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Uísque de Juvenal e banheira de cerveja: o pós-jogo do trimundial do SPFC

São Paulo comemorando o título do Campeonato Mundial de Clubes FIFA de 2005, comandado pelo capitão Rogério Ceni - Martin Rickett - PA Images/PA Images via Getty Images
São Paulo comemorando o título do Campeonato Mundial de Clubes FIFA de 2005, comandado pelo capitão Rogério Ceni Imagem: Martin Rickett - PA Images/PA Images via Getty Images

Eder Traskini, José Eduardo Martins e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo e Santos

25/05/2020 04h00

O gol de Mineiro decretou a vitória do São Paulo por 1 a 0 sobre o Liverpool (ING) e o tricampeonato mundial do clube paulista. Após aquela vitória, a comemoração são-paulina ainda no vestiário não teve limites: uma banheira cheia de latas de cerveja e uísque como presente do diretor do clube na época, Juvenal Juvêncio.

Quem conta a história dessa 'bagunça' é o zagueiro Fabão, em entrevista ao UOL Esporte. O defensor revelou que foi difícil segurar a pressão do clube inglês, mas que o dia era mesmo do São Paulo.

"Pô, o Liverpool... Eu era acostumado a ver esses caras jogando na Champions, a maioria jogando na Espanha, Inglaterra, e de repente você está ali enfrentando os caras. É de arrepiar, mas graças a Deus, como eu falo pra todos os meus amigos, aquele dia era o dia do São Paulo, não tinha pro Liverpool. O Rogério pegou pra caramba, impedimentos coisa de centímetros que o juiz marcou, que é raro, então era o dia do São Paulo, não tinha jeito, não tinha como escapar o título", lembrou Fabão.

O defensor lembra que a festa já começou no vestiário para a alegria dos que "gostavam de tomar um danone". O diretor Juvenal Juvêncio cumpriu uma promessa feita há tempos para Fabão e presenteou o jogador com um uísque.

"Tinha uma banheira lá, depois do título mundial, só de latinhas de cerveja do Japão. E aí, como se diz lá na Bahia, o pau torou né. Tinha os que gostavam de tomar um danone, e aí tomavam com a rapaziada. A banheira lá, cheia de cerveja"

"Um cara que eu não esqueço, que tenho muito carinho e que já se foi, é o Juvenal Juvêncio. Ele era um fenômeno. A gente não tratava ele como diretor, a gente tratava ele como amigo. Eu chegava na sala dele e falava 'e aí, Juvena?", e ele dizia 'entra aí, senta aí'. Isso é bom para o clube. Ele gostava muito de tomar uísque e eu disse 'Juvena, quando você vai me dar um uísque?', eu pedi um uísque pra ele, já imaginou isso? Tem que ter muita cara de pau, né. Ele falou assim: 'a hora certa vai chegar'. Ganhamos o mundial e aí ele falou assim pra mim: 'toma aqui o seu uísque, eu não falei que a hora certa ia chegar?'. Isso foi bacana", contou o zagueiro.

Quem não era zagueiro, mas sofreu muito com a pressão imposta pelo Liverpool foi o volante Josué. Segundo o jogador, o técnico Paulo Autuori treinou a equipe para atuar de forma compacta e sempre alertava que o time não podia perder o meio-campo durante o jogo. Com a pressão inglesa, sobrou para Josué...

"Fizemos uma partida realmente muito bacana no primeiro tempo e fizemos o resultado. Depois, no segundo tempo, foi um Deus nos acuda. A gente ficou com a bunda lá atrás, eu lembro que o Paulo Autuori falava assim: 'Josué tira esse time de trás' (risos) e eu falei, 'professor, não tem jeito' (risos). Eles encurralaram a gente e se não foi o jogo principal, foi um dos jogos que eu mais defendi. A gente só se defendeu praticamente o segundo tempo todo, foi ataque contra defesa. Mas assim, três gols anulados corretamente por impedimento e o Rogério Ceni fez uma das melhores partidas da carreira dele", disse Josué ao UOL Esporte.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, Juvenal Juvêncio era diretor do São Paulo em 2005 e não presidente. O erro foi corrigido.

São Paulo