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Ativista LGBT pede que MP-SP faça Neymar voltar da França e bloqueie avião

Neymar durante treinamento de futevôlei, no Brasil - Divulgação/neymarjr.com
Neymar durante treinamento de futevôlei, no Brasil Imagem: Divulgação/neymarjr.com

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 16h43

Agripino Magalhães, ativista da ONG LGBT+ que denunciou Neymar ao Ministério Público de São Paulo por homofobia, pediu hoje que o órgão providencie a condução à força do jogador, que está em Paris, para depor no Brasil, e peça à Justiça o bloqueio de seu jato particular para pagar uma eventual indenização de até R$ 2 milhões à comunidade lgbtqia+ no país. O pedido ainda não foi analisado - caso seja aceito, o MP precisa pedir autorização judicial para execução das medidas.

Magalhães protocolou uma denúncia ao órgão depois do vazamento de um áudio no qual Neymar e alguns amigos proferiam uma série de ofensas homofóbicas a Tiago Ramos, então namorado de Nadine Gonçalves, mãe do atleta. Na gravação, chegavam a falar em matá-lo e inserir um cabo de vassoura em seu ânus. "Vamos matar, enfiar um cabo de vassoura no c* dele", fala um deles.

No processo, onde é representado pelo advogado Angelo Carbone, Agripino Magalhães relatou estar recebendo ameaças de morte desde que fez a denúncia. O UOL Esporte teve acesso a algumas delas, que aconteceram através de perfis em redes sociais e por telefone. Os representantes do ativista afirmam que algumas delas parecem partir da França, com os autores apresentando sotaque francês e dificuldades para se expressarem em português. Diante dos relatos, o MP pediu que sejam estudadas eventuais providências para preservar a segurança do autor da denúncia.

Além de uma indenização milionária a ser revertida para instituições de representação do público lgbtqia+, Magalhães pede que o MP-SP denuncie Neymar e seus amigos pelos crimes de homofobia e formação de quadrilha. A denúncia ainda acusa o jogador de, enquanto formador de opinião, incitar violência contra homossexuais em um país onde eles são sistematicamente vítimas de crime.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação de Neymar, que não comentou o assunto.

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