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Como 167 minutos explicam a discórdia entre Flamengo e Arrascaeta

Lance do gol de Arrascaeta, do Flamengo, na Supercopa do Brasil. Jogador e clube vivem momento conturbado - Alexandre Vidal / Flamengo
Lance do gol de Arrascaeta, do Flamengo, na Supercopa do Brasil. Jogador e clube vivem momento conturbado Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo

Leo Burlá e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/04/2021 04h00

A discórdia entre Flamengo e Arrascaeta reside em desacerto financeiro e gera descontentamento entre a alta cúpula do clube, que não vê com bons olhos o que classificam como uma tentativa de se pressionar o Rubro-Negro a abrir os cofres para satisfazer o meia e seus agentes. Fora da partida diante do Vasco, o jogador teve detectada uma entorse no tornozelo direito.

O debate sobre aumento salarial e a extensão do vínculo contratual opõe as partes e tensiona o relacionamento. O camisa 14 quer aumento salarial e a ampliação do compromisso que tem validade até 31 de dezembro de 2023.

Outro ponto de discórdia é que o Flamengo não comprou 25% dos direitos restantes de Arrascaeta. Pelo contrato, o clube só seria obrigado a adquirir essa porcentagem se o jogador cumprisse uma meta de minutos em campo, o que não ocorreu. Para que isso ocorresse, no entanto, o atleta teria de cumprir 4 mil minutos em campo no ano passado, o que não aconteceu. O jogador jogou por 3833 minutos e ficou "devendo" 167 para que a compra fosse efetivada.

Caso tivesse batido a meta, o Rubro-Negro teria de desembolsar algo na casa de 1,2 milhão de euros (R$ 8 milhões na cotação atual) para o Defensor (URU). Sem essa carta na manga, os representantes do astro buscam o caminho do reajuste salarial e a assinatura de novo compromisso, sob a alegação que outros craques da companhia rubro-negra foram reconhecidos pelo clube após as conquistas recentes.

Agente de Arrascaeta, o ex-jogador Daniel Fonseca tem relação próxima com o clube de Montevidéu e queria que a aquisição tivesse sido efetivada, mas o clube de origem do camisa 14 não se manifestou exigindo nada.

As partes já conversam há tempos, mas a pandemia motivou o Fla a frear os investimentos. O clube vive um momento delicado de perda substancial de receitas com o Maracanã fechado e com a queda vertiginosa de seu programa de sócio-torcedor. Além disso, o octocampeão do Brasil busca novos patrocinadores para preencher o uniforme e angariar mais fundos. Enquanto o marketing trabalha nessa frente, o departamento de futebol tenta fazer negócio com jogadores que não teriam tanto espaço no ano para desafogar o caixa e garantir seus principais nomes.

Há temor que esse imbróglio ainda se arraste, mas o Flamengo não nega que deseja fazer o investimento. A questão é que o momento impede esse aporte de dinheiro e amplia essa divergência. A seu favor, o Fla tem o cumprimento integral de suas obrigações contratuais com o meia e uma solidez financeira que faltou ao Cruzeiro, que viu seu principal jogador trocar Minas pelo Rio de Janeiro da noite para o dia. O estafe do ídolo, por sua vez, vê demora para que algumas promessas sejam cumpridas e aproveita para esticar a corda.

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