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Quem é o brasileiro alvo do Chelsea que já ganha até boas vindas da torcida

Gabriel Magalhães, zagueiro do Lille, observado de perto por Di Maria, do PSG - Divulgação/Lille
Gabriel Magalhães, zagueiro do Lille, observado de perto por Di Maria, do PSG Imagem: Divulgação/Lille

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

22/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Destaque do Lille, Gabriel Magalhães está na mira de Chelsea e Everton
  • Ele já recebe até boas vindas de torcedores dos clubes nas redes sociais
  • Zagueiro de 22 anos foi revelado pelo Avaí e deixou o Brasil em 2017
  • Gabriel Magalhães acumula passagens por todas as seleções de base
  • Francês quase fluente evitou jogador de receber uma multa no país

As negociações ainda estão em andamento, mas ao dar uma fuçada no Instagram de Gabriel Magalhães, o zagueiro brasileiro que defende o Lille (França) desde 2017 parece até já ser um reforço do Chelsea. Ao menos é o que dão conta os inúmeros comentários de torcedores dos Blues nas redes sociais, com uma enxurrada de frases do tipo 'Welcome to Chelsea' (Bem-vindo ao Chelsea, traduzido para o português).

De acordo com alguns tabloides ingleses e com o que foi apurado pelo UOL Esporte, o Chelsea é, sim, um dos favoritos a ficar com Gabriel Magalhães, de apenas 22 anos. Ainda assim, é precoce cravar que o zagueiro jogará mesmo nos Blues. O Everton, por exemplo, é outro clube que mantém contato direto com o Lille e o jogador, que foi um pedido do técnico Carlo Ancelotti.

Titular absoluto do Lille na atual temporada europeia (com 34 jogos, sendo 33 como titular), Gabriel Magalhães recentemente renovou seu vínculo com o clube até 2023. Mas a cada dia que passa, parece cada vez menos provável que o zagueiro fique até o final do contrato.

Em entrevista ao UOL Esporte, Gabriel Magalhães - avaliado em 30 milhões de libras (cerca de R$ 198,4 milhões) pelo Lille - admite estar por dentro das notícias sobre a sua possível transferência e até brinca com as saudações de torcedores de Chelsea e Everton.

"Acompanho, mas procuro ficar à parte. Costumo sempre falar para os meus empresários que, neste momento, quero saber o menos possível para não perder o foco dentro de campo. Fico feliz em ver meu nome sendo especulado em grandes equipes. É a demonstração de que o trabalho feito até aqui tem sido bom. Vejo também muitos torcedores das duas equipes comentando minhas postagens no Instagram [risos]. Chega a ser engraçado", brinca.

Gabriel Magalhães, do Lille, já recebe boas vindas de torcedores do Chelsea - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Questionado sobre a possibilidade de ser treinado por Frank Lampard no Chelsea, Gabriel se diz fã do ex-jogador, mas pede calma ao analisar uma futura transferência.

"Foi um grande jogador sem dúvida nenhuma. É um daqueles atletas que admirava pela telinha. Mas temos que ter calma com tudo isso. É precoce e renovei meu vínculo com o Lille até 2023. Foco agora é voltar a jogar e terminar a temporada em alto nível, classificando o Lille para a Champions League 2020/21", acrescenta Gabriel, que chegou à Europa com menos de 20 anos.

Ausência no Pré-Olímpico mesmo convocado

A rígida postura do Lille ao não liberar jogadores importantes para competições fora da data Fifa fez Gabriel Magalhães perder alguns torneios relevantes na seleção olímpica. Convocado por André Jardine para o Pré-Olímpico da Colômbia, quando o Brasil obteve vaga nos Jogos de Tóquio, o zagueiro foi cortado e precisou assistir aos jogos na televisão.

"O Lille sempre jogou limpo comigo. Por eu ser titular e peça importante, eles já haviam me falado que não liberariam. A gente conversa e chega a um acordo. Tenho certeza que a comissão técnica da seleção também entende. Como costumo falar, tem que ser sempre bom para todos", analisa Gabriel, que também perdeu o tradicional Torneio de Toulon pelo mesmo motivo.

"A gente trabalha sempre no clube pensando em fazer o nosso melhor para que possamos ser lembrados na seleção de nosso país. Infelizmente, temos esse problema com datas e calendários dos jogos. Já havia ficado de fora do Torneio de Toulon e de algumas outras convocações do Jardine. Sem dúvida tinha o desejo de disputar o Pré-Olímpico. Mas entendo perfeitamente os argumentos do clube. Espero poder estar nas Olimpíada em 2021", diz.

Zagueiro Gabriel Magalhães durante jogo treino da seleção sub-20, em 2017 - Kin Saito/CBF - Kin Saito/CBF
Imagem: Kin Saito/CBF

Sonho da Olimpíada nas mãos do COI

Nascido em 1997, Gabriel Magalhães ainda depende de uma oficialização do Comitê Olímpico Internacional (COI) para ficar à disposição de André Jardine para a Olimpíada do Japão, uma vez que ele, assim como vários outros jogadores, completam 24 anos em 2021. A Fifa já fez uma recomendação ao COI para aceitar jogadores nascidos a partir de 1997; agora, resta aguardar.

"Eu e outros atletas da geração de 1997 estamos contando com isso [risos]. Espero e torço muito para que tenham bom senso de ajustarem também o limite de idade. Tiveram bom senso em adiar os Jogos [Olímpicos, devido à pandemia do coronavírus] e tenho certeza que terão também nessa situação. Não é justo com quem poderia disputar os Jogos esse ano ficar de fora. Isso é um ajuste simples e confio muito que será feito."

?? @neymarjr

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Francês quase fluente ajudou a evitar multa alta

Um dos países que mais sofrem com o surto de coronavírus, a França vem adotando algumas medidas rígidas para combater a Covid-19. Ter em mãos um documento assinado pelo governo sempre que estiver andando na rua é uma delas. E não fossem os estudos da língua local desde 2017 e o francês quase fluente, o zagueiro brasileiro poderia ter levado um baita prejuízo.

Gabriel, zagueiro do Lille - TF-Images/Getty Images - TF-Images/Getty Images
Imagem: TF-Images/Getty Images

"Aqui na França, durante a quarentena, temos que levar um documento, assinado, para poder transitar na rua sem levar multa. Eu estava indo ao clube buscar alguns materiais para fazer meu treinamento em casa e estava sem o documento. Me pararam, deram uma dura, mas consegui explicar a eles o que estava indo fazer. Se eu não falasse francês estaria enrolado e com uma multa alta para pagar [risos]", brinca o zagueiro, que hoje já concede entrevistas em francês.

"Sempre que posso estou estudando a língua. Já participei de programas de TV aqui na França e falo bem sim o francês. Recentemente, dei uma entrevista à France Football. É muito importante falar a língua. Se comunicar bem nos treinos e jogos facilita demais todo o trabalho", acrescenta Gabriel.

VEJA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA:

Avaí e o acesso em 2016

Falo do Avaí com muito carinho e gratidão. Um clube que abriu as portas para mim e me possibilitou mostrar meu futebol para o mundo. Guardo a campanha de acesso [à elite do Brasileirão] em 2016 com muito carinho. Conseguir devolver um clube para a Série A é muito gratificante. Foi durante esta campanha que pude ser convocado para seleção brasileira de base também.

Chegada precoce à França e adaptação

Quando o Lille apareceu com a proposta, eu não tive dúvidas em aceitar. Queria dar início ao meu projeto de jogar no futebol europeu. Como quase todo atleta, sofri um pouquinho no início. Tive dois empréstimos [para Troyes e Dínamo Zagreb] e pude aprender muito e entender o jogo do futebol europeu. Fácil não foi. Mas fazendo um balanço, acredito ter tido uma adaptação boa e dentro do previsto.

Coronavírus na França

A quarentena aqui foi estendida até o dia 11 de maio. Temos restrições, sim. Horário certo pra sair de casa, tempo contado para estar na rua e, como falei, precisamos, sempre que ir à rua, levar um documento assinado pelo governo liberando. Acreditamos que, muito em breve, isso tudo irá passar. Importante é seguir as orientações do governo e da [órgãos de] saúde para salvar vidas.

Passagens por Dínamo Zagreb (Croácia) e Troyes (França)

Importantes e fundamentais. Foram dois empréstimos em que pude aprender muito e ter tempo de me adaptar ao futebol europeu. Nesses empréstimos entendi a dinâmica de jogo e pude me preparar para viver o que estou vivendo hoje no Lille. O Dínamo Zagreb, então, me adaptei muito bem e tenho uma gratidão imensa.

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