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Dani Alves diz que trabalho de Diniz vai além de resultados: 'Espetacular'

Daniel Alves e Fernando Diniz em treino do São Paulo no CT da Barra Funda - Divulgação/São Paulo
Daniel Alves e Fernando Diniz em treino do São Paulo no CT da Barra Funda Imagem: Divulgação/São Paulo

Thiago Fernandes

Do UOL, em São Paulo

21/01/2021 19h13

Classificação e Jogos

Daniel Alves saiu em defesa de Fernando Diniz após a derrota do São Paulo por 5 a 1 para o Inter, ontem (20), em pleno Morumbi. O meio-campista avalia o trabalho do técnico no CT da Barra Funda como "espetacular", mesmo que os resultados não sejam tão bons na temporada. O Tricolor paulista já foi eliminado de Estadual, Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil. Após o placar da noite passada, caiu para a segunda posição do Campeonato Brasileiro.

Mesmo com as oscilações constantes na campanha, o veterano de 37 anos crê que o seu comandante faz um trabalho convincente, sobretudo no aspecto psicológico.

"Eu acredito que o trabalho do Diniz é espetacular por uma razão, porque é um treinador que não teve muitas possibilidades de contratações. É um treinador que teve que potencializar, ensinar, encorajar jogadores que estavam desacreditados por todos a serem melhores que eram, a performar bem, a serem alguém respeitado na vida. O trabalho do Diniz não se resume em criar grandes jogadores, mas grandes humanos, conceitualmente, em vários aspectos. O Diniz, no dia que não estiver mais aqui, vai deixar uma grande base, não só monetária, mas em termos pessoais para a equipe do São Paulo", declarou Daniel Alves.

"Os resultados não são apenas uma análise de jogo, mas o que você vai criar. Essa é a mesma sensação minha, é a sensação do Diniz também. Você não está aqui para ser apenas jogador de futebol que ganha, perde ou empata, mas criar pessoas que vão ter influência social importante, vão influenciar outras a não serem omissas e reféns de um sistema que massacra", acrescentou.

O dono da camisa 10 do São Paulo ainda trata como natural a postura do técnico às margens do gramado. Recentemente, o comandante se irritou com Tchê Tchê durante a derrota da equipe por 4 a 2 para o Red Bull Bragantino e criou um mal-estar nos bastidores do clube. A situação foi contornada após um pedido de desculpas do técnico, que se manifestou até com os familiares do jogador.

"As pessoas que conhecem bem o Diniz sabem da hombridade que tem, sabem do amor e do carinho que ele tem pelos seus atletas. Eles sabem que ele tem o jeito de ser, ou você ama ou você odeia. As pessoas que estão aqui, que amam e trabalham com o Diniz sabem que a melhor coisa que você pode ter é um Diniz em sua vida. Ele instiga os comandados a tomarem decisões. O Diniz prepara as pessoas para a vida. Quando você prepara as pessoas, elas vão ser boas em seu trabalho, bom pai, bom filho, bom marido. Esses valores a gente encontra no Diniz. É evidente que tem o jeito dele de ser. Quem trabalha com ele sabe que tudo o que o Diniz faz é com amor, carinho, intensidade", explicou.

"As pessoas que viveram aquele fato acontecer com o Tchê Tchê é porque vocês não conhecem o Diniz no dia a dia, senão, teriam outra impressão, até pior que essa. É por isso que a gente ama muito esse cara. Quem dera todo ser humano tivesse um Diniz em sua vida, ele seria melhor, sem dúvida nenhuma", concluiu.

Confira, abaixo, outros trechos da entrevista de Daniel Alves:

Recuperação é possível: "Não acredito que fatores externos influenciem muito no nosso trabalho, porque a gente acredita muito nele. Eliminações não trazem coisas boas, porque você acaba sentindo, você é humano, é normal que você sinta. São fases que você tem que tentar sair dela o quanto antes possível. Tudo na vida de quem trabalha passa. A gente estava tendo um momento bom, e ele passou. Agora, veio o momento ruim e a gente não tem que se deixar levar por eles. É continuar trabalhando, tendo a autoconfiança em si próprio, porque é assim construiu até o momento, é assim que devolvemos a ilusão ao nosso torcedor. É assim que voltamos a brigar pelo Brasileiro. A gente não pode se deixar levar pelos últimos jogos, é evidente que não estamos contentes, satisfeitos. O torcedor não está satisfeito, mas não estamos melhor que eles, nós somos o que sofremos, o que trabalhamos. Nós deixamos nosso apego todos os dias para performar e para que eles possam desfrutar. Na vida, você tem que pecar por excesso e não por omissão. A gente vai continuar lutando para tentar o objetivo tão sonhado para os torcedores e para nós, que estamos batalhando todos os dias".

Queda de produção: "O futebol é maravilhoso e incrível, porque é um jogo de erros e acertos. Se não fosse assim, o trabalho de vocês seria mais complicado. Por isso, é tão brilhante e interessante o esporte futebol. Às vezes, você erra e às vezes, você acerta. Eu posso pecar por excesso, mas nunca por omissão. Vou estar sempre exposto. As pessoas que não se omitem estão sempre na linha de frente. Eu vou ser o que vou sangrar mais, vou ser o colete. Eu sempre quis ter esse rótulo na minha vida. As pessoas podem sentir que podem contar comigo em todos os momentos. Quando os resultados não vêm, a culpa é do Diniz, minha ou dos dois. A gente está acostumado a isso, nunca vou me esconder atrás de nenhum problema ou nenhuma solução. A minha ausência aqui, as pessoas sentem minha falta aqui, eu tenho muito o que fazer dentro do São Paulo, tenho que convencer meus companheiros a acreditarem o quão bons são. A vida é de erro e acertos. Não houve queda de rendimento. Você está pegando erros pontuais que são nítidos. Eu não consigo ser mais ou menos, ou sou bom ou ruim".

Responsabilidade é dos jogadores: "O que está respingando no time é a falta de resultados. Quando você não tem resultados, abre margem para todas as outras coisas extracampo. A responsabilidade é nossa. Quando os resultados estavam vindo a responsabilidade era nossa, com os resultados sem vir, a responsabilidade também é nossa. Temos um novo momento bom, momento decisivo da temporada. O São Paulo sempre foi desacreditado por todos, até muitas vezes por nossos torcedores. A gente, a base do nosso trabalho, entrega e abdicação, conseguiu resolver com eles. Se a gente está no direito de pedir uma coisa, vai pedir para que o torcedor não desista. Se os torcedores estivessem nos acompanhando, seria muito melhor que está sendo, a gente desfrutaria juntos. A gente tem muito o que melhorar, como performance e espírito também. O mesmo time que está sendo critiado é o que tem esperança de entregar algo para o torcedor na temporada. Temos esperança de entregar isso para nós e para eles".

Pássaro e Muricy Ramalho: "Todas as pessoas que querem o bem das situações e das coisas não vão ser muito bem quistas, porque elas são transparentes, sinceras e honestas. É um grande prazer ter o Muricy junto com a gente, uma pessoa que faz parte da história do São Paulo. A única pessoa que gostaria que tivesse continuado também é o [ex-gerente de futebol Alexandre] Pássaro. Não gostaria que saísse nesse momento. Ele tomou porrada para caramba, como a gente tomou, e no momento que a gente poderia ter algo, ele teve que nos deixar. Eu, particularmente, gostaria que continuasse com a gente. As decisões foram tomadas e a gente tem que respeitar. A gente tem que pensar que tem que contar com os que estão aqui, na luta com a gente. As pessoas que conhecem esse grupo vão torcer por ele. Por mais que as pessoas achem que a gente está aqui a passeio, não estamos aqui a passeio. Estamos compromissados com as cores do São Paulo, com o escudo do São Paulo. Evidentemente que erramos e acertamos, mas nunca deixaremos de tentar. Vamos tentar apagar o mais rápido possível as coisas ruins. A vida é assim, a vida não para. A vida é uma eterna continuação. É ganhar hoje e tentar ganhar amanhã, depois e depois. É assim que se forma campeões. Como são-paulino, não estou contente com a situação. Sei o quão importante é para o torcedor e para a instituição conquistar o título do Brasileiro. É com esse intuito que a gente está. Só assim a gente consegue os objetivos. Não pode deixar de acreditar nunca o que você quer".

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