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Caso Saul Klein: mais 25 mulheres estudam se juntar a ação do MP

Saul Klein, empresário acusado de aliciamento e estupro por 14 mulheres - Arquivo pessoal
Saul Klein, empresário acusado de aliciamento e estupro por 14 mulheres Imagem: Arquivo pessoal

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

28/12/2020 19h20

Nos últimos cinco dias, mais 25 mulheres entraram em contato com os advogados que representam outras 14 depoentes em ação do Ministério Público contra o empresário Saul Klein. O UOL Esporte confirmou a informação com pessoas ligadas a algumas das garotas e com a advogada Gabriela Souza, que atua no processo. A entrada dessas mulheres levaria a 39 o total de pessoas que afirmam terem sido vítimas de um suposto esquema de aliciamento, prostituição e abusos sexuais.

"Desde a publicação da primeira matéria estou sendo procurada por novas vítimas, num número superior a 20 novos relatos desde 23/12/2020. Essa procura demonstra que o que ocorria não era um contrato de 'sugar daddy', mas sim o abuso de poder que 'autorizava' violências sexuais repugnantes. A alegação de que o predador sexual é vítima é uma afronta à coragem de todas as suas sobreviventes e será derrubada nos tribunais com vasta documentação até agora apresentada".

Já a defesa do empresário afirma que há um número equivalente de mulheres que o procuraram para defendê-lo das acusações, e que estes depoimentos serão levados ao inquérito futuramente. "Era esperado que acontecesse isso diante da repercussão do caso na imprensa. Há um número semelhante ou maior de mulheres que tem nos procurado para defender o Saul. Estamos colhendo esses depoimentos para levá-los ao inquérito oportunamente".

Klein se defende afirmando, por meio de seus advogados, que era um "sugar daddy", termo que designa homens mais velhos que têm o fetiche de sustentar financeiramente mulheres mais novas em troca de afeto e/ou relações sexuais, mas que jamais houve relações sexuais não consensuais. O empresário é acionista majoritário da Ferroviária S/A, clube da primeira divisão do Campeonato Paulista. Após as denúncias, ele anunciou seu afastamento do Comitê Gestor de Futebol do time de Araraquara.

A Folha de S. Paulo revelou na última terça-feira que 14 mulheres denunciaram o filho do fundador das Casas Bahia ao Ministério Público por estupro e aliciamento. Na última quinta-feira, o UOL Esporte publicou matéria detalhando o funcionamento de um suposto esquema de prostituição, aliciamento e abusos sexuais mantido pelo empresário por uma década —a reportagem manteve, por meses, contato com mulheres que não estão entre as 14 que levaram a denúncia ao MP. De acordo com os relatos, a suposta rede funcionava desde 2008, com festas eventos que duravam dias, reuniam dezenas de garotas na casa de Klein, em Alphaville, e eram palco de abusos.

O empresário está com o passaporte retido pela Justiça e impedido de contatar as 14 mulheres denunciantes. Segundo sua defesa, ele contratava uma empresa para agenciar mulheres para suas festas e está sendo "vítima de um elaborado esquema de extorsão depois de cessar a contratação dela".

"Relações consensuais sacramentadas de acordo com as regras do reconhecido relacionamento 'sugar' efetivamente foram praticadas pelo Sr. Saul Klein. A frequência repetitiva das modelos, que livremente frequentaram eventos do Sr. Saul Klein por meses ou anos, se constitui em óbvia prova do consentimento dos relacionamentos, que se tornaram conflituosos exclusivamente na versão fraudulenta levada ao conhecimento do Ministério Público, tudo por conta de interesses patrimoniais inconfessáveis que certamente serão trazidos à tona durante o desenrolar da investigação policial", diz nota enviada à reportagem.

As mulheres relataram ao UOL que eram submetidas a controle de peso, pressionadas por terceiros a realizarem procedimentos estéticos e a manter relações sexuais com Klein, sempre sem o uso de preservativos, mediante remuneração de R$ 3 mil a R$ 4 mil por semana.

A rotina era complementada por uma série de exigências especiais, como aulas de piano, balé, debates e até performances teatrais dos filmes contidos nos DVDs. A reportagem apurou que pelo menos duas mulheres que frequentaram a residência de Klein tiveram problemas de saúde e transtornos psicológicos, com acesso a laudos médicos e imagens.

Pelo menos três garotas assinaram contratos de R$ 800 mil comprometendo-se a ficar em silêncio. O empresário alegou na Justiça que um dos acordos foi fechado sem a sua autorização, e conseguiu provar, por meio de perícia, que a sua assinatura era falsa. Os outros teriam sido assinados mediante ameaça de divulgação de fotos íntimas.

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