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Na véspera do Dia da Mulher, Allianz toca música com violência doméstica

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

07/03/2020 17h39

Classificação e Jogos

Pouco antes da partida entre Palmeiras e Ferroviária, na tarde de hoje — véspera do Dia da Mulher —, o estádio Allianz Parque reproduziu em seu sistema de som uma música que sugere a violência doméstica. "Vou lhe dar uma banda de frente, quebrar cinco dentes e quatro costelas", diz a canção "Faixa Amarela", famosa na voz de Zeca Pagodinho. Acompanhe Palmeiras x Ferroviária pelo Placar UOL.

A música foi tocada cerca de uma hora antes do jogo. Trata-se de um samba bem popular de um dos artistas mais consagrados do Brasil. Boa parte da canção exalta uma mulher e lista uma série de presentes que ela receberia, o problema é um trecho no final, que contém uma ameaça e pode ser interpretado como uma incitação à violência doméstica (veja parte da letra abaixo).

"Mas se ela vacilar, vou dar um castigo nela
Vou lhe dar uma banda de frente
Quebrar cinco dentes e quatro costelas
Vou pegar a tal faixa amarela
Gravada com o nome dela
E mandar incendiar
Na entrada da favela"

O ocorrido é tratado pelo Allianz Parque como um erro acidental que não voltará a se repetir. Segundo o UOL Esporte apurou, nos dias de jogos a operação do sistema de som do estádio é feita por uma empresa de produção contratada, que é responsável pelas músicas tocadas. Quase todas as canções reproduzidas antes dos jogos são bastante animadas e populares.

Por ser véspera do Dia da Mulher, o Allianz Parque recebeu também algumas ações sociais que valorizam a data. Pouco depois da canção controversa tocar no sistema de som, uma ação do Palmeiras permitiu que várias torcedoras tentassem fazer gols nos mascotes do clube — quem conseguisse ganhava produtos oficiais. A Federação Paulista de Futebol também promoveu uma ação, um "apitaço" antes do início da partida, justamente para jogar luz sobre a violência contra a mulher no futebol. Além disso, o time feminino do Palmeiras faz treino aberto no estádio amanhã, com ingressos à venda.

Segundo dados das Nações Unidas, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de Feminicídio - só El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia têm mais casos de assassinato de mulheres. Desde 2015 o Código Penal Brasileiro tipifica na Lei 13.104 o feminicídio como homicídio, reconhecendo o assassinato de uma mulher em função do gênero.

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