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Por que PSG de Neymar vive um "Last Dance" similar a Jordan nos Bulls

Philippe Desmazes/AFP
Imagem: Philippe Desmazes/AFP

João Henrique Marques

Colaboração ao UOL, em Paris (França)

18/07/2020 04h00

O Paris Saint-Germain vive uma divisão entre jogadores e diretoria que faz lembrar o documentário da Netflix, "Last Dance", que através da história de Michael Jordan no basquete mostra as crises de bastidores vividas por um time campeão da NBA: o Chicago Bulls da temporada 1997-98.

Como a equipe de Jordan, o elenco do time francês é bastante unido e vitorioso, tendo conquistado nesta temporada o tricampeonato francês. Os problemas vividos com a diretoria não são levados a campo, por enquanto.

A figura do diretor esportivo do PSG, Leonardo, lembra bem a do gerente geral do Bulls, Jerry Krause. O documentário mostra a dificuldade de aceitação do dirigente com o elenco do time de basquete americano, com jogadores como o craque Scottie Pippen querendo deixar o clube. Em situações semelhantes às exibidas, Meunier e Cavani não quiseram seguir no PSG por conta das desavenças com Leonardo.

Na guerra contra o elenco, o entendimento de Leonardo é que os ordenados pagos pelo PSG estavam muito acima da média do mercado. O dirigente acredita que o clube francês criou uma cultura do dinheiro inviável desde que foi adquirido por um fundo de investimentos do Qatar, em 2011. Assim, Thiago Silva também já foi avisado de que não seguirá no clube na próxima temporada.

Leonardo é visto internamente como centralizador. Fala diretamente com o proprietário do PSG, o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al-Thani, sem precisar passar pela ponte do presidente Nasser al-Khelaifi, e tem força interna justamente por tocar em jogadores poderosos. Do entorno dos brasileiros do PSG, Thiago Silva, Marquinhos e Neymar, a reportagem do UOL Esporte já ouviu diversas críticas ao comportamento do dirigente.

Por outro lado, há quem defenda de que Leonardo virou uma figura anti-jogador tão ativa que acabou unindo o vestiário. Reuniões do elenco em jantares e festas em Paris passou a ser algo constante.

Também no rol de comparações com o "Last Dance", Neymar tem postura similar a apresentada por Michal Jordan. Ele procura ignorar o atrito com o dirigente, tendo o foco na conquista do título. Fã do jogador americano, o camisa 10 do PSG fez recentemente uma tatuagem na perna com uma frase de Jordan exibida no documentário: "Posso aceitar o fracasso. Todo mundo falha em alguma coisa. Mas eu não posso aceitar não tentar", tatuou o jogador.

Tatuagem de Neymar inspirada em Jordan - Nautica Paris - Nautica Paris
Imagem: Nautica Paris

Já foram várias atitudes do dirigente apontadas por Neymar internamente como irritantes, tais como um suposto jogo de cena em negociação de transferência para o Barcelona, críticas à celebração em festa de aniversário sendo expostas ao elenco e até uma proibição de jogar quando já estava recuperado de lesão - este último caso levou Neymar a criticar o PSG abertamente.

A comparação com o "Last Dance" ainda leva a outra curiosidade. O técnico do PSG, Thomas Tuchel, convive com a dificuldade de aceitação dos dirigentes, não tendo uma garantia de permanência para a próxima temporada. Já o treinador do Bulls, Phil Jackson, foi campeão com o time no ano de despedida de Jordan e mesmo assim não seguiu com o clube por conta das desavenças com a diretoria.

O "Last Dance" mostra que o Chicago Bulls conquistou o sexto título da história em 98 superando vários problemas de bastidores. Já o PSG segue com chance de ter a melhor temporada da história. O time é campeão francês, está nas finais da Copa da França (dia 24 de julho, contra o Saint-Etienne) e da Copa da Liga da França (dia 31 de julho, contra o Lyon), e nas quartas de final da Liga dos Campeões (enfrenta o Atalanta dia 12 de agosto).

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