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Ainda em obras, Arena do Atlético-MG desperta sonhos da vida de atleticanos

Potinho com terra do canteiro de obras e até casamento, estádio do Galo mexe com devoção atleticana - Pedro Souza/Atlético-MG
Potinho com terra do canteiro de obras e até casamento, estádio do Galo mexe com devoção atleticana Imagem: Pedro Souza/Atlético-MG

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

02/12/2020 04h00

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Ter a casa própria é sonho de muita gente, assim como encontrar uma pessoa para, em matrimônio, viver uma vida a dois. Para os torcedores do Atlético-MG, essas possibilidades ganharam novo conceito e ainda mais valor com o projeto da Arena MRV, estádio que já mexe com as emoções dos atleticanos.

Ainda um canteiro de obras — cercada de máquinas pesadas, caminhões e estruturas metálicas de engenharia —, a futura casa do Galo, que tem previsão de ser inaugurada em 2022, já proporciona ao torcedor experiências que certamente ficarão marcadas na memória.

Como a de um casal de atleticanos que renovou os votos de casamento no Centro de Experiências da Arena MRV nesta semana.

"Algo inimaginável. Vivemos ali o sonho de todo atleticano. É muito emocionante, um sonho. Celebramos nosso amor em um lugar especial. O Galo foi o que nos aproximou. Emoção maravilhosa", disse a noiva Kathleen Maestro, de 30 anos.

Em 2014, Kathleen conheceu o seu marido Samuel após uma carona com um amigo em comum do trabalho. Os dois, que não se conheciam, viram suas vidas serem transformadas justamente pelo amor ao Galo.

"A nossa história está toda vinculada ao Galo. Nos conhecemos por causa do clube, viramos amigos por causa do Galo, tudo na nossa história tem o Galo. A gente casou na Arena MRV e viveremos outras etapas da vida lá. Quando engravidar, levaremos nossos filhos, farei fotos de grávida, recém-nascidos, tudo lá. Em todas as etapas da nossa vida o estádio também estará envolvido. É o começo de uma nova história na nossa família", comentou emocionada.

Antes da cerimônia, super restrita e com testes de Covid-19 com os noivos e poucos familiares, Samuel Maestro disse não ter dormido por algumas noites. Tudo pela ansiedade e expectativa.

"Se não fosse o Galo, eu não teria casado até hoje, estava solteiro. O amor foi o mais representativo naquele momento. O Galo é muito importante na nossa vida e, sem ele, eu não teria conhecido a minha esposa. Ver a Arena MRV sendo construída é um sonho, ter um momento importante, então, dentro do templo do futebol para o atleticano, foi a maior emoção do mundo. Foi tão maravilhoso, tão perfeito", contou Samuel, 29 anos.

Lembranças eternas

Mesmo em estágio inicial de obras, a Arena MRV já movimenta o mercado do entretenimento atleticano. De 26 de setembro até ontem (1º), 4.513 pessoas haviam visitado o Centro de Experiências, que conta com uma maquete do estádio, máquina de realidade virtual e espaço para o visitante assistir o vai e vem das máquinas trabalhando.

O Atlético-MG até passou a comercializar um pote com a terra extraída do canteiro de obras da sua casa. O souvenir custa R$ 39,99 e já foi comprado por 300 torcedores presentes ao Centro de Experiências, que funciona de terça a sábado.

A emoção de vivenciar tudo isso foi motivo até de uma espécie de Big Brother da Arena MRV. Um torcedor que mora no bairro onde o estádio está sendo construído transmitia via YoutTbe o "caminhar da obra". Fato protagonizado por Carlos Toledo, de 65 anos, apenas um dos exemplos de amor a um local que, mesmo sem estar pronto, representa muito para a comunidade preta e branca.

Fanático com o Atlético-MG, o jornalista Fael Lima, que vive o Galo, como ele mesmo diz, "25 horas por dia", guarda em sua casa vários souvenires do clube. Inclusive o potinho com a terra das obras da futura casa.

"O primeiro pensamento que veio na minha cabeça quando disseram que haveria o estádio era cuidar da saúde para estar vivo e sentir esse momento da Arena MRV. Fui ao Centro de Experiência, me afastei e desceram lágrimas dos olhos. Associei tudo à minha história. Há 12 anos o Atlético-MG tinha um time que brigava para não cair e a gente questionava até a possibilidade de existência dele. Hoje, muda o patamar para algo gigante. Eu comprei o potinho de terra e fico olhando para ele com esse pensamento, nunca imaginei que isso pudesse acontecer", relatou, reforçando que também espera encontrar seu amor na nova casa.

"Quem sabe o primeiro casamento pós-inauguração seja o meu, com alguém que eu conheça lá mesmo", brincou.

Para Marcus Vinícius Medeiros, mais conhecido como "Colé Markin", representante da torcida do Galo nas redes sociais, a Arena MRV desperta no atleticano um sentimento de pertencimento.

"Aquilo ali representa uma história que sabemos que será muito grande. Muitos passam ali e enxergam uma obra comum, mas para os atleticanos, que têm um olhar diferente, ali já é o estádio lotado em um jogo. A gente cuida muito do que é nosso e ali representa demais. Por isso que a energia é diferente para o torcedor do Galo. É como se fosse uma coisa sua sendo construída, esse sentimento de pertencimento. Sabemos do valor do Mineirão e do Independência, mas por ser nosso é muito diferente, um sonho da vida", comenta.

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