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La Liga - 2020/2021

'Não pode perdoar e deixar assim', diz atleta do Valencia vítima de racismo

Zagueiro Mouctar Diakhaby em ação durante partida do Valencia no Campeonato Espanhol 2020-21 - Alex Caparros/Getty Images
Zagueiro Mouctar Diakhaby em ação durante partida do Valencia no Campeonato Espanhol 2020-21 Imagem: Alex Caparros/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

06/04/2021 09h01Atualizada em 06/04/2021 09h10

Classificação e Jogos

O zagueiro do Valencia Mouctar Diakhaby se pronunciou publicamente hoje após sofrer ofensas racistas na partida contra o Cádiz, no último domingo (4), pelo Campeonato Espanhol. Diakhaby afirmou que Juan Cala o chamou de "negro de merda", após isso o Valencia decidiu deixar o campo.

Em um publicado nas redes sociais, o zagueiro francês falou sobre o caso, cobrou ações dos organizadores da La Liga e agradeceu o apoio do time.

"Olá. Quero falar do que se passou em Cádiz no domingo. Bom, depois de dois dias é mais tranquilo e quero falar. Durante uma jogada, um atleta do Cádiz me insultou e as palavras foram "negro de merda". O jogador me disse isso e eu não posso aceitar. Todos viram a minah reação e isso [racismo] não pode acontecer no dia a dia, ainda mais no futebol que é um esporte de respeito", disse Diakhaby.

"Depois disso eu e meus companheiros decidimos ir para o vestiário - o que foi uma boa decisão. E um jogador deles pediu para um dos nossos que esquecêssemos aquilo e voltássemos para o campo. Eu e meus companheiros dissemos não, porque as coisas não são assim. Você não pode perdoar e deixar assim", continuou.

Hoje, eu me sinto bem, mas doeu. Doeu muito. Há coisas assim na vida, mas eu espero que a La Liga faça algo e imponha sanções tudo se esclareça. Quero agradecer ao Valencia e aos meus companheiros e treinadores pela solidariedade, carinho e apoio.

Após a ofensa

O brasileiro Gabriel Paulista e jogadores do Valencia tiveram de conter Diakhaby. Os jogadores do Valencia abandonaram o gramado e o jogo foi paralisado por alguns minutos.

A partida foi reiniciada sem Diakhaby, que foi substituído por Hugo Guillamón. O suposto agressor, Juan Cala, seguiu em campo.

Nas redes sociais, o Valencia se pronunciou e afirmou: A equipe se reuniu e decide voltar a lutar pelo escudo, mas firme na condenação do racismo em todo o mundo. Valencia em todas as formas. NÃO AO RACISMO", escreveu.

Cádiz se manifesta

Adversário do Valencia, o Cádiz disse por meio de nota oficial que é contra racismo e xenofobia.

"O Cádiz Futebol Clube, face aos acontecimentos ocorridos no jogo com o Valencia Futebol Clube, quer fazer as seguintes considerações: Somos contra qualquer situação de racismo ou xenofobia, seja quem for o seu autor, e trabalhamos para a sua erradicação. Todos os autores desses crimes, sejam ou não da nossa equipe, devem pagar por isso. Não duvidamos da honestidade de todos os integrantes do nosso plantel, que são firmes defensores da luta contra o racismo, cuja atitude sempre foi exemplar em todas as partidas que disputamos. A entidade não pode entrar para avaliar as questões do jogo entre os jogadores, e sempre exigimos uma atitude de respeito e responsabilidade para com os adversários. Trabalhamos e seguiremos trabalhando para que no nosso futebol não haja comportamentos xenófobos, com um 'NÃO AO RACISMO' com toda a sua contundência".