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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Lavieri: "Vejo Rogério com receio de mexer com os figurões do Flamengo"

Do UOL, em São Paulo

22/01/2021 12h00

Rogério Ceni escalou o Flamengo com Willian Arão atuando como zagueiro para manter o meio de campo com Gerson, Diego e Everton Ribeiro na vitória por 2 a 0 diante do Palmeiras, em Brasília, pelo Brasileirão. Dono da camisa 7, Ribeiro tem sido criticado por algumas atuações na temporada atual, mas segue com a titularidade do time, como já ocorreu com outros medalhões do elenco.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte — com os jornalistas Luiza Oliveira, Renato Maurício Prado, Débora Miranda e Danilo Lavieri —, a opção de Rogério por manter as estrelas em campo mesmo em fase ruim é analisada por Lavieri, que tem a impressão de que o treinador ainda tem o receio de tirar do time os maiores nomes após o que viveu no Cruzeiro em 2019.

"Eu tenho a impressão que o Rogério Ceni tem um pouco de medo de mexer com algumas figuras do elenco, talvez por traumas que ele tenha tido no Cruzeiro, pegou um grupo cheio de estrelas, cheio de caras mais velhos e terminou do jeito que a gente sabe que terminou, no final, a gente pode até dizer que o Rogério Ceni estava com mais razão do que os próprios jogadores, porque não é à toa que o Cruzeiro está onde está hoje", afirma Lavieri.

"Eu acho que ele tem um certo trauma ali, um cara que, querendo ou não, é contemporâneo de alguns jogadores ainda, o próprio Diego, por exemplo, é um caso emblemático, que fez gol quando jogava pelo Santos e sambou no símbolo do São Paulo, e o Rogério Ceni era o goleiro, tem outros jogadores, o próprio Everton Ribeiro e o Rogério Ceni jogaram na mesma época, são jogadores que eu acho que o Rogério Ceni tem um pouco mais de dificuldade para comandar. Por maior que ele seja no futebol mundial, pelos números e tudo oque ele conquistou, ele chega no Flamengo que tem a sombra do Jorge Jesus, tem que brigar para sempre jogar o melhor futebol do país, porque tem elenco para isso, tem investimento para isso, ganhou a Libertadores, ganhou o Brasileiro", completa.

O jornalista analisa que, ao mesmo tempo em que é tentador o técnico poder dirigir um time com a situação geral do Flamengo, uma grande camisa, o melhor elenco do país, títulos recentes e boa condição financeira, também acaba se tornando um desafio para o ex-goleiro. As poucas oportunidades dadas a jogadores que se destacaram no período em que o clube viveu um surto de covid e precisou dos garotos da base são apontadas como sinal de um temor do técnico.

"Ao mesmo tempo em que é uma baita oferta de emprego, porque qual técnico não gostaria de treinar o Flamengo com tudo isso que o Flamengo tem hoje, tem uma armadilha aí, especialmente para ele, que por mais experiência que tenha como jogador, não é experiente o suficiente ainda como treinador e tem algumas armadilhas que eu acho que ele ainda não sabe lidar muito bem", afirma Lavieri.

"Eu vejo o Rogério com um pouco de receio de mexer com os figurões, acho que a alternativa aí de, de repente, deslocar o Arão para a zaga para poder fazer um meio de campo e não precisar tirar o Everton Ribeiro eu acho que é muito para isso. A gente tem um exemplo bem recente, ele deixou o Gabigol no banco, e o Gabigol teve toda aquela e aí não precisamos defender o Gabigol porque ele não teve uma postura elogiável, mas isso é uma amostra de como deve ser difícil para o Rogério Ceni lidar com toda essa guerra de egos que tem lá no Flamengo e isso tem que ser uma característica do treinador também, gerir o grupo também faz parte do trabalho", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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