PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Neymar x Nike: jogador não quis nem ouvir outras propostas no passado

Neymar se encontra com Stephen Curry, uma das principais estrelas da Under Armour - AFP PHOTO / GEOFFROY VAN DER HASSELT
Neymar se encontra com Stephen Curry, uma das principais estrelas da Under Armour Imagem: AFP PHOTO / GEOFFROY VAN DER HASSELT

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

01/09/2020 04h00

Já havia algum ruído de insatisfação mútua, mas a ruptura entre Neymar e Nike após 15 anos de acordo foi recebida com surpresa por grande parte do mercado esportivo. A parceria entre o brasileiro e a fornecedora de material esportivo era vista como sólida e de longo prazo - no passado, o estafe do atleta chegou a dispensar avanços de concorrentes sem nem ouvir detalhes financeiros e termos da proposta.

Um desses avanços aconteceu há mais de seis anos, quando o atacante se mudava para o Barcelona. A Under Armour, que patrocina o astro da NBA Stephen Curry, iniciou um projeto de expansão intenso no futebol - viria a ser patrocinadora master do São Paulo. O estafe de Neymar, entretanto, não quis avançar com a conversa.

O brasileiro tinha, na época, contrato longo, até 2022, com possibilidade de prorrogação unilateral pela Nike até 2024, e seu estafe descartava qualquer hipótese de ruptura. O pai do atleta e os demais funcionários que geriam a carreira de Neymar sempre acreditaram que ele se tornaria um dos melhores jogadores do mundo, e o modelo imaginado era de uma parceria longa, similar com a que a empresa manteve com nomes como Michael Jordan e Ronaldo Fenômeno.

Por isso, a conversa com a Under Armour não passou de estágio inicial - isso se repetiu algumas vezes em anos seguintes, sempre que concorrentes da Nike tentaram iniciar uma aproximação. O cenário mudou em 2020, culminando com a rescisão do contrato após 15 anos de vigência. Pessoas ligadas a ambos os lados falam em um fim de relacionamento comercial pacífico, por questões financeiras e contratuais.

A Puma é a favorita para ser a nova fornecedora de material esportivo de Neymar. Na nova casa, o brasileiro deve chegar com pompa, para ocupar um lugar ao lado das principais estrelas.

Classes de clubes e bônus por conquistas

Em matéria publicada em 2018, o UOL Esporte revelou detalhes do contrato de Neymar com a Nike. O documento dividia clubes europeus em categorias e alterava a remuneração do jogador dependendo de onde ele decidisse atuar. Se saísse de uma "elite" estabelecida pelo compromisso, por exemplo, o jogador receberia pelo menos metade do valor acordado. Além disso, o documento previa bônus pelas mais diversas conquistas coletivas e individuais, por clubes e pela seleção brasileira. Vencer a Bola de Ouro, neste cenário, renderia 20 vezes mais do que o título da Copa do Mundo.

O UOL Esporte obteve na íntegra um acordo assinado entre a fornecedora de material esportivo, Neymar e a NR Sports, empresa do pai do jogador, em 2011. Nike e o estafe do atacante não dizem se o vínculo foi alterado ou renovado desde então, e se dizem impedidos de comentar o teor das cláusulas em virtude de condição de confidencialidade.

O documento obtido pela reportagem divide clubes em quatro categorias: A, B, C, e D. Se Neymar jogar pela categoria A, fará jus à remuneração integral; em um clube B, o valor cai pela metade; em um clube de nível C, é metade do valor da categoria B. Se Neymar atuasse por um clube do nível D, não teria direito a receber nada.

Além dos valores base anuais, o contrato incluía metas por conquistas individuais e coletivas de Neymar - títulos, prêmios de melhor jogador e artilharias por todas as competições possíveis por clube e seleção. As metas individuais implicam em premiações maiores, principalmente com a camisa de seleção brasileira.

No caso da Copa do Mundo, por este acordo, Neymar receberia US$ 50 mil em caso de título e US$ 30 mil em caso de vice-campeonato. Caso fosse artilheiro e/ou melhor jogador, entretanto, teria direito a US$ 200 mil por cada uma das metas atingidas. Algo semelhante ocorreria nas Olimpíadas: US$ 20 mil pela medalha de ouro, US$ 100 mil pela artilharia e US$ 150 mil pelo prêmio de melhor jogador.

A maior de todas as premiações ocorreria no caso da conquista da Bola de Ouro: US$ 1 milhão. O prêmio aumentaria a cada nova conquista, com US$ 2 milhões na segunda, US$ 3 milhões na terceira e US$ 4 milhões na quarta. A partir daí, seriam US$ 4 milhões a cada eventual nova conquista.

Futebol