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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

No primeiro "El Clásico" sem Messi e CR7, Real se impõe como o melhor time

24.10.21 - David Alaba, do Real Madrid, comemora seu gol contra o Barcelona - ALBERT GEA/REUTERS
24.10.21 - David Alaba, do Real Madrid, comemora seu gol contra o Barcelona Imagem: ALBERT GEA/REUTERS
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/10/2021 13h35

Se a chance incrível desperdiçada por Sergiño Dest, aos 24 minutos, com o placar em 0 a 0 no Camp Nou, terminasse nas redes, obviamente poderia ter mudado o jogo e, talvez, a percepção sobre o primeiro "El Clásico" depois das saídas de Messi e Cristiano Ronaldo de Barcelona e Real Madrid.

Mas os 2 a 1 impostos pela equipe merengue, agora comandada por Carlo Ancelotti, refletem algo bem nítido na temporada: o time branco está em nível bem acima do rival.

Não só pelo maior tempo de adaptação à ausência do maior jogador que vestiu a camisa do clube, ou a situação financeira mais equilibrada para administrar um elenco mais qualificado e homogêneo no momento. A superioridade é coletiva também.

Dois gols em rápidas transições, concluídas por defensores. Primeiro com Alaba, atacando como líbero e aparecendo pela esquerda para finalizar. Logo o setor que, em tese, deveria ser mais protegida no Barcelona de Ronald Koeman, com Mingueza como lateral-zagueiro e Dest na ponta.

Atacado por Alaba, mas também Mendy apoiando por dentro e arrastando Dest, para deixar apenas Mingueza contra Vinícius Júnior, que desta vez não desequilibrou com gols ou assistências. Mas foi novamente o grande escape do 4-3-3/4-1-4-1 de Ancelotti.

Errou em alguns ataques, mas desta vez diferente no acabamento. Antes falhava por afobação, escolhas erradas. Agora não foi perfeito pela calma para tomar a melhor decisão, porém sendo desarmado por um adversário mais rápido e concentrado. Melhor assim, parte do aprendizado e amadurecimento de um atacante de 21 anos.

O Barcelona até melhorou na segunda etapa, com Philippe Coutinho na vaga de Mingueza, Dest retornando à lateral e o garoto Gavi abrindo pela direita. Mas foi cedendo espaços e o Real teve frieza para administrar e aguardar o melhor momento para o contragolpe letal. Veio no final, já com Asensio no lugar de Vinicius, e Lucas Vázquez completando no rebote. De novo improvisado na lateral e contribuindo na defesa e também apoiando. Justificando a confiança do treinador.

Funciona dentro de um time organizado e que evolui a cada partida. Mesmo com o vacilo defensivo no final, logo pela esquerda, com Dest servindo Aguero, que substituiu Ansu Fati e se juntou na frente a Depay e Luuk De Jong, com Koeman apelando para o modo "empurrança".

Relativo equilíbrio, ou até ligeira superioridade do Barça, nas estatísticas: 52% de posse, 89% de efetividade nos passes e 12 finalizações contra dez. Só que o Real concluiu cinco no alvo, contra duas. Eficiência da equipe mais ajustada.

No "enrosco" da tabela da liga espanhola, com Sevilla e Real Sociedad como "intrusos", o Real parece mais preparado para tentar manter a tradição de hegemonia dos dois gigantes e recuperar o domínio, depois do título do rival Atlético. O Barcelona tenta sobreviver entre os escombros de administrações irresponsáveis.

Uma missão árdua que ganhou novo choque de realidade em um clássico histórico, com sabor de ressaca e recomeço.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL