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Grupo de torcedores tenta quebrar vínculo entre Palmeiras e Bolsonaro

Torcedor do Palmeiras, então presidente-eleito ergue taça de campeão brasileiro no Allianz em 2018 -  Agência Brasil
Torcedor do Palmeiras, então presidente-eleito ergue taça de campeão brasileiro no Allianz em 2018 Imagem: Agência Brasil

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 04h00

Uma articulação entre grupos de palmeirenses progressistas foi capaz de levar mais de uma centena de torcedores alviverdes para o protesto contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ontem na Av. Paulista. Unidos em coletivos autônomos, eles formaram há uma semana a frente "Palestra Sinistro" (a palavra "sinistro", em italiano, significa "de esquerda").

Sob essa bandeira, que foi mostrada pela primeira vez na Paulista, os torcedores se somam aos rivais do Corinthians e de outros clubes, que há duas semanas vêm se manifestando por democracia e contra o racismo.

A estratégia também pode ser lida como uma forma de tentar desvincular a imagem do Palmeiras à do presidente, que se diz torcedor alviverde. Em 2018, após ser eleito, Bolsonaro participou da festa do título de campeão brasileiro conquistado pelo Palmeiras.

Entre os grupos que participaram do ato, os palmeirenses eram os mais enfáticos nas críticas ao presidente. Eles entoaram vários cânticos que mencionavam o nome de Bolsonaro junto com palavras de baixo calão.

Palestra Sinistro - UOL - UOL
Imagem: UOL

"Nossa imagem estava ligada diretamente a ele porque ele levantou a taça em 2018. Esse grito estava entalado na garganta", afirmou o torcedor Gabriel Santoro, um dos articuladores da "Palestra Sinistro".

O movimento começou como uma resposta também a outro grupo de palmeirenses que, no dia 24 de maio, foi à Paulista se juntar a protestos pró-Bolsonaro e provocar corintianos. As fotos circularam entre torcedores organizados de esquerda, que se revoltaram. Entre as torcidas de São Paulo, a do Palmeiras é considerada, por muitos, a mais à direita.

Em resposta a essa concepção, no dia 5 de junho, membros da "Mancha Alviverde", da "Porcomunas" e da "Palmeiras Antifascista", lançaram um "Manifesto de Palmeirenses que Apoiam a Democracia e a Ciência e Que Repudiam a Mentira e a Intolerância".

Palmeiras - Luís Adorno/UOL - Luís Adorno/UOL
Imagem: Luís Adorno/UOL

A carta foi assinada por ex-presidentes da Mancha, e palmeirenses ilustres como o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, os ex-ministros Gilberto Carvalho e Aldo Rebelo, além do cientista Miguel Nicolelis.

Apesar de ter o apoio de vários líderes da Mancha, o grupo proíbe que seus membros frequentem os atos vestindo camisetas ou adereços de organizadas - todos foram trajando apenas uniformes do Palmeiras.

Durante o protesto, o Palestra Sinistro, formado principalmente por jovens com longa vivência em arquibancadas e caravanas, desistiu de acender fogos de artifício depois que um capitão da Polícia Militar os proibiu. A ideia era evitar qualquer tipo de confronto desnecessário com a PM.

Ao longo da caminhada, outros manifestantes acabaram acendendo fogos, apesar da proibição da PM. Não houve reação.

Ao pedirem por democracia, os palmeirenses chegaram a ser aplaudidos por corintianos, mas a rivalidade impediu que torcedores dos dois lados ficassem mais próximos. Lideranças chegaram a conversar rapidamente, mas não houve interação amistosa entre os rivais.

Durante a dispersão, grupos menores de corintianos e palmeirenses se encontraram e trocaram ofensas e empurrões. A situação só não se tornou uma briga generalizada pela ação dos líderes, que apaziguaram os ânimos.

O "Palestra Sinistro" afirma que continuará participando de atos por democracia, contra o fascismo e o governo Bolsonaro.

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