalhar muito para que as coisas deem certo", disse no trecho mais realista de sua apresentação.

Xavi assume o Barcelona com um time inteiro de desfalques. Ontem mesmo três titulares saíram lesionados: Ansu Fati, talvez o mais criativo do time; Eric Garcia, o defensor que é uma promessa espanhola; e Nico González, o dono do meio-campo. O trio se soma a outros oito que já estavam no departamento médico e formam quase uma escalação: Neto; Sergi Roberto, Dest e Piqué; Pedri; Dembélé, Braithwaite e Aguero.

Diante de tantas ausências, o treinador terá que ser criativo em um clube de investimentos contados. Ele inclusive já teria avisado à direção de que gostaria de um ponta de velocidade, segundo o jornal espanhol ABC, mas as regras de fair play financeiro limitam o Barcelona a gastar no máximo 20 milhões de euros na janela de transferências de janeiro.

O empate com o Celta manteve o Barça ainda sem vencer como visitante na Liga, e a desvantagem para os líderes não para de crescer —o time agora tem dez pontos a menos que o líder e arquirrival Real Madrid, ao passo que a Real Sociedad, segunda colocada, tem oito pontos a mais.

Esse, no entanto, é um problema menor diante da crise institucional: o clube vem de um prejuízo de 481 milhões de euros na temporada passada (R$ 3 bilhões) e ainda lambe as feridas desde a saída de Lionel Messi. Definitivamente não é mais o Barcelona que ganhou tudo na última temporada de Xavi, em 2015.

Quem quiser, no entanto, pode tentar ver o copo meio cheio: Xavi é uma considerável injeção de ânimo para uma torcida tão machucada recentemente. Pode não haver uma profusão de títulos no horizonte próximo, mas a retomada do Barcelona precisa começar de algum lugar, e isso não aconteceu com Ronald Koeman.

Nesse sentido, foi também De Jong quem melhor resumiu a expectativa pela chegada do ídolo: "Estamos muito esperançosos; temos que trabalhar", disse o holandês.

O Barcelona promove a reestreia de Xavi no dia 20, quando enfrenta o Espanyol no Camp Nou. Três dias depois, recebe o Benfica em duelo fundamental para suas ambições na Liga dos Campeões da Europa: os dois disputam a segunda vaga de classificação, e uma vitória garante o clube catalão no mata-mata.

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