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Ida de joia ao Palmeiras estremece relações entre time paulista e Cruzeiro

Estevão Willian completou 14 anos no fim de abril e assinou primeiro contrato não profissional com o Palmeiras - Divulgação
Estevão Willian completou 14 anos no fim de abril e assinou primeiro contrato não profissional com o Palmeiras Imagem: Divulgação

Eder Traskini, Guilherme Piu e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte e São Paulo

08/05/2021 04h00

Dois clubes originados de raízes italianas e chamados no passado de "Palestra", mas que deixaram os laços de lado, e, agora, têm relação estremecida. Tudo por causa do episódio envolvendo o garoto Estevão Willian, de apenas 14 anos. Tido como uma das joias mais valiosas das categorias de base do Cruzeiro, ele deixou Belo Horizonte para assinar o seu primeiro contrato oficial de formação com o Palmeiras.

O UOL Esporte antecipou à saída do menino da Toca da Raposa última quinta-feira (6), mesmo dia em que o nome de Estevão Willian foi inscrito pelo clube alviverde no Boletim Informativo Diário (BID), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Oficialmente, o Cruzeiro ainda não tratou do tema e, segundo apurou a reportagem, não há, por enquanto, qualquer indício de que isso possa acontecer. Apesar do silêncio adotado, o UOL apurou que o presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, procurou membros da diretoria do Palmeiras e demonstrou toda sua insatisfação com o episódio envolvendo o jogador.

Apesar dessa iniciativa, fontes em São Paulo informaram que o dirigente do clube mineiro ficou sem resposta. À reportagem, a assessoria de imprensa do Cruzeiro disse que o clube não iria se pronunciar a respeito.

Atleta promissor

Estevão é tão promissor que, no ano de 2018, quando tinha apenas dez anos de idade, se tornou o mais jovem atleta em formação a assinar contrato com a Nike, uma das maiores fornecedoras de material esportivo do mundo. O menino tinha bolsa de estudos em um colégio particular de Belo Horizonte, recebia auxilio do Cruzeiro e treinava em uma categoria superior à sua idade —e se destacava entre garotos mais velhos.

Motivos da saída

Informações nos bastidores dão conta que o Palmeiras ofereceu R$ 2 milhões mais um salário mensal que supera a casa dos R$ 100 mil para que o menino Estevão assinasse seu primeiro acordo de formação com o Alviverde. Valor que teria sido aceito pelo pai do garoto, o senhor Ivo Gonçalves, que escreveu uma carta de despedida para a torcida cruzeirense.

"Infelizmente, não foi possível dar continuidade ao trabalho. Foram inúmeras reuniões realizadas junto à diretoria com promessas não cumpridas", disse Ivo em uma parte da carta.

Até o final do dia de ontem o pai de Estevão Willian não havia conversado com ninguém do Cruzeiro. De acordo com uma fonte, dirigentes da Raposa tentaram ao longo das últimas horas contato com o responsável pelo menino, que os ignorou.

O próprio Cruzeiro, ainda segundo uma fonte, tomou conhecimento da saída de Estevão Willian pela imprensa. E membros da cúpula do clube e da diretoria de futebol de base azul acreditam que as denúncias que envolvem o nome do pai do garoto, que teve seu nome citado em investigações da Polícia Civil, fizeram com que ele tomasse a decisão de ir embora de Belo Horizonte.

O Palmeiras

Fontes disseram ao UOL Esporte que o Palmeiras entende que não ter feito nada errado. Que o clube foi procurado diretamente por Ivo Gonçalves, dizendo que tinha interesse de colocar o filho na base do Alviverde.

O departamento de futebol de base do Verdão sabendo que o atleta tinha enorme potencial, checou a situação jurídica de Estevão e viu que seria possível assinar o contrato não profissional, como já foi feito e registrado na CBF.

Imbróglios

Em maio de 2019 o programa Fantástico, da TV Globo, revelou que o Cruzeiro usou direitos de Estevão Willian, uma criança, como garantia para um empréstimo de R$ 2 milhões. O que a Fifa proíbe, assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente.

No ano passado, o UOL Esporte revelou que em junho de 2019, depois das denúncias do Fantástico, o Cruzeiro cedeu parte dos direitos de Estevão Willian ao próprio jogador e a um conselheiro do clube, o que também é proibido pela Fifa.

Nessa ocasião o clube celeste dividiu parte do que chamou de direitos econômicos do atleta em formação com o conselheiro Fernando Ribeiro de Morais, que também era proprietário da "Estrela Sports Ltda", e com os próprios pais de Estevão, Ivo Gonçalves e Hetiene Almeida de Oliveira Gonçalves. De forma que 70% ficariam com o Cruzeiro, 15% para a Estrela Sports e 15% para a família de Estevão.

Na época o empresário Fernando se defendeu e explicou que diz ter auxiliado a família do garoto desde a chegada dele a Belo Horizonte e que o contrato não previa cessão de direito, mas apenas uma comissão em caso de negociação futura.

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