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Boateng convoca jogadores, imprensa e brancos na luta contra o racismo

Kevin-Prince Boateng relata em carta ataques racista que recebeu - Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images
Kevin-Prince Boateng relata em carta ataques racista que recebeu Imagem: Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

24/06/2020 22h35

Sete anos depois de se retirar de campo por sofrer ataques racistas, Kevin-Prince Boateng convocou jogadores, imprensa e pessoas brancos na luta pelo antirracismo. Em carta escrita ontem ao "The Player's Tribune", o meia, que atualmente defende o Besiktas, da Turquia, relatou sua história e pediu ajuda para alterar o atual cenário.

Em 2013, quando ainda defendia o Milan, o jogador ganês participou de um jogo amistoso de pré-temporada contra Pro Patri e deixou a partida furioso ao sofrer insultos racistas vindos da torcida adversária.

"Peguei a bola, chutei-a em direção às arquibancadas e comecei a sair do campo. Não foi a primeira vez que fui atacado racialmente. Mas daquela vez eu apenas explodi", escreveu.

Em outro trecho do texto, ele contou sua reação ao saber da morte de George Floyd, que foi asfixiado brutalmente por policiais nos Estados Unidos.

"Chorei quando assisti ao vídeo de George Floyd. Eu tive que assistir cinco vezes para perceber o que havia acontecido. Se você ouvir a voz dele: 'Não consigo respirar, não consigo respirar' e 'Por favor, mamãe' ... é tão doloroso. Com quem você conversa quando está perto da morte? Deus, porque você está esperando vê-lo e pedindo perdão. E mamãe. Ele sabia que ia morrer naquele momento. Ele sabia", relatou.

Ao final do texto, Boateng pediu ajuda dos jogadores para ampliarem a luta contra o racismo.

"Existem muitos jogadores que estão assustados ou que não têm personalidade para conversar. E sinto a responsabilidade de pedir o apoio deles para se juntar a mim e ao movimento. Só consigo alcançar 8 milhões de pessoas nas minhas mídias sociais, mas vou usar cada uma delas todos os dias. Vocês têm dezenas de milhões. Este é o momento de mostrar seu rosto — e não em um outdoor para um perfume ou um anúncio de botas novas —, mas para aumentar a conscientização e criar mudanças reais para o movimento Black Lives Matter."

Boateng também convocou a imprensa para contribuir na causa. "Jornalistas e editores, não deixem esse momento escapar. Não esqueçam depois de uma semana. Falem sobre racismo. Mantenham as histórias nas primeiras páginas e na parte superior dos seus sites. Deixem as pessoas lerem e entenderem. E continuem assim, este ano e no próximo e no próximo. Nós precisamos disto. Entrevistem pessoas. Há tantos como eu que têm histórias e sentimentos sobre o racismo. Talvez eles possam nos dar novas perspectivas sobre isso. Talvez suas vozes possam dar aos que ficam em silêncio a coragem de falar."

O meia da seleção de Gana também citou a importância de pessoas brancas aderirem a essa luta. "Quero dizer novamente: irmãos e irmãs brancos, vocês são os que podem mudar este mundo. Nós precisamos de você agora. Especialmente agora. Você precisa nos ajudar, porque você não quer ser tratado como nós. Algumas pessoas pensam: 'Sim, mas todas as vidas são importantes'. Claro que todas as vidas são importantes. Mas a comunidade negra está queimando. Então, se minha casa está queimando e sua casa não está queimando, que casa é a mais importante agora? Certo. Então me ajude a apagar o fogo. E então nós dois podemos morar em casas bonitas", finalizou.

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