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Brasileiro goleador na Las Vegas da Ásia comeu carne de cachorro por engano

Jackson de Sousa, jogador do Suncity, de Macau - Divulgação/Suncity
Jackson de Sousa, jogador do Suncity, de Macau Imagem: Divulgação/Suncity

Eder Traskini

Do UOL, em Santos (SP)

17/05/2021 04h00

São 17 gols em seis jogos, seis deles em sua estreia. Os números astronômicos pertencem ao meia Jackson de Sousa, bastante desconhecido no Brasil, mas que brilha no futebol de Macau — região autônoma dentro do território da China. Se tudo está dando certo dentro de campo, fora dele as coisas fogem um pouco ao controle às vezes. Foi assim, sem saber, que ocorreu o episódio mais curioso da aventura do atleta longe do Brasil.

Depois de uma vitória, o técnico brasileiro Cláudio Roberto, responsável por levar Jackson para Macau em 2016, ganhou uma carne de presente de um amigo chinês. O comandante, então, resolveu fazer um churrasco e chamou os brasileiros do elenco. O que ele não sabia, porém, é que a carne era de cachorro.

"Comemos e tal, mas estava estranho. Olhei e achei que era frango, mas estava com gosto de porco. Além do técnico, o chinês deu a carne também para outro brasileiro que perguntou para outro amigo chinês à noite, depois que tínhamos comido, e soube que era carne de cachorro. Ele bateu no nosso quarto e contou. Rapaz, deu um embrulho no estômago que eu fiquei um mês sem comer carne. Aqui em Macau não se come cachorro, mas eu não comia carne fora de casa nem que me pagassem", lembrou Jackson em entrevista ao UOL Esporte.

Jackson começou a carreira no Maringá (PR), mas rodou bastante pelos times do Centro-Oeste do Brasil. Em 2016, recebeu seu primeiro convite para jogar em Macau. Ele voltou ao Brasil e ainda passou pela Turquia e pelo Iraque antes de aceitar novo convite para voltar a Macau.

Hoje, Jackson, que é segundo volante de origem, atua com mais liberdade no meio-campo do Suncity, equipe nova no país e que vem escalando desde a quarta divisão. Neste ano, na segunda divisão, o time decidiu investir pesado e vem sobrando no torneio com quatro brasileiros e um português.

"Mais ou menos o nível da A-3 (terceira divisão do campeonato paulista), que disputei com o Olímpia. Estou na segunda divisão agora, é um clube novo com projeto bom. Aspiração de se classificar para a FC, que é como se fosse a Sul-Americana. Somos o único clube com estrangeiros, quatro brasileiros e um português, nosso time é bem acima dos demais. Vencemos uma partida por 12 a 0, marquei cinco gols. Quando a fase está boa bate até no calcanhar e entra (risos). Na estreia deste ano eu fiz seis gols", contou.

Jackson revelou que o salário fica longe das cifras praticadas na Superliga da China ou mesmo do Brasileirão, mas é um valor bem melhor do que na Série A-3, que ele citou como exemplo de nível técnico. Muito disso se deve ao faturamento do país, conhecido como a "Las Vegas asiática" pelos seus cassinos.

"Aqui é igual Hong Kong: em território chinês, mas tem governo e moeda própria. Era uma colônia portuguesa. Falam que é a 'Las Vegas da Ásia' porque o que comanda é cassino, tem mais de quarenta. Eu já fui, nunca joguei porque viciar é mole, mas vou, é coisa de outro mundo. Falam que aqui fatura o dobro do que Las Vegas fatura com cassino. Aqui ligam mais para badminton, jóquei... Gostam mesmo é de apostar. Futebol é só depois", explicou.

O meia chegou a Macau poucos dias antes do início da pandemia do coronavírus e precisou ficar isolado dentro de casa. Ele conta que não foi sequer autorizado a voltar ao Brasil no fim do ano passado, mas revela que a covid-19 está bem controlada em Macau.

"Governo decretou lockdown assim que foi descoberta a doença e fechou fronteiras. Até hoje não pode entrar estrangeiro, nem pude ir pra casa no fim do ano. Um ano e meio sem casos aqui, mas todo mundo ainda usa máscara. Ainda não fui vacinado porque estou pesquisando qual a melhor vacina, podemos escolher entre três", disse.

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