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UOL Debate: Cartolas veem Brasileiro à frente da Libertadores pós-pandemia

Do UOL, em São Paulo

03/04/2020 15h38

Classificação e Jogos

Na tarde de hoje (3), o UOL Debate reuniu jornalistas e dirigentes de futebol para um papo sobre o futuro da modalidade no Brasil em meio à pandemia do coronavírus. Entre os tópicos discutidos, os integrantes chegaram ao consenso de que o Campeonato Brasileiro não deve ter a fórmula de pontos corridos alterada e que o torneio nacional é mais importante do que a Copa Libertadores nesse momento de crise financeira para todos os clubes do país.

"A Conmebol se apropriou do calendário brasileiro. Vamos fazer uma linha de corte com a Conmebol. Ela não pode tomar conta do calendário brasileiro em prejuízo do Brasileirão. Os clubes que jogam a Libertadores não querem mexer agora, aqui, ali... Inflamos as competições sul-americanas e, agora num momento de crise, o que aconteceu com a Conmebol? Sumiu. No momento de bonança eram bons amigos, na hora da tempestade o guarda-chuva não serve para todos. Eu acho assim: É uma boa hora para colocarmos a Conmebol na parede. Privilegiar especialmente o Campeonato Brasileiro, Séries B, C, D, e a Libertadores precisa de espaço, mas não tomar conta. E está tomando conta", opinou Lásaro Cândido, vice-presidente do Atlético-MG.

Coordenador de Futebol Feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha também questionou a continuidade das competições sul-americanas. O mandatário ressaltou os esforços financeiros que os clubes brasileiros precisam fazer para estar em torneios como esse. Apesar disso, ele ponderou que o trabalho a ser feito daqui para frente não cabe somente à entidade brasileira e sim aos times.

"A Libertadores tem um peso grande para o torcedor brasileiro. Mas acho que a Sul-Americana é um campeonato que se pode abrir mão. Estamos jogando com dez ou 12 times nestas competições. Tem despesa, viagem, logística ruim. A CBF tem feito muito, e foi feito um ajuste com muito esforço para não ser ainda pior. Há um interesse em adequar as datas. E o número de participantes: quando participa é bom, quando está fora queria estar presente. O clube tem que saber o que quer. Na hora de jogar, todo mundo quer, e depois reclama que tem muito jogo", opinou Cunha.

Ainda durante a conversa, os integrantes questionaram a possibilidade de continuidade dos Estaduais. Marco Aurélio Cunha afirmou que tem poucas esperanças para os campeonatos que estão paralisados, e Lázaro Candido, vice-presidente do Atlético-MG, não concorda que os atuais líderes dos regionais sejam declarados campeões. O comentarista Renato Maurício Prado, então, relembrou a vontade de todos para que o Brasileirão seja realizado normalmente.

Para Cândido, declarar como campeão os líderes dos estaduais "é uma coisa inacreditável".

"Já fizemos, em tempos anteriores, o famoso troféu por fax. Clubes foram campeões duas vezes no mesmo ano. Não tem lógica nenhuma, e eu estou falando com Atlético em terceiro. Seria uma vergonha um clube ser declarado campeão, dar volta olímpica, sendo que você encerrou a competição muito antes de sua conclusão", disse o dirigente do Galo.

"O campo da incerteza é gigante. Não sabemos como a pandemia vai declinar, ter pico de contágio, liberar as ações da vida social. Ficamos comentando o que gostaríamos. Maio, junho, julho... Não temos certeza. É irreal. Estamos há um século sem saber o que é uma pandemia, como se comportará hoje. Eu acho que, sim, será difícil acomodar as datas e terminar os campeonatos como gostaríamos", declarou Marco Aurélio, que concordou com a opinião do comentarista Renato Maurício Prado.

"Na minha opinião, não faz o menor sentido discutir Estadual. Entendo a situação de Minas, mas imagina o Paulista, que ainda tem todo o mata-mata. As pessoas estão falando em maio ou junho e julho, mas depois do final da paralisação, do isolamento, ainda terá que dar tempo para os jogadores entrarem em forma. Não consegue voltar em 30 de junho e jogar. Precisará ao menos 15 dias. Não consegue começar no minuto seguinte. Tenho até medo que nem o Brasileiro consigamos fazer. A não ser que mude, um turno e mata-mata curto com quatro primeiros. Não vai ter datas", disse Prado.

Dirigentes temem desmanches de clubes pequenos

Os integrantes da mesa mediada por Vinicius Mesquita, gerente do UOL Esporte, também exaltaram a preocupação com os clubes menores que dependem do dinheiro que ganham, principalmente, nos Estaduais para sobreviverem. Para isso, os cartolas cobraram ações da CBF e outras entidades para socorrerem esses times.

"Os clubes estão em face da incerteza, completamente sem nenhum farol para dar a eles o mínimo de coordenação no sentido de uma ajuda material, técnica, e isso é o mais premente. A realidade é muito dura. Agora a CBF precisa de uma ação concreta principalmente para os clubes menores", disse Lásaro Candido, vice-presidente do Atlético-MG.

"Muitos clubes já estão se desmanchando. O Pelotas, no Rio Grande do Sul, tinha 28 jogadores no plantel, mas já dispensou 20 e o treinador. E Minas Gerais, alguns clubes já estão encerrando contrato de atletas, que iam até o início de abril, nos Estaduais, e como vai ficar isso? Qual a solução com os clubes encerrando contratos? E há dois dias tivemos a informação da televisão que não irá pagar a última parcela da cota... É uma coisa que tem que ser pensada porque vai haver um desmanche nos times pequenos, pode ter certeza disso", declarou Paulo Pelaipe, diretor de futebol com passagens por Grêmio, Vasco, Flamengo e atualmente no São Caetano.

Clubes x CBF

O vice do Atlético-MG relembrou as ações tomadas já como os cortes de salários e antecipação das férias. Lásaro defendeu uma união entre os clubes para uniformizar as atitudes em relação à crise financeira que todos estão enfrentando.

"Não existe solução fácil para um problema complexo. Mas o Atlético fez um estudo anterior, e a reunião dos clubes não fez uma decisão, cada clube decidiu de forma autônoma, o que eu acho equivocado, porque não existe competição de um ou dois clubes, os clubes precisariam se definir de forma conjunta um mecanismo que abateria essa situação. O único acerto que a comissão nacional de clubes firmou foi conceder férias até 20 de abril", destacou.

Após os questionamentos à CBF, Marco Aurélio Cunha questionou como a entidade poderia ajudar os times. O dirigente da entidade que regulamenta o futebol no Brasil ainda perguntou aos outros integrantes do debate quais seriam os critérios para o auxílio financeiro, já que existe um número grande de clubes espalhados pelo país.

"Temos 700 clubes profissionais no Brasil. Quando falamos em ajudar, temos que ver como será feito. Não tenho dúvida que a CBF vai ajudar os menores, mas os grandes também têm um impacto brutal. E os clubes grandes acabam não tendo receita para pagar suas dívidas. É como fechar uma grande fábrica. Não tem como. É preciso criar um modelo para auxiliar equipes que possam subsistir. É difícil criar um modelo que abasteça todo mundo", disse Marco Aurélio.

"Clubes do interior precisa de respirador, senão irão morrer. Não dá para fazer um plano para daqui a três meses", respondeu o vice do Atlético-MG.

"Quem são os do interior? E Piauí, Alagoas, Sergipe, Acre", devolveu Cunha, que teve mais uma resposta de Lásaro.

"Uma pequena ajuda já será substancial. Tem que ter algo de emergência principalmente para os pequenos. Clubes de Série A e B são organizados, têm múltiplas fontes. Mas sem série e série D, não tem competição, regionais parados, para estes clubes, eu faço essa alegoria, eles precisam de respirador. É um movimento rápido, consistente que não vá se gastar muito, mas algo tem que ser feito", finalizou o dirigente do clube mineiro.

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