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Em 2020, 15 técnicos das Séries A e B foram demitidos com menos de 20 jogos

Português Jesualdo Ferreira caiu no Santos com 15 jogos no comando - Ivan Storti/Santos FC
Português Jesualdo Ferreira caiu no Santos com 15 jogos no comando Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

01/10/2020 04h00

Resumo da notícia

  • 15 técnicos das Séries A e B já foram demitidos com menos de 20 jogos em 2020
  • Thiago Larghi foi o último deles, depois de apenas seis jogos no comando do Goiás
  • CSA já demitiu 3 técnicos nessas circunstâncias: Barbieri, Eduardo Baptista e Argel
Classificação e Jogos

Os clubes brasileiros seguem sem ter muita paciência com seus técnicos. Na última segunda-feira (28), foi a vez de o Goiás anunciar a demissão de Thiago Larghi depois de apenas seis jogos no comando do Esmeraldino. O treinador acumulou três derrotas, dois empates e uma vitória — no período, o time foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vasco nos pênaltis.

Segundo levantamento realizado pelo UOL Esporte, já são 15 técnicos (sem contar interinos) entre times das Séries A e B que foram mandados embora na atual temporada com menos de 20 jogos no cargo.

O Santos, por exemplo, dispensou o português Jesualdo Ferreira após 15 jogos. Ele não resistiu à eliminação precoce nas quartas de final do Paulistão e deixou o cargo no começo de agosto, dias antes da estreia do Peixe no Brasileirão.

Ainda em fevereiro, antes da pandemia do coronavírus, o Atlético-GO surpreendeu ao demitir o técnico Cristóvão Borges com apenas sete jogos, sendo que ele tinha 66% de aproveitamento — quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Revolveram mudar, mas não o rumo que o clube levava, e sim o treinador. Medida muito fácil de tomar e de pouca coragem do presidente". (Jesualdo Ferreira, ex-Santos)

Na Série A, são seis técnicos que se encaixam nesse recorte. Além de Jesualdo, Larghi e Cristóvão, ainda há Dorival Júnior (18 jogos no Athletico Paranaense), Felipe Conceição (18 jogos no Red Bull Bragantino) e Daniel Paulista (17 partidas no Sport).

O número é ainda maior na Série B. São nove técnicos mandados embora com menos de 20 jogos, sendo que o CSA foi responsável por três deles: Maurício Barbieri, em fevereiro, após seis jogos; Eduardo Baptista, em agosto, com 15 jogos; e Argel Fucks, há duas semanas, com apenas quatro partidas.

Lá no Brasil nada é para hoje, nada é para amanhã, é para ontem. Dos quatro reforços que vieram, só pude utilizar um, não pude utilizar os outros três que iriam dar mais corpo ofensivo à equipe, que era o nosso grande defeito. Depois não houve tempo porque as pessoas não querem esperar para fazer uma equipe. Não estão muito abertos a mudanças. Não aceitam que se jogue com três centrais, nem os jornalistas". (Augusto Inácio, ex-Avaí)

Série B, a liga que mais troca técnicos no mundo

A prática no Brasil não é novidade. Levantamento do Observatório do Futebol do Centro Internacional de Estudos do Esporte (CIES), divulgado em junho deste ano, coloca o Brasil entre os piores índices do mundo quando o assunto é troca de técnicos.

Nós cobramos aqui um futebol melhor. Mas com quantos anos saem os melhores jogadores do Brasil? Então, como é que você quer fazer o melhor se os melhores saem cada vez mais cedo? Você não acha injusta uma cobrança tão grande em cima dos treinadores brasileiros? É desleal. Aí, você tem alguns colegas seus que têm raiva de um ou outro e pau no cara. E as torcidas compram". (Jorginho Cantinflas, ex-Palmeiras e Portuguesa, hoje sem clube)

A Série B do Brasileiro, por exemplo, é o campeonato em que os técnicos duram menos tempo no cargo entre as 110 ligas que embasaram a pesquisa: média de 122 dias, cerca de quatro meses. A Segunda Divisão da Turquia (124 dias) e a elite da Letônia (134) aparem em seguida. Já a Série A do Brasileirão está no 17º lugar, com um técnico dispensado a cada 168 dias (cinco meses e meio).

Do outro lado da tabela está o País de Gales, onde mais tempo um treinador fica empregado: média de 943 dias. A elite do Campeonato Sueco (890) e a Super League da Suíça (701) fecham o top 3.

Jogador grita com técnico e fica. Treinador é que sai. Tamo (sic) fu..." (Abel Braga, ex-Cruzeiro, em conversa vazada com Ney Franco dias após Oswaldo de Oliveira ser demitido do Fluminense depois de um troca de ofensas com Ganso)

VEJA A LISTA:

SÉRIE A

Athletico Paranaense
- Dorival Júnior: 18 jogos

Atlético-GO
- Cristóvão Borges: 7 jogos

Red Bull Bragantino
- Felipe Conceição: 18 jogos

Goiás
- Thiago Larghi: 6 jogos

Santos
- Jesualdo Ferreira: 15 jogos

Sport
- Daniel Paulista: 17 jogos

SÉRIE B

Avaí
- Augusto Inácio: 7 jogos
- Rodrigo Santana: 5 jogos

Botafogo-SP
- Wagner Lopes: 6 jogos

Chapecoense
- Hemerson Maria: 6 jogos

Cruzeiro
- Enderson Moreira: 12 jogos

CSA
- Maurício Barbieri: 6 jogos
- Eduardo Baptista: 15 jogos
- Argel Fucks: 4 jogos

Figueirense
- Márcio Coelho: 17 jogos

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